• Capítulo 14 •

1748 Palavras
Desde segunda-feira que não falava com Ana Júlia. Considerando que hoje era quinta, realmente era tempo ate demais. Trocamos apenas algumas mensagens rápidas, já que tínhamos um trabalho em comum. Mas estávamos cada um no seu canto. Fora isso, tinha um trabalho com Silas também, e foi através dele que fiquei o motivo da mudança de Ana. Claro que, após o seu pequeno surto de sempre, sobre "por que comigo o tratamento é diferente" e que isso não era justo e blá blá blá, só depois disso ele me contou que havia escutado Lotte e Júlia fofocar pela casa é que escutou: "ele vai embora, Lotte." Depois disso tudo que escutei de Silas, foi uma série de xingamentos bravos pela "injustiça". O que ele não entendia era que nenhum de nós ali era prisioneiro. Mancini iria manter a gente sob sua vigilância, seja na sede ou em outro lugar, pois éramos suas peças mais importantes e ele precisava manter a confiança. E essa era a diferença entre mim e Silas. Makyson ainda não confiava nele o suficiente para que tivesse uma casa fora da sede. Mesmo que saísse daqui, não poderia morar longe, comigo mesmo, a vinte minutos de carro ou moto, e a pé cerca de quarenta a cinquenta minutos. Abri a porta do quarto de Alencar, agradecendo por não estar trancada. A casa inteira ainda estava dormindo, pois o sinal ainda não tinha tocado. Hoje, Ramon não iria ter que informar ao conselheiro que havia me atrasado. Pois esse foi o combinado: poderia morar na minha casa, desde que não chegasse atrasado para os compromissos. Qualquer deslize meu seria repassado para Felipe, e eu ainda perderia créditos, correndo o risco de voltar a morar na sede. Isso não ia acontecer. Não que aqui não fosse meu lugar favorito, mas eu já não me via mais morando aqui com todos eles como antes. A ruiva dormia agarrada a um travesseiro, no meio de duas pernas. Seus cabelos estavam jogados livremente para o lado vazio da cama. Hoje, não usava uma camisola, mas sim um pijama comum: uma calça de pano leve com rostos de pequenos Minions desenhados e uma regata igual. Certeza que ela tinha uma parte no guarda-roupa exclusiva para suas peças de dormir. "Não saio da sua vida, anjo, nem depois de mörto", foi o que pensei antes de ver as luzes do corredor acenderem automaticamente. Logo, as janelas automáticas começaram a subir, e um rock pesado começou a tocar. Analisei o relógio e era seis e vinte, horário comum de sempre. Ana se mexeu na cama, trocando de posição por conta da luz que entrava no quarto e colocando o travesseiro sobre seu rosto. Fechei a porta do seu quarto, não querendo que ela me visse observando-a. — Não mora mais aqui, porém continua sendo o primeiro a acordar — Silas disse assim que me viu, esfregando os olhos. — Bom dia, cūzao — ele me mostrou o dedo do meio enquanto se apoiava na parede, esperando o elevador e tirando um cochilo no processo. Não sei como conseguia com essa maldïta música. — Terminei o atestado de óbito falso, enviei pro seu e-mail... você viu? — ele disse, entrando na caixa de metal e se espreguiçando. — Vi. Vou fazer a notícia da mōrte e ainda hoje posto em todos os sites. — Minha missão junto a de Silas era fazer com que um renomado cirurgião plástico sumisse do mapa. Silas era responsável pelo fim da sua vida, como a documentação e dados da mōrte, assim como pelo começo dela, como entregar novas documentações. Eu era responsável por colocar todos esses documentos em sites oficiais, como do governo e mídia. Apesar de mim e Silas discutirmos bastante, tínhamos um convívio bom. Geralmente, nossos trabalhos sempre andavam de mãos dadas. — Lembra do conselho que te dei? — bati em seu ombro antes de sairmos do elevador. — Termine de ganhar a confiança de Ramon, que logo vai poder ir morar na sua casa. Ele que repassa as informações para Felipe, que chegam aos ouvidos de Makyson. — Como se fosse fácil, o velhote é um chato. — É, eu sei. — Ambos saímos rindo do elevador. Alplin já estava sentado na sua cadeira de costume. A primeira coisa que fez quando me viu foi olhar o relógio, e eu, orgulhoso, pisquei para ele. — Você não vai revogar meu presente, velhote. A segunda-feira foi um caso isolado. — Bom dia, velhote — Silas disse e logo se sentou na sua cadeira, e eu na minha. Ramon revirou os olhos, pois odįava o seu apelido carinhoso, e voltou a olhar para seu relógio. — O problema do médico é a pōrra da amante dele. — Bratvan, que se servia de café com leite, continuou. — Já falei várias vezes que a amante não pode saber de nada, mas ele insiste na püta. — Vou passar na casa desse bosta hoje e falar diretamente com ele. — Por favor, porque hoje tenho que ir lá com os irmãos Sanchez. Se não, eu mesmo ia. O cara pagou para sumir do mapa, não para ele e a pūta particular! — Bom dia, família — a voz de Charlotte invadiu o ambiente. — Pelo amor de Deus, velhote, desliga isso! — ela começou