Já faz semanas desde que Samanta se foi. O morro continua o mesmo por fora — as vielas cheias, o som alto, a correria dos meus homens — mas dentro de mim, tudo está silencioso. Um silêncio que grita, que me rasga por dentro cada vez que lembro do sorriso dela. Eu tentei me convencer de que era melhor assim. Que ela, longe daqui, estaria segura. Mas a verdade é que minha segurança nunca teve importância pra ninguém. Só ela me fez querer ser um homem melhor. Só ela me olhou e enxergou algo além do que a favela criou. Toda noite eu subo no alto do barraco, olho pro horizonte e imagino onde ela está. Será que pensa em mim? Será que sente o mesmo vazio? “Chefe”, o olheiro me chama, quebrando meus pensamentos. “A mina tá bem, ouvi dizer que tá no interior com a tia.” Meu peito aperta. Eu dev

