• Capítulo 23 •

1673 Palavras
Rubens Erdoğan ☠. A primeira coisa que fiz quando subi foi tomar banho. Precisava relaxar meu corpo, mas me arrependi no instante em que senti meus ombros doer e minha mandíbula latejar; o gancho de esquerda do Makyson era devastador. Assim que desliguei o chuveiro e me olhei no espelho, ouvi meu elevador apitar. Não demorei cinco minutos para colocar um short e pegar minha arma. Enquanto descia as escadas, sentia meus olhos queimarem; meu cabelo ainda pingava, mas não me importei muito com isso. Me acalmei ao ver cabelos lisos e pretos, e um olhar puxado raivoso. — Me solta, Caralhö! — Charlotte Yato disse, puxando seu abraço que o "segurança" tentava segurar. Eles não estavam ali para proteger ninguém, mas para garantir que Julia não fugisse. Revirei os olhos enquanto caminhava até a cozinha e deixava a arma sobre o balcão. Passei a mão sobre meus cabelos, penteando-os de forma desajeitada para trás. Abri a geladeira, peguei um energético e o abri, enquanto me escorava na pia e encarava a figura feminina pequena me olhando com raiva. — Ela não tem nada a ver com isso! — foi a primeira coisa que Lotte disse, apoiando as mãos no balcão. — Eu sei — respondi em um tom baixo, enquanto começava a beber. — Caralhö, é da Julia que estamos falando! A menina que chora quando måta uma barata! — e ela continuou, parecendo não me ouvir. — Você pode falar com o Makyson, ele te escuta e... — por um momento, ela se calou, apenas me olhando em choque. — Você o quê? Antes que eu pudesse responder, travei no mesmo lugar; Ana Júlia aparecia atrás da amiga, somente de toalha. Pōrra! Toalha! Seus cabelos molhados pareciam ainda maiores, e seu corpo enrolado fazia minha mente pensar em coisas que não queria agora. A água escorria de seu rosto e pescoço, desaparecendo na toalha. Olhei além dela para o segurança que estava atrás de nós e que tinha visão perfeita da b***a dela naquela mini toalha. — Saiam! — gritei, e as duas se assustaram. — Vocês são pagos para ficar na pōrra da saída, não na minha casa! — continuei, e o segurança arregalou os olhos. — Se eu ver mais um de vocês aqui dentro, matö todos na porrada! Me incomodou demais ver o jeito como os olhos do filho da pūta desciam entre suas pernas e b***a. Em menos de segundos, ele entrou no elevador, fazendo a caixa de metal descer. Suspirando, fechei os olhos e massageei minha própria testa. — Amiga — ouvi Lotte — como você está? — e uma fungada de nariz de Ana. — Olha, não fica sem comer, tá bom? E nem ouse ficar o dia inteiro deitada. E se você tiver algum surto, me liga. Surto? Abri os olhos, encarando as duas. Yato agora abraçava Ana, que recebia o gesto com gratidão. As duas pareciam nem se lembrar que eu estava ali. — Não fui eu, Lotte — ela disse com a voz baixa. — Eu nunca trairia Makyson, nunca iria fazer nada contra a minha família. — Eu sei, amiga — disse ela, apertando a jovem ainda mais contra seu corpo. — Quando acharmos Victor, eu mesma o måtarei. Não, não. Eu farei isso. — Acabou? — perguntei, nitidamente de mau humor. — Sim, i****a — Charlotte disse. — Só queria ver minha amiga! — Ela me mostrou a língua e depois virou-se para Alencar. — Vai terminar seu banho, está fędendo. — Seu cū, que eu estou! — As duas riram e fiquei mais tranquilo ao vê-las rir. — Vai ficar tudo bem, amiga. Juro. Elas se abraçaram novamente e logo Ana Júlia voltou para o seu quarto, molhando a casa inteira. Eu precisaria enviar uma mensagem para Cida e pedir que viesse duas vezes na semana agora, pelo menos até tudo voltar ao normal. Pensei que Yato sairia, mas ela apenas se virou para mim, caminhando de volta. — Escuta, Ana vai me enforcar se descobrir que te contei. Finge que descobriu sozinho, ok? — Ergui uma sobrancelha, confuso com aquilo. — Ela está tentando lidar com crises depressivas há mais ou menos uns cinco meses. Por favor, se ela passar muito tempo trancada no quarto, faça alguma coisa. Se ela se måtar, eu matö você. Cuida dela, Rubens. Pela primeira vez vi Charlotte falar sério e notei a preocupação em seu tom de voz. Mas me perdi ao ouvir "crises depressivas"; queria me culpar, pois era essa a realidade. Se não tivesse me afastado dela no ano passado, se tivesse continuado a protegê-la como sempre fiz, Victor não teria feito m*l a ela, não estaríamos nessa situação e, principalmente, não teria descoberto sobre o que estava acontecendo com Ana através de Yato. — Sempre, Charlotte — respondi, e ela saiu aliviada. Peguei meu telefone, que havia deixado aqui embaixo, e disquei o número de Mancini. No primeiro toque, ele atendeu. — Estou