• Capítulo 13 •

1661 Palavras
Rubens Erdoğan ☠. Ter Ana mexendo em meus armários e andando pela minha cozinha tão livremente foi a última coisa que pensei que viria em minha vida. Ela ainda estava perfeitamente impecável; seu malditō perfume de morango parecia impregnado nela, pois foi a primeira coisa que invadiu minha casa. Ajeitei-me no sofá, voltando a pegar o notebook e posicioná-lo em meu colo. Antes de me encostar no sofá, tomei mais um gole do meu whisky e o deixei sobre o porta-copos da mesa. Ouvia seus passos descalços pelo piso vinílico de mármore preto. Quase toda a minha casa era preta e branca; apenas os banheiros eram todos de mármore branco. Fora isso, grande parte do ambiente tinha a mesma decoração. — Então, como foi? — perguntei assim que senti o lado direito do sofá afundar. — Sou perfeitamente boa em tudo que eu faço — sua voz dócil e alegre invadiu meus ouvidos, e cheguei à conclusão de que talvez ela tivesse bebido. — Aqui. Assim que olhei para sua mão estendida, vi um relógio na palma da mesma. A olhei como se estivesse doida, e ela revirou os olhos, colocando o copo de água ao lado do meu. — Você me deu este relógio, lembra? — Não era um relógio comum; era uma espécie de drive. Armazenava os dados de qualquer computador, celular ou tablet, apenas chegando perto durante quinze minutos. Fiz um desses para toda a equipe, pois geralmente eles me pediam favores e eu odeio trabalhar sem ter informações básicas dos alvos. — Aí dentro provavelmente deve ter algo interessante sobre André Zyuganov. — Seu alvo? — perguntei, já sabendo a resposta. — Isso aí. E, bom, já que ele é corrupto e vira e mexe pede coisas para Makyson, deve ter conhecido o chefe através de alguém. E quem é a pessoa que vive exibindo o chefe por aí? — Alfred Klein. — Ela sorriu, balançando a cabeça positivamente e se levantando para pegar seu copo. — Sou demais — ela disse, fazendo uma dancinha tosca que me fez sorrir e revirar os olhos. Enquanto ela começou a andar pela sala, eu analisava o relógio. — Preciso de um brinco, estou com preguiça de ir até o banheiro pegar uma agulha. — Ela parou no meio do caminho na direção da pequena prateleira de livros que tinha no canto da sala. — Aqui, floco de neve. — Peguei o pequeno brinco de suas mãos, e logo ela voltou a andar. — Você bebeu? — perguntei, enquanto encaixava a parte que precisava no pequeno buraco do relógio. — Três taças de vinho — ela respondeu, parecendo concentrada em algo. Logo que olhei de relance, a vi com um dos meus livros em mãos. — Vamos fazer um acordo este ano! — ouvi o livro se fechar rapidamente, e enquanto pegava a pequena peça que precisava para colocar no computador, respondi. — Que acordo? — disse, concentrado na leitura de dados que meu computador fazia. — Você vai me deixar livre, igual um passarinho, este ano — e logo a olhei, colocando o computador ao lado vazio do sofá. Analisando a figura pequena ao lado da lareira. — Não estou prendendo você — não como gostaria. Fechei os olhos rapidamente, querendo apagar aquele malditō pensamento inconsciente. — Está sim. Como sempre fez, observando cada passo, vejo no seu tom, julgando o que acha certo ou não fazer. — Ela começou a caminhar em minha direção, e assim que parou na minha frente, cada uma de suas mãos se apoiou nos meus joelhos. Ficando cara a cara comigo, e Caralhö, precisava de um esforço grande para não agarrar seu cabelo e fazer ela se ajoelhar ali mesmo. Geralmente, conseguia controlar meus impulsos direcionados a ela e pensamentos também. Mas depois da nossa última noite, minha mente parecia ter perdido o controle. — Em janeiro eu faço vinte anos, quero viver, Rubens, sair, beber, beijar, trånsar, bater meu carro. — Sentia cada parte do meu corpo tensionar. — Preciso descobrir o mundo além das coisas que já sei, e não consigo fazer isso com você me enchendo o saco! E assim ela se afastou tão rápido quanto se aproximou. Mesmo sem camisa, sentia um calor infernal, como se minha própria pele fosse coberta de lã. Puxei o controle da lareira, desligando-a e logo depois ligando o ar condicionado. Ana havia voltado para a cozinha e agora prendia seus cabelos em um coque, como se também estivesse com calor. "Sair, beber, beijar, trånsar..." foram essas as únicas palavras que colaram em minha mente. — Deixo você viver, se deixar que eu mostre o mundo para você. — E quando percebi, já tinha falado. Estou dizendo que minha mente perdeu completamente o juízo. Ela quase se engasgou com o seu segundo copo de água e me olhou nitidamente surpresa. — Incluindo o sair, beijar e trånsar? — Ela fez questão de