POV de Cadênce
As mulheres começam a adentrar o salão, e percebo o olhar de Brian. A tensão em seu corpo é palpável, como se ele não conseguisse acreditar no que estava vendo. Ele a encontrou. E pelo jeito que olha para ela, o meu coração se despedaça, ele nunca me olhou assim. Sinto o peso da dor apertar o peito. Desvio o olhar e vejo minha mãe, alheia a tudo, distraída enquanto arruma as flores à sua frente. Não percebe o que está acontecendo ao seu redor.
— Mamãe, viu isso? — minha voz falha, quase um sussurro, enquanto as lágrimas já queimam meu rosto. — É ela… a companheira do Brian. Você me disse que isso nunca aconteceria. O que eu faço agora?
Minha mãe levanta os olhos, mas não parece se chocar. Ao contrário, ela sorri, um sorriso sombrio, como se fosse apenas mais uma situação a ser resolvida.
— Não se preocupe, minha filha, eu resolvo isso para você. — Ela diz com a confiança de quem controla tudo.
Mas eu não consigo me acalmar. Olho novamente para Brian e, como uma lâmina afiada, vejo-o beijando aquela mulher. Uma dor lancinante toma conta de mim. Com um impulso, puxo a blusa dele, mas ele não me corresponde, não me vê. A raiva, a angústia explodem dentro de mim e eu grito, sem mais controle sobre as minhas emoções.
— NÃO! Isso está errado! Eu sou a predestinada do Brian! Eu sou a futura Luna dessa matilha! A deusa da lua errou! — Minhas palavras saem rasgadas de um grito profundo e desesperado. Esperei por tanto tempo, e agora essa… essa cozinheira ousa tirá-lo de mim? Não, isso não vai acontecer.
O olhar do Alfa Robert é como fogo, apenas exige que eu me comporte ou saia do salão. E é então que, como um sussurro frio em meu ouvido, minha mãe me fala:
— Não se preocupe, eu sei resolver isso.
Com um impulso de raiva e dor, saio do salão sem olhar para trás.
O caminho de volta para casa é silencioso, e o peso daquilo tudo não me deixa respirar. Vivemos na casa principal da aldeia, mas longe da parte mais nobre, onde os maiores quartos ficam. Vou para o meu quarto e me jogo na cama, lágrimas de raiva inundam meu rosto.
— Mãe, nossa chance de mudar de vida… acabou! — a frustração me consome.
Ela se aproxima de mim e, com a calma imperturbável de sempre, passa a mão em minha cabeça.
— Não se preocupe, minha filha. Eu não sacrifiquei um filho por nada. Você será a Luna dessa alcateia, e nada vai mudar isso. Agora, vá tomar um banho quente e durma. Amanhã tudo estará resolvido.
Quando penso em ter que voltar à boate da minha mãe, um peso insuportável se abate sobre mim. Sinto uma dor tão profunda que me consome, uma doença no peito que parece não ter cura. E o choro… o choro é como um rio interminável, mais forte, mais desesperado, sempre que lembro dos momentos que passei, daqueles corpos, daqueles homens… os peões. Não por minha escolha, mas porque minha mãe me forçou. Como pude ser subjugada assim? Como pude ser tratada dessa maneira, pela mulher que deveria me proteger? Não consigo mais entender, será que realmente sou filha dela? Como uma mãe pode fazer isso com sua própria filha?
E me pergunto, perdida, se algum dia vou encontrar o homem que poderia me salvar, que poderia mudar minha vida… Meu companheiro. Será que ele existe? Eu não tenho esperanças, mas no fundo, minha alma ainda clama por esse amor que me parece tão distante, tão inalcançável.
Se eu nunca tivesse me deitado com os amigos de Brian… se eu nunca tivesse cedido às ameaças deles, à chantagem c***l que me forçava a ser o que eu não sou. Eles prometeram denunciar-me ao alfa, e a partir daí, tudo se quebrou. Tudo se tornou um pesadelo, uma espiral sem fim. Minha mão é forte, mas não o suficiente para enfrentar dois guardas principais. Eu não tinha forças. E, assim, fui arrastada para o abismo, mais uma vez.
Cada passo que dou, sinto o peso do passado, e minha alma se despedaça aos poucos. O que resta de mim?
Minhas forças se esvaem. O calor da água no banho não alivia a dor. Mas, ainda assim, tento descansar. Choro até o sono me consumir, com o desejo ardente de não precisar mais voltar à casa noturna da mamãe.