POV de Brian
Vejo meu pai se afastando lentamente, e um turbilhão de pensamentos invade minha mente. Não consigo compreender completamente as palavras que ele disse, mas uma coisa é certa: pela primeira vez, vou finalmente assistir ao festival. Todos falam sobre a maravilha que é, sobre a magia que envolve o evento, mas, até então, nunca tive a chance de vivê-lo. Sempre estive ao lado do meu pai, em viagens urgentes, resolvendo questões da alcateia, ausente do que poderia ser um momento único.
Continuo sentado no balanço, completamente imerso no tempo que escorre sem que eu perceba. Quando finalmente tomo consciência, já é noite. Olho para o relógio, e o coração acelera ao ver que são quase 22 horas. A cerimônia das mulheres acontece à meia-noite, então é hora de me preparar para o que está por vir. O pensamento me invade: preciso estar à altura dessa noite tão importante.
Ao entrar no meu quarto, encontro o traje preparado para mim: um manto real, vermelho como o fogo, com detalhes dourados e branco imaculado. Uma coroa pequena, que brilha sob a luz suave, repousa sobre a cama. Após um banho quente, onde a água parece me purificar, e a barba devidamente aparada, visto-me com um toque cuidadoso. Quando coloco a coroa sobre minha cabeça, um leve peso se faz presente, como se o destino finalmente estivesse me chamando, e a responsabilidade de um futuro desconhecido se impusesse sobre mim.
Ao chegar ao salão, vejo que o espaço já está repleto de pessoas. Cada rosto parece resplandecer sob a luz cintilante, mas é impossível ignorar a sensação de que algo grandioso está prestes a acontecer. Cumprimento a todos com um sorriso, mas minha mente só tem olhos para a mesa onde se sentam os alfas, gamas e betas. Cadênce e sua mãe, mesmo sendo ômegas, que ajudaram minha mãe, também estão ali, como sinal da gratidão de meu pai.
— Boa noite a todos — minha voz ecoa suavemente, enquanto me acomodo ao lado esquerdo de meu pai. — Fico feliz que tenha vindo, filho.
Cadênce se aproxima e, sem aviso, me beija na bochecha. Uma sensação de repulsa invade meu peito, um lembrete do que aconteceu entre nós. Nunca mais seremos os mesmos depois da traição que, como uma sombra, ainda me persegue.
Meu pai inicia uma conversa sobre o significado do festival, mas minha mente está distante, perdida em um turbilhão de sentimentos. E então, como se o destino tivesse escolhido aquele momento exato para me capturar, a porta principal se abre com um estrondo suave, e um perfume doce e inebriante de chocolate com morango preenche o ar. Meus sentidos ficam embriagados pela fragrância, e minha mente se perde, incapaz de pensar em outra coisa.
As mulheres da alcateia entram no salão, com os olhos vendados, criando uma atmosfera de mistério e desejo. E, em meio a tantas figuras, é ela quem chama minha atenção. Mesmo com os olhos cobertos, sei que ela é única. Seus cabelos vermelhos como o fogo, com uma mecha branca que a torna ainda mais fascinante, exalam uma beleza tão pura que me deixa sem fôlego. Seus lábios cor de rosa, desenhados como um convite, parecem chamar por mim. Sinto uma paralisação em meu ser, incapaz de desviar o olhar, como se ela fosse a única coisa real naquele momento.
Quando o ritual começa, meu coração acelera ao vê-la caminhar em direção à nossa mesa. E então, com uma clareza que me atravessa como um raio, eu sei: é ela. É minha companheira predestinada. Olho para meu pai, e, sem conseguir esconder o sorriso que nasce em meu rosto, vejo que ele acena discretamente, como se me aprovasse, como se soubesse que o destino finalmente se revelou.
Ela para diante de mim, e o ar parece pesar com sua presença. O perfume que emana dela é intoxicante, como um feitiço que me envolve. Nunca senti nada assim antes. Só de olhar para ela, uma alegria desconhecida invade meu peito, e algo em mim se acende, como se estivesse finalmente em casa. Ela faz uma reverência delicada, e, com uma voz suave e encantadora, diz:
— Eu, Yani Evans, pergunto a você, me aceita como sua companheira e predestinada?
E, naquele momento, o mundo inteiro desaparece. Só existe ela.
Ao ouvir sua pergunta, uma onda de emoção toma conta de mim, e não consigo mais controlar o que sinto. Levanto as mãos, tocando suavemente seu rosto, e meus dedos deslizam por sua pele, sentindo o calor e a suavidade que parecem eletrificar meu corpo. Quando nossas peles se tocam, uma descarga de energia me atravessa, algo tão intenso que quase me tira o fôlego. Sem pensar, puxo-a para mim, e nossos lábios se encontram com uma urgência avassaladora. Nossas línguas se entrelaçam, nossos corpos se encaixam de uma maneira tão perfeita que parece que o universo se alinha apenas para nós. A sensação é indescritível, como se finalmente estivesse em casa. Sinto um puxão nas minhas costas, vindo da roupa, mas não me importo.