a servir seu prato de frutas. Enquanto Ramon fazia o número quatro com os dedos, indicando que ainda faltavam Lisa, os novatos e Ana, eu apenas suspirei enquanto começava a preparar meu prato de café da manhã. Estava realmente com fome, e aquilo não iria parar enquanto todos não estivessem na mesa tomando seu café. •$°$• Fechei a porta da minha Mercedes-Benz CLE preta, respirando fundo. No momento em que meus sapatos sociais tocaram a grama, ouvi o trovão soar, deixando claro que a chuva estava prestes a começar. Apertei o passo, querendo resolver logo aquela situação. Passei o dia na rua resolvendo as coisas da minha mudança. Agora, meu quarto na sede não passava de um cômodo vazio. Aproveitei para contratar uma empresa de mudanças para levar minhas caixas, além de duas mulheres para ajudar Cida a organizar as coisas. Havia somente um cômodo que eu resolvi arrumar sozinho, e raramente deixava alguém entrar lá. Toquei a campainha esperando que o malditō atendesse a porta. Dr. Ferreira, o infelįz cirurgião que estava complicando meu trabalho simples. Assim que o infelįz de cabelos loiros abriu a porta, o empurrei tão forte para dentro que seu corpo caiu imediatamente no chão. Fechei a porta atrás de mim, colocando as mãos nos bolsos da calça social. — Boa noite, doutor — disse com arrogância. — Você deveria ficar feliz em me ver, meu amigo costuma conversar com queimadura envolvida. Agora levante e pegue suas coisas, tem trinta minutos. — Quem é você? — ele perguntou se levantando. — Vou chamar a polícia. — Vá em frente, aproveita e diga o quão sujo você é, que está querendo fugir do país com o dinheiro da esposa que você mesmo måtou. Daria uma história linda. — Como você sabe...? — E, como se tivesse um clarão, continuou: — Você é um daqueles caras que contratei. Por que está aqui me ameaçando? — Porque você está ferrando com um trabalho simples. Foi avisado para deixar sua amante, mas como está vendo pela minha presença, não fez o certo — ele tentou falar e eu o cortei. — Se quiser vir por bem, ok. Se não, eu mesmo quebro seu pescoço e pego o dinheiro da sua conta bancária para mim. Não vou me importar. — Você não pode estar me ameaçando. Contratei seu serviço e... — Você contratou a máfia e não um plano de proteção do governo. Está acabando com a minha paciência — disse suspirando e cruzando os braços. — Para onde vamos? — Agora, Caralhö! — gritei e logo ele subiu para o segundo andar. Continuei parado na frente da porta, aguardando o i*****l descer. Meu celular logo vibrou no bolso. 10:34 AM Anjo: » Vai estar aqui a que horas amanhã? Considerando que o comitê seria em outra cidade e começaria às cinco da tarde, daqui de Moscou para Dubna demorava em torno de uma hora, se não tivesse trânsito. 10:35 AM » Passo para te buscar às quatro, tudo bem? 10:35 AM Anjo: » Nem pensar, Rubens. Não vou sair daqui arrumada e passar uma hora com um vestido apertado dentro de um carro. Três! 10:36 AM » Certo, hotel? 10:36 AM Anjo: » Vemos qualquer um quando chegarmos lá. Bloqueei o celular no momento em que vi o homem descer com um total de cinco malas. O cara já estava com vinte mil na conta, fora seu salário como médico. Ele precisava mesmo de tantas malas? — Não vou levar isto, trate de colocar tudo no carro — abri a porta e logo destranquei o veículo, fazendo o porta-malas abrir. Aguardei o homem colocar as malas no carro e puxei meu celular. 10:38 AM » Você está bem? Não queria mandar mensagem para Ana, queria dar o espaço que ela pediu, mas não conseguia. Ela não desceu para o café hoje cedo, o que irritou metade da casa, já que aquela maldïta música demorou para parar de tocar. Quando Ramon decidiu ir vê-la no quarto, voltou sozinho para a cozinha. Me mantive afastado, constatando que era isso que ela queria. Depois fui fazer todas as coisas que tinha pendentes, participei de algumas reuniões da facção, apenas ordens sendo repassadas. Agora que Ariel estava grávida, a presença de Makyson se tornava ainda mais invisível, mas suas ordens não. Além disso, ele estava pressionando Ramón sobre a missão. O velhote me parou antes que eu saísse do prédio e fez questão de me passar essas informações. Quase certeza que também havia falado com Ana, pois o dia inteiro nossa conversa foi sobre isso. Tinha algo fora das nossas capacidades, algo que estava acontecendo. Desbloqueei o celular novamente procurando o número de Makyson. 10:41 AM » Tem algo acontecendo que queira me contar? Esperei sua resposta, que não veio. Mensagem visualizada, mas sem nenhuma resposta. Nota mental: ir até sua casa. Lá ele não poderia me ignorar. — Pronto! Ouvi a voz do doutor e logo abri a porta do passageiro. Ele entrou e eu a fechei com força. Dei a volta no veículo e dei partida, rumo ao hotel onde este babaca ficaria preso até que a gente terminasse nossas tarefas.
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