perguntar, e eu cruzei os braços, voltando a relaxar no sofá. Ela voltou para o cômodo, parando em minha frente. Eu nitidamente havia perdido meu juízo, mas me irritava o fato de apenas pensar em alguém tocando nela dessa forma. Não que Ana Júlia fosse minha propriedade particular, mas sabia que as coisas podiam ser cruéis nesse mundo, e se ela queria experimentar tudo isso, podia estar lá nas suas primeiras aventuras. Depois, soltá-la e deixá-la voar livre como tanto desejava. — Deixo você livre, anjo — respondi. — Mas só depois de garantir que estará segura vivendo tudo isso. Se quer descobrir o mundo, faça isso comigo ao seu lado. — Rubens, você está bem? — Ela largou o copo e veio se sentar ao meu lado, colocando sua mão em minha testa. Ri de sua ousadia e bati em sua mão. — Você está meio quente, não está com febre? — Vou começar a repensar sobre o que eu falei! — disse em um tom de brincadeira. Já fazia muito tempo que não voltávamos a ser leves um ao lado do outro, sem brigas constantes. — Não! Que isso — ela riu. — Aceito sua ajuda. Isso inclui você me falar o que era aquilo que a gente viu ontem? — Suas bochechas ficaram coradas, como se lembrasse o que havia acontecido, e sua vergonha a fizesse entrar em uma caixinha. — Na realidade, esqueci. Isso não parece ser uma boa ideia. Eu iria responder, mas meu computador logo começou a piscar, mostrando que havia terminado o download de informações. Logo peguei o notebook, vendo-a se sentar direito ao meu lado. Comecei a vasculhar áreas que delegava ser importantes. A primeira foi nos contatos salvos. E não enrolei pesquisando o nome de quem procurávamos; a ruiva estava completamente certa. Peguei o computador e mandei que ela me seguisse. Caminhei pela casa, e ao lado direito do corredor era o banheiro social. Na última porta, o quarto que havia saído mais cedo. Ao lado da porta, uma pequena escada dava acesso ao andar de cima; subi, sabendo que Ana me seguia. O corredor do andar de cima era a visão que ela tinha. Nada de anormal. A primeira porta à esquerda era o meu quarto, a última porta do corredor, minha sala de jogos, e a porta na frente do meu quarto, meu pequeno escritório. Assim que abri a porta, coloquei o notebook sobre a mesa de computadores. Ok, de pequeno não tinha nada. Era bem espaçoso, do tamanho de todos os quartos dessa casa. Uma mesa grande que cobria toda a parede, com três monitores de última geração, um teclado comum, porém com LED azul embaixo. Em cima da mesa, ainda tinha um iPad e alguns materiais para, caso precisasse, arrumar alguma ferramenta eletrônica. A luz se acendeu sozinha no momento em que abri a porta. — Rubens, do céu... — Assim que olhei para Alencar, seus olhos brilhavam como se estivesse vendo algo extraordinário. Além da minha mesa central, ao lado direito, na parede, havia dois painéis: um que usava para projetar imagens e outro que usava como um tablet gigante. Na parte esquerda, em vez de mais paredes, tinha uma janela enorme que me dava acesso à vista da cidade. — Isso aqui é mais legal do que aquilo que tem na sede. — Estou me mudando de lá — falei enquanto conectava a tela do meu notebook aos outros monitores. — Vou deixar minha sala para os irmãos Sanchez, vou fazer meus trabalhos daqui. — Você está se mudando para cá de vez, não é? — parei de mexer nos computadores ao ouvir o tom da sua voz. — Conversei com Makyson, ele autorizou, disse que era o meu presente de aniversário. — Dei de ombros. — Então sim, vou me mudar para cá. — Alencar puxou o ar e desviou os olhos para a janela. — Mas ainda vou ter que cumprir as regras de Ramon: estar pontualmente no café da manhã, ir às reuniões e aos treinos. Fora que é ele quem me repassa todas as missões, e vou ter que ir até lá para recebê-las. — Você tem sua casa, né? — ela disse, tentando voltar ao seu tom de empolgação. — Nada mais justo do que morar nela. Enfim, o que achou aí? Voltei a olhar para a tela do computador, sentindo um desconforto estranho no peito. — Vai rolar um evento feito pelo Alfred Klein — disse. — Essa sexta-feira, precisamos dar um jeito de entrar lá e se aproximar do velho. — Bom, finalmente já temos algo para iniciar — ela respondeu, respirando aliviada. — Meu plano valeu a pena, então. — Sim, você foi esperta. Tenho o endereço da festa e o nome do organizador. — Abri o convite que o senador havia recebido. — Consigo colocar a gente lá sem problemas. — Ótimo! — ela disse, e voltei a encontrar seu rosto. — Agora vou para casa, preciso descansar. — Ana... — Ela apenas sorriu e saiu do cômodo.
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