Com a voz cheia de certeza, digo, sem hesitar, com uma paixão que nunca soubera existir:
— Sim! Eu aceito você, Yani Evans, como minha companheira e predestinada!
Minhas palavras estão repletas de uma felicidade imensa, uma alegria pura que transborda de mim. Agora entendo, com clareza absoluta, o que meu pai quis dizer quando me falou sobre a intensidade desse momento. Sou imensamente grato por ele ter mencionado algo tão grandioso. Ao pensar em puxá-la para outro beijo, algo interrompe meu pensamento. Um grito estridente invade todo o salão, e todos os olhares se voltam para a fonte do som. É Cadênce.
— Não! Isso está errado! Eu sou a predestinada do Brian! Eu sou a futura luna dessa matilha! A deusa da lua está errada! — Ela grita, com lágrimas furiosas nos olhos.
Olho para meu pai, buscando apoio, sem querer que um escândalo contamine este dia tão especial. Ele se ergue, com o tom autoritário de um alfa, e com firmeza ordena que ela se comporte ou saia do salão. Furiosa, com as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto, Cadênce sai, deixando um rastro de raiva e dor.
Meu olhar se volta para Yani, e uma sensação profunda toma conta de mim. É ela. Não tenho mais dúvidas. Ela é minha alma gêmea.
Saímos juntos para o jardim, de mãos dadas, e não consigo evitar um sorriso bobo de quem está completamente apaixonado. O que sinto por ela é algo que palavras jamais poderiam descrever. Sentamos no mesmo banco onde, momentos antes, eu estava, imerso na tristeza. Mas agora, o que me surpreende é a pergunta de Yani, que quebra o silêncio com um olhar de insegurança.
— Brian, você vai me aceitar mesmo? — Ela pergunta, a preocupação em seus olhos é palpável.
Eu a encaro com seriedade, não deixando espaço para dúvidas em meu tom de voz.
— Claro que sim, por que não aceitaria? Você foi escolhida pela deusa da lua para ser minha companheira, e eu não posso recusar uma decisão tão sagrada. Sou grato por ela ter me dado você, alguém tão especial. — Eu seguro sua mão com força, como um gesto de confiança, para que ela saiba que não há nenhuma hesitação no que estou dizendo.
Ela hesita, parece não acreditar completamente nas minhas palavras. A tristeza em seu olhar aumenta, e ela começa a falar de novo, sua voz tremendo.
— É que... você sabe... eu sou uma ômega. Eu trabalho, cozinho... você será o futuro rei alfa... e... você não me conhece de verdade... não sabe quem eu sou... então eu acho que...
Não deixo que ela termine. Meu lobo, Adam, sente a tensão crescer dentro de mim, inquieto com a possibilidade de rejeição de nossa companheira. E meu coração, apertado de dor, não consegue suportar ver ela assim, tão vulnerável. Sem pensar, interrompo suas palavras com um beijo apaixonado, inesperado. O toque de nossos lábios é como uma corrente elétrica que percorre meu corpo, me incendiando de desejo e amor. Nunca senti uma necessidade tão profunda de estar com alguém, de mergulhar completamente nela. Tento me controlar, mas a urgência é esmagadora.
— Não tenho intenção de deixá-la ir. Pode ter certeza disso. — Digo, com a voz firme, transmitindo toda a segurança que ela precisa ouvir, com minha testa encostada na dela.
Conversamos por horas, compartilhando nossas histórias. Ela me conta sobre a dor de perder os pais, de como era uma nerd na escola, como se tornou uma chef de cozinha, seguindo os passos de seus pais. A inteligência dela me impressiona, e eu admiro profundamente sua força. Ela amadureceu cedo demais devido à tragédia, e isso a tornou ainda mais fascinante. Conversamos sobre tudo e mais um pouco, e a noite, que parecia infinita, passa rapidamente. Quando o sol começa a nascer, nos despedimos, e ela retorna para sua casa, prometendo que, em breve, conversaremos com meus pais sobre sua mudança para a casa da matilha.
Enquanto ela se afasta, escuto sua voz suave, que me faz virar rapidamente.
— Brian... — Ela me chama, e eu a encaro, curioso.
— Tenho algo mais para lhe contar... algo sobre mim, que preciso que você saiba antes de falarmos com seus pais. — Ela diz, a seriedade em sua voz me deixando preocupado.
Com um olhar sincero e carinhoso, faço um gesto de compreensão, mostrando que ela pode confiar em mim para qualquer coisa. Beijo seus lábios, com um toque suave e cheio de promessas, e ela se afasta, desaparecendo na distância. E, enquanto ela vai, sinto que não há mais nada no mundo que eu queira, além de ser o homem ao seu lado, para sempre.