Sentir os dedos de Rubens passando entre minha bochecha fazia eu fechar os olhos e entrar em Nárnia. Logo senti sua mão tirar as piranhas que prendiam meu cabelo, e sabia que, se levantasse ou tirasse minha cabeça do colchão, meus cabelos ficariam esparramados pela cama.
— Diga, Ana... — ele sussurrou tão baixo e rouco que um frio percorreu meu corpo. — Preciso que diga para me afastar agora, porque se eu continuar não vou conseguir parar. Preciso tirar você da minha mente.
— Rubens... — encarei-o seriamente, sentindo meu corpo voltar a entrar em erupção, e perdi o controle de mim mesma. — Eu preciso de mais, me dá mais... — senti seu corpo tensionar e seu maxilar travar. — Por favor.
— Dïaba ruiva dos įnfernos! — ele gruniu, agarrando minha cintura e me puxando para deitar completamente na cama. Senti meus cabelos espalhados pelo lençol. — Ergue as mãos — ele puxou a gravata preta que estava em seu pescoço; não entendi o que ele estava dizendo. — Faça o que estou mandando.
A voz dele, tão grossa e ameaçadora, fazia minha virilha pulsar, meu corpo formigar. Erguer meu punho como se estivesse sendo presa pela polícia. Em um movimento rápido, ele usou a gravata para amarrar meu punho. Seus olhos brilhavam com algo que eu não conseguia entender.
— Mantenha os braços parados — ele disse, assim que ergueu meus braços sobre minha cabeça. Antes que eu pudesse responder ou perguntar o motivo, ele me beijou, ou melhor, dominou minha boca. Arrancando o ar de meus pulmões, enquanto me beijava tão intensamente que sentia o mundo parar.
No momento em que levantei o quadril para ir de encontro ao corpo de Rubens, ele segurou minha cintura, me levando de volta ao colchão. Senti sua boca desgrudar da minha e comecei a respirar de forma apressada, querendo segurar seus cabelos enquanto ele descia beijos pelo meu pescoço. Mas sua mão ainda segurava meu pulso amarrado, e, conforme ele beijava meu corpo, um caminho de formigamento ficava por onde ele passava.
Sentia sua boca, mesmo sobre a renda fina do decote, engolir meu seio direito, enquanto massageava o outro. Gemi tão alto que jurei que todos naquele pequeno hotel pudessem ouvir. Sem parar um momento de massagear meu seio, ele desceu um caminho de beijos e mordidas sobre meu corpo. Fiquei arrepiada, e desci meus braços querendo tocar em seus cabelos, mas, como um leão selvagem, ele voltou meus braços para o lugar.
— Quieta — ordenou, e eu o olhei, a ponto de vê-lo tirando minha calcinha e jogando em alguma parte do quarto.
Sentia sua respiração contra a minha virilha enquanto ele afastava minhas pernas. Eu me contorcia em desespero, ansiedade e curiosidade. Como uma chave, os lábios de Rubens Erdoğan se encaixaram em minha pele, e eu arfei, puxando o ar e querendo agarrar meus cabelos.
No momento em que senti sua língua me lamber por completo e depois chupar meu c******s, abaixei as mãos, agarrando seus cabelos, mesmo ainda amarrada. Em um único movimento, Erdoğan agarrou meu pulso, apertando e segurando contra a minha barriga, me imobilizando. Em nenhum momento ele parou de me chupar, e seu peso impedia que eu levantasse o quadril. Com a mão livre, ele enfiou um dedo em mim, e senti arder; mesmo querendo me afastar pela ardência, queria mais de sua língua circulando meu corpo.
— Oh meu Deus... — balbuciei, completamente perdida. Meu corpo estava tensionado e, ao mesmo tempo, relaxando. No momento em que seu dedo saiu de mim, suspirei somente para sentir ele entrar novamente, dessa vez com dois. Tão devagar, como se estivesse com medo de me machucar. — Rubens... Rubens.
Em algum lugar, um telefone começou a vibrar e eu não conseguia decifrar de onde vinha. Para falar a verdade, nem queria. Ele se afastou um pouco de mim, e quando o olhei, vi sua boca brilhar, com a minha excitação estampada em seu rosto.
—Vou aumentar o ritmo — ele me alertou, tirando os dedos para colocá-los novamente, dessa vez um pouco mais rápido. — Me diga se doer, anjo. — E assim ele voltou minha mão para cima da minha cabeça e seu corpo para cima do meu. Ainda com seu dedo dentro de mim, me beijou, e senti meu próprio sabor em seus lábios.
Me tocar, estimular meu c******s era uma coisa. Agora, enfiar meus dedos dentro de mim? Não, nunca fiz, por mais que Lotte me incentivasse. Na primeira e única vez que tentei, ardeu e doeu. Depois, nunca mais me toquei dessa forma, a não ser acariciando minha carne. Mas Rubens fazia isso muito bem; não ardia mais, e sim me dava arrepios na espinha, algo tão bom, tão gostoso. Gemi sorrindo enquanto sentia meu corpo relaxar.
— Olha pra mim — abri os olhos, obedecendo cegamente. — Pōrra, Ana... preciso te fodęr! — Seus dedos, antes em um ritmo lento, se aceleravam, e eu mordi os lábios, tentando segurar o grito de surpresa que me atingiu. — A pōrra do meu p*u está pulsando, em desejo por você, c****a do įnferno.
— Me deixa de chupar — pedi em um desespero tão desconhecido por mim. Sim, já havia feito isso muito louca em um bar com Lotte, mas agora, mesmo sem uma experiência real, eu queria Erdoğan em minha boca. — Por favor, Rubens.
Ele abriu os lábios para me responder com um sorriso cafajeste. Mas dessa vez, meu celular começou a tocar e o dele a vibrar junto. Gemei sentindo seu dedo se afastar de mim e fui puxada para a realidade quando ele desfez o nó da gravata. Vi-o se levantar e atender o telefone com ódįo, não ligando para quem era, apenas atendendo.
— O que é? —Nunca o vi tão irritado, mas logo seu rosto se virou em minha direção. — Makyson! O que aconteceu?!
Arregalei os olhos e me arrastei pela cama, correndo até a pontrona onde estava e puxando minha bolsa. Makyson Mancini nunca ligava; não era ele quem nos passava as ordens, então tinha algo errado. Assim que puxei meu celular, mensagens de Charlotte invadiram minha tela.
Minha metade » Seja onde estiver, não volte para casa! Cód 999.
Arregalei os olhos e senti minhas mãos tremerem; cód. 999 era o nosso aviso de invasão. Alguém tinha acabado de invadir o arsenal dos Mancini, minha casa. Disquei rapidamente o número de Charlotte, sentindo minha cabeça doer, como se tivesse saído do céu e sido jogada contra o chão em um único tapa.
— Charlotte! — gritei, sentindo minha voz trêmula. — Você está bem!?
— Se não fosse pelo idïota do Silas, estaria mōrta — puxei o ar, ouvindo a voz da minha amiga do outro lado. — Estamos todos bem, só o Silas levou um tiro, mas estamos bem.
— Estou indo! — ouvi a voz de Rúbens e dei um giro de oitenta graus.
— Ok, tô indo pra casa, tá bom! — disse, segurando meu telefone com o ombro e puxando minha calcinha. — Não ouse morręr, sua desgraçada.
— Meu amor, sou seu karma, esqueceu? — ela riu, e eu me aliviei por isso. — Tenho que me manter viva e, principalmente, fazer você fodęr com Erdoğan. Depois disso, posso morręr.
— Cala a boca! — ri um pouco envergonhada, pensando que, se ela soubesse que eu estava quase conseguindo isso, surtaria. — Estou a caminho!
Desliguei, não querendo colocar aquele vestido apertado novamente. Como se estivesse levando meus pensamentos, Rubens jogou uma blusa branca social dele em minha direção, e a peguei rápido. E, como se nada tivesse acontecido, comecei a agir no automático: coloquei sua blusa enquanto abotoava e calcei os chinelos que deixei ao lado da cama mais cedo.
Puxei minha mala debaixo da cama e, assim que a joguei sobre o colchão, peguei minha pistola Taurus prata, verificando o cartucho e engatilhando. Olhei para Rubens, que também me olhou enquanto engatilhava sua Glock. Sua mochila já estava em suas costas, e logo ele puxou os sapatos e pegou seu Notebook
Eu coloquei a mochila no ombro enquanto pegava os saltos e o vestido de forma apressada. Antes de fechar a porta, verifiquei se tudo estava certo: minha maleta de maquiagem já havia sido colocada no carro antes de irmos ao evento, e a única coisa que sobrou foi a cama completamente desarrumada. Joguei tudo no banco de trás enquanto Erdoğan entrava no carro e eu olhava em volta.
Guerra. Era o cheiro disso que eu sentia.