indo para aí — foi o que disse assim que ouvi seu "alô" e logo desliguei. Caminhei em passos largos até o quarto de visita e, assim que bati na porta, ouvi um "entra". Encarei Ana, agora com um pijama de urso, e quis sorrir ao ver aqueles pijamas combinando. Ela passava algum tipo de óleo nos cabelos ainda molhados e me encarava sentada na cama. — Preciso sair — disse. — Vou mandar entregar uma pizza de quatro queijos e calabresa — sabia que esse era seu sabor favorito. — Coma — ordenei. — Tem Coca na geladeira e, caso queira fazer qualquer outra coisa, sinta-se à vontade. — Aonde vai? — ela não questionou sobre comer, e me senti aliviado. — Resolver as coisas. Vou pegar um celular descartável que não uso, sabe meu número? — Ela balançou a cabeça positivamente. — Ótimo, então me ligue se precisar. $$ Assim que desci da minha moto, Dorotéia já estava parada na frente da porta me recebendo. No momento em que entrei, vi Ariel, com seus cabelos cacheados soltos e arrumados, um vestido longo preto e sua barriga já marcada. Ela sorriu para mim enquanto mexia em uma panela de brigadeiro. — Boa madrugada, Rubens — ela disse, e então notei o relógio: uma e vinte. — Deveria estar dormindo, não? — ela estava linda, com a pele impecável, e fazia carinho na barriga enquanto mexia na panela. — Sem Makyson deitado ao meu lado? — ela riu. — Difícil. — Vou tentar resolver as coisas o mais rápido que conseguir. Foi o que disse antes de passar pela porta vermelha do seu escritório. Assim que entrei, Felipe me olhou dos pés à cabeça, e eu ergui a sobrancelha, fazendo o mesmo; o encarei sentado na poltrona perto da mesa de bebidas. Ele tinha um computador onde deveria estar a jarra de whisky, que estava em sua mão. Makyson arranhou a garganta e só então parei de encarar Felipe. Podia ser quem fosse, o próprio dïabo, não iria encostar em Ana Júlia. Se tentasse, eu mesmo faria questão de måtar, torturar e devorar. Mesmo tentando reprimir esse sentimento, não conseguia. Era impossível controlar. — Celular? — disse, sentando-me à frente da mesa de Makyson. Minha cabeça doía e, assim que tirei minha mochila das costas, aproveitei para tirar o energético de dentro. — Por que você está aqui? — ouvi a voz de Felipe, e respirei fundo. Um, dois, três. — Felipe — Makyson suspirou. — Por favor. — Por favor? — ele riu, e me virei para encarar seu rosto. Seus olhos queimavam em minhas costas. — Minha mulher e filho, Makyson, estão nas mãos de pessoas que a gente não conhece. Sem nenhum sinal de vida, e você, ao invés de måtar aquela vadïa, fez o quê? — Me levantei e ouvi Mancini se levantar ao mesmo tempo. — Felipe — disse, cansado. — Vou trazer sua mulher e seu filho de volta. — Caminhei até onde ele estava, reconhecendo o celular de capa roxa. — Até lá, pare de ofender Ana Júlia na minha frente. Puxei seu celular e voltei a me sentar à frente de Makyson, pegando meu notebook e me ajeitando confortavelmente na cadeira. Asimov iria responder, mas logo a porta foi aberta, e a julgar pela expressão tranquila de Makyson, sabia quem era. — Vem — Ariel disse. — Meu irmão não vai ficar afundado na cachaça. Anda, Felipe, eu tô grávida e, segundo o cara ali — vi Makyson erguer a sobrancelha —, não posso pegar coisas pesadas. — Ariel... — Felipe alertou, e a morena estalou a língua. — Anda! Eu fiz uma panela de chocolate e quero passar um tempo com meu irmão! Anda! — Acho que Felipe se deu por vencido, pois logo ouvi a porta bater, restando apenas eu e Makyson. — Preciso do notebook e do tablet — disse, começando a acessar as informações do seu celular. — Já estou te mandando a cópia das conversas com Victor. — Como acessou tão rápido!? — ele perguntou, e olhei para ele por cima dos olhos. — Você gosta dela. — Claro que não — respondi, voltando a mexer nos dados. — Seu olhar fica mais sombrio toda vez que falamos dela em tom ameaçador — ele respondeu, logo parando de me encarar enquanto mexia na gaveta da sua mesa. — Quase coloquei fogo em uma casa pela Ariel. Sei do que estou dizendo; se sente capaz de dar um tiro em mim por ela. — O encarei, sentindo meu coração acelerar, enquanto ele me entregava os aparelhos que faltavam. — Você a ama. Se ela for traidora, por você deixou ela escapar e nunca mais pisar na Rússia. Se não, espero que não a perca por teimosia e medo de admitir pra si mesmo que a ama. — Ela é minha irmã, eu só perdi o controle. Não vai acontecer outra vez. — Como bem quiser falar — ele deu de ombros e voltou a encarar o celular. — Preciso fazer uma ligação, licença.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR