Capítulo 7

1045 Palavras
Raya Acordei sentindo meu corpo pesado, como se algo invisível estivesse me pressionando contra o colchão. Minhas pálpebras pareciam feitas de chumbo, e por um instante, tudo o que quis foi voltar a dormir e esquecer da realidade c***l que me aguardava. Mas o silêncio no quarto era estranho, carregado de uma tensão sufocante. Meus instintos me alertaram antes mesmo de abrir os olhos completamente. Minha família estava ali. Eu podia sentir sua presença, ouvir suas respirações contidas. Pisquei algumas vezes até minha visão se ajustar à luz suave que filtrava pelas cortinas. Meus pais estavam ao lado da minha cama, sérios, preocupados, diferentes do que costumavam ser. Até mesmo Vayron, meu irmão, mantinha-se em silêncio, algo raro para ele. Foi então que compreendi. A reunião já havia acontecido. — O que houve? — minha voz saiu rouca, minha garganta seca. Asura suspirou, passando uma das mãos pelos cabelos negros, um hábito que ele tinha quando precisava se controlar. — Tivemos a reunião com os arcanjos — ele começou, sua voz firme, mas carregada de algo mais profundo, uma dor contida. — Eles nos ofereceram a cura... mas há um preço. Meu coração deu um salto no peito. Olhei para minha mãe, esperando que ela me desse algum sinal de que meu pai estava exagerando, mas Scarlett apenas apertou os lábios e desviou o olhar. — Qual é o preço? — perguntei, minha respiração acelerando. Dantalion, meu avô, falou primeiro, sua voz grave cortando o silêncio. — Eles querem você, Raya. Querem levá-la como garantia de que o inferno não vai mais tocar nos anjos que vagam pela terra. Se aceitarmos, você viverá. Se recusarmos... você terá no máximo oito dias de vida. Meu estômago se revirou. Olhei para cada um deles, tentando entender o que estavam sentindo, mas todos escondiam bem suas emoções. Até mesmo minha mãe, que era sempre a mais expressiva, parecia travada em uma mistura de dor e impotência. — Você não precisa aceitar isso — disse Vayron, os olhos estreitos, indignado. — Podemos encontrar outra solução, outro meio de curá-la. Mas todos sabíamos que isso era apenas uma esperança vazia. Se houvesse outra solução, eles já teriam dito. — Não vamos decidir por você, Raya — minha mãe falou finalmente, sua voz doce, mas trêmula. — Mas queremos que você saiba que qualquer que seja sua decisão, estaremos ao seu lado. Pisquei algumas vezes, sentindo o peso daquela escolha caindo sobre mim como uma rocha. Se eu recusasse, morreria em menos de dez dias. Meus pais carregariam essa culpa pelo resto de suas existências. Eu sabia disso. Vi como eles reagiram quando eu fiquei doente. Minha mãe m*l dormia, e meu pai... meu pai fingia estar bem, mas eu sabia que por dentro ele estava se despedaçando. Mas se aceitasse, estaria me entregando para Heaven. Eu, filha do rei do inferno e da rainha Scarlett, neta de Dantalion e Dagon, uma figura conhecida e respeitada em todo o submundo, me tornaria uma prisioneira do céu. Demônios não invadiam Heaven, mas caçavam anjos na terra. Será que iriam parar com isso por minha causa? Não importava a decisão que eu tomasse, algo seria destruído. Minha família, minha liberdade, minha própria existência. — Eu... — tentei falar, mas as palavras travaram. Respirei fundo e apertei os lençóis com força. — Não quero morrer agora que completei dezoito anos. Meu pai fechou os olhos por um instante, como se aquilo tivesse sido um golpe. Quando os abriu de novo, sorriu. Um sorriso forçado, triste, mas ainda assim um sorriso. Então, ele se inclinou e me envolveu em um abraço apertado, como se quisesse me proteger de tudo e de todos. Minha mãe logo fez o mesmo, seus braços tremendo ao meu redor. Eu sabia que aquilo estava destruindo os dois. — Vamos encontrar um jeito — minha mãe sussurrou contra meus cabelos. — Sempre há um jeito. Mas mesmo enquanto dizia isso, sua voz soava quebrada. E eu sabia, no fundo, que meu destino já estava selado. Heaven.... Vou mesmo morar no céu como uma prisioneira, como a p***a de uma refém pelo resto da minha vida? Isso parece tão c***l, mas morrer agora é algo inaceitável, eu quero viver, nem que seja mais um ano. (...) Os dias se passaram rapidamente, amanhã vai ser o sétimo dia depois da reunião entre céu e inferno. Meu corpo está tão fraco, não consigo levantar da cama, será que vou morrer? Meu pai está procurando uma cura a todo custo, mas eu sabia que seria em vão, é muito pouco tempo, talvez se aceitarem que vou morrer logo, podem acabar encontrando a cura para salvar os outros que estão menos pior. Os seres celestiais foram inteligentes tenho que admitir, e eu... fui burra. Ser forte e independente realmente valeu a pena? Pois se eu fosse uma princesa mimada que ficava atrás dos outros para ser protegida, talvez nunca fosse envenenada. Escuto a porta da ala medica ser aberta, provavelmente é alguém da minha família. Vejo meu irmão, Vayron entrar com algo em sua mão, um frasco que parece de perfume. Ele se aproxima da cama e se senta na poltrona perto de mim. Vayron —dentro desse frasco de perfume tem veneno, caso o céu seja um lugar c***l e impossível de se viver tome isso, não quero que viva em sofrimento. —obrigada irmão— ele é o único da família que consegue pensar em situações difíceis, pois sabe que lá em cima serei uma prisioneira. Meu pai e minha mãe nunca conseguiriam pensar nisso, em uma forma de me fazer escapar, caso realmente não tenha uma forma de fazer isso. —como será que serei tratada lá?— eu nunca pisei em Heaven não sei como é, mas dizem que é um local cheio de leis, cheio de etiqueta e formas de viver. Vayron —espero que bem, mas como refém imagino que não do melhor jeito. Dizem que o céu é um lugar entediante e chato, sem nada de interessante acontecendo, onde pessoas tem vidas normais— diz mexendo em meus longos cabelos pretos —hey, só prometa não agir sem pensar lá em cima, não imagino anjos torturando pessoas, mas aquele de cabelos brancos me pareceu meio c***l, tipo o Dagon.
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