Guerra e Conflitos
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No momento em que entramos na rodovia para Moscou, nosso carro começou a ser perseguido. Eu estava nervosa, segurando firme no painel do carro. Rubens acelerava e desvia tão rápido dos outros veículos que eu ouvia apenas o zumbido do vento. Ouvi-o xingar novamente ao ver, pelo retrovisor, dois carros muito próximos de nós.
Claramente, duas Ferraris pretas seriam mais rápidas que uma Mercedes-Benz Classe C. Por isso, estávamos cercados, com cada uma em um maldįto lado. Eu me encolhi e xinguei ao ouvir dois tiros próximos demais da lataria. Os vidros eram à prova de balas, mas o capô e a lataria não. Puxei minha arma do chão, rangendo os dentes.
— Ana, não! — foi tarde demais. Rubens não teve tempo de segurar meu corpo enquanto eu saía pela janela, deixando meu tronco para fora. — Alencar! — ouvi-o gritar, irado. — Se você tomar um tiro, eu te mäto!
— Vê se não bate o carro! — gritei, mesmo ciente de que a condução do veículo estava perfeita. — Vamos jogar seus filhos da pūta.
Disse isso no momento em que ergui minha mão, firmando a arma nela. Respirei fundo e atirei pela primeira vez, acertando o vidro e notando que era à prova de balas. Do carro à nossa direita saiu um homem vestido de preto, e logo um tiro em minha direção. Erdoğan jogou o volante para a esquerda; vi a bala passar diante de mim e senti a mão dele agarrar minha coxa com tanta força que sabia que ficaria marcada.
Aproveitei a firmeza que sua mão me trazia e logo atirei novamente, acertando um tiro na cabeça do malditō, que caiu como um saco de lixo do veículo, enquanto seu corpo era atropelado por um caminhão. Não esperei meu corpo esfriar para atirar de novo, acertando o pneu e fazendo a Ferrari capotar duas vezes devido à velocidade e à parada brusca.
Joguei meu corpo para dentro novamente e olhei na direção de Rubens, que me encarava com irritação e... t***o. Pōrra, não sabia se meu corpo queimava pela adrenalina ou pelo jeito que ele me olhava.
— A pōrra da sua calcinha estava aparecendo, sabia? — ele gritou enquanto olhava pelo retrovisor, verificando onde estava a outra Ferrari.
— Como se não estivesse me fodęndo com a língua há algumas horas! — retruquei, e logo nossa discussão parou ao ouvir o nome de Makyson brilhando na tela do carro.
— Manda — respondeu Erdoğan assim que atendeu a chamada.
— Onde está, Caralhö! — ele gritou, e eu me encolhi. Como Rubens não tremia com Mancini falando desse jeito?
— Estou meio ocupado, pōrra! — O quê!? Olhei para o albino no volante; ele estava mesmo falando com o don daquele jeito. — O que preciso?
— Giulia foi sequestrada, e não estamos conseguindo falar com Gabriela! — Makyson não ligou? Não ameaçou? Não achou ruįm?
— Ana! — ele me gritou enquanto reclinava o banco. Entendi no mesmo instante, enquanto segurava o volante, mantendo o carro em linha reta. Rubens não tirava o pé do acelerador em nenhum momento. — Makyson! Ordens!
A voz dele, grave e firme, era excitante aos ouvidos. Assim que trocamos de lugar, senti sua ereção contra minha b***a e caralhö. Queria parar o mundo inteiro e voltar para onde estávamos, para aquele quarto, para os braços dele. Assim que ele tirou os pés do acelerador, eu tirei os chinelos e pisei, mantendo a constância. Meu coração acelerava, meu corpo formigava, e meu sanguę estava tão quente que sentia borbulhar.
— Giulia e Gabriela estavam na loja — caixa dois — foi a primeira a ser atacada.
— Sorveteria? — ele perguntou.
— Isso — um entendimento veio de Rubens, e logo ele abriu seu notebook. Perguntei-me em qual momento ele o pegou. — Onde está?
— Vinte minutos! — gritei, informando o tempo que levaríamos. Logo, Mancini desligou a chamada e Rubens me olhou com a sobrancelha erguida.
— Vinte? — ele disse, voltando sua atenção para a tela do computador.
— Aprende, amor — respondi, entrando em uma rotatória. Rodei por ela duas vezes, ciente de que a Ferrari estava nos seguindo. Na conclusão da terceira volta, mudei o pedal, fazendo o carro dar ré e mudando a marcha no mesmo instante.
Ouvi o pneu cantar enquanto tomava a contramão, entrando na avenida principal de Moscou. Não podia olhar para Rubens agora, mas, a julgar pela respiração tranquila e pelo toque das teclas no notebook, arriscava dizer que ele confiava sua vida a mim.
Logo que notei um caminhão vindo em minha direção, apertei a buzina, fazendo-o virar tão rápido que quase causou um acidente. Filho da pūta! Xinguei o motorista, desejando que aquele caminhão explodisse. Assim que avistei o posto de gasolina que passamos na ida, entrei nele, saindo da contramão e pegando a última rua próxima da sede.
— Esse merdå não é aquele cara que estava na frente de casa? — paralisei ao ouvir a voz de Rubens e teria batido o carro se ele não tivesse pegado o volante e desviado. Olhei a tela do notebook rapidamente e, assim que vi Victor Alencar, meu estômago embrulhou. Não consigo respirar... não consigo respirar. — Ana?! — pisei tão rápido no freio que meu rosto foi contra o volante, fazendo minha cabeça latejar. — Calma!
Ele gritou e, assim que me olhou, franziu a testa. Só entendi o motivo quando senti o sanguę descer pela minha testa. Não me importei com isso e agarrei o notebook, engolindo em seco.
— Preciso que me diga agora quem é? — Erdoğan disse, e eu senti meu coração na garganta. — Vou te explicar a situação. No momento em que passarmos por aquele portão, Makyson vai querer respostas, e preciso saber quem é esse...
— Meu tio — disse, sentindo meus olhos encherem de lágrimas. — Ou deveria ser! Eu estava me sentindo sozinha, procurei minha família e o encontrei. No começo, juro que ele era legal e bom, mas... — abracei meu próprio corpo.
— Mas o quê? — a voz de Erdoğan me deixava com calafrios, sentindo a mortę me abraçar.
— Ele tentou... ele... — comecei a esfregar minhas unhas no meu abraço. — Ele tentou fazer sęxo comigo... eu consegui fugir e me afastei, mas ele começou a me ameaçar! Por isso pedi a missão do senador. Não sei como, mas ele descobriu sobre mim e começou a ameaçar tudo e todos. — Virei-me para Rubens, encarando seu rosto. — Juro que tomei cuidado! Eu juro que não contei nada! Rubens, eu juro!
— Aleluia! — Erdoğan piscou, assim como eu, saindo de um transe. A voz de Ramon nos encontrou e a porta do motorista foi aberta. — Saiam, anda!
Saí automaticamente, secando as lágrimas teimosas. Ouvi a porta do passageiro bater com força e tremi ao ver o prédio todo rodeado de soldados. Assim que entramos, não usamos o elevador, pois ele estava banhado em sanguę. Subimos as escadas, e a cada degrau, sentia meu corpo inteiro tremer.
Makyson me matarįa. Se Victor tinha a ver com o sumiço da cunhada, esposa de Felipe, que era considerado irmão. Felipe Asimov, o conselheiro da máfia russa, irmão e pernas de Mancini, o dono dessa pōrra inteira, tinha acabado de ver sua esposa e filho serem sequestrados. Eu estava mōrta, não consigo respirar... não consigo.