POV de Cassandra Jones
Não vou permitir que essa órfãzinha arruíne tudo o que eu construí. Tudo o que demorei anos para conquistar, com esforço, manipulação e paciência. Ela não vai tirar de mim o que é meu por direito. Fiz o filho dele se apaixonar pela minha filha, ganhei a confiança do alfa com mentiras, fingindo até ter perdido um filho que nunca existiu. Um título? Não, isso não é suficiente para mim. Eu quero mais. Quero me vincular à família dos alfas, e essa é a única chance que eu tenho. Não posso deixar que ela me escape.
Eu sei exatamente o que fazer. Sei criar uma poção que paralisa por um certo tempo, posso não bruxa, mas sou experiente, o líquido imobilizando cada movimento por um tempo. E agora, essa é a minha chance. O tempo vai ser meu aliado, e a garota... bem, ela não será mais um obstáculo. Eu preparo tudo e saio à procura de Diniz, aquele homem que faria qualquer coisa por dinheiro e uma noite de prazer. Bato na porta da sua casa, sem pressa, mas com a certeza de que ele fará o que eu quero.
- Diniz está em casa? – Minha voz ressoa pela porta, cortante. Ele abre com um semblante sonolento, como se ainda estivesse preso ao sono, mas quando me vê, um sorriso se espalha por seu rosto.
- Olá, doçura. O que você precisa? – Ele diz, a voz quente e cheia de interesse.
Eu entro sem ser convidada, minha presença exigindo atenção. Estendo a mão com um pequeno frasco, e o olhar dele se prende no vidro, curioso, mas já compreendendo o que estou pedindo. Minha voz é suave, mas cada palavra sai carregada de intenção.
- Preciso que faça algo por mim, Diniz – Eu lhe entrego o frasco, e minha mão desce lentamente até seu peitoral. – Vá até o salão de festas e coloque isso na bebida da Yani. Pode fazer isso por mim?
Ele hesita, seus olhos se estreitam em desconforto.
- Não quero me meter em encrenca...
Eu não me importo com sua hesitação. Sei que ele vai ceder. Desço minha mão até seu abdômen, e minha voz sussurra, tentadora, como uma ameaça doce.
- Se fizer isso, posso dormir aqui esta noite. O que acha?
Ele engole em seco, e, como esperado, concorda. Seus olhos brilham, querendo o que eu ofereço. Eu me viro, fazendo charme, e ele entra em casa, se arruma, pega o frasco e sai em direção ao evento.
Não demora muito e ele retorna, o semblante satisfeito, e diz, com um sorriso vitorioso:
- Está feito.
Eu o dispensaria com um simples gesto, mas a promessa que fiz não se esquece. Digo que voltarei à noite, e caminho sozinha em direção ao meu próximo destino. Preciso de mais.
Caminho até o lugar onde sei que os homens estarão, esperando para serem chamados, como cães esperando por uma refeição. Eles sabem o que acontece quando Cassandra Jones entra nesse espaço. Ninguém pode dizer não. O que acontece com aqueles que tentam... bem, todos sabem a resposta.
- Quem está disponível hoje? Preciso de dois homens com urgência. – Minha voz é autoritária, como se o ar se tornasse mais pesado ao meu redor. Eles sabem. Ninguém ousa desafiar o que estou pedindo. Como sempre, Félix e Caio se levantam, tomam um último gole de sua bebida e se aproximam de mim, cautelosos.
- O que a senhora deseja? – Perguntam, e todos já sabem que a resposta não pode ser negada.
- Preciso que deem uma lição em alguém – Minha voz é fria, sem emoções. – Ela me deve muito dinheiro e se recusa a pagar.
Félix, sempre mais perspicaz, troca um olhar com Caio, sua dúvida é evidente.
- Yani, a cozinheira, lhe deve dinheiro? – Ele pergunta, a incredulidade na voz.
Eu não perco tempo com hesitação. Ele está desafiando minha palavra, e todos sabem o que acontece quando alguém me desafia. A raiva em minha voz explode, e as palavras saem como uma ordem de execução.
- Está duvidando de mim, Félix? Isso é o que estou ouvindo? – O ar na sala se torna tenso, os homens abaixam a cabeça em respeito, medo visível em seus olhos.
- Não, senhora. Quando será o serviço? – Ele pergunta, agora sem ousar olhar nos meus olhos.
- Hoje. Quero que a sigam até a casa dela. Vocês saberão o momento certo.
Eu me afasto, sem hesitar. Não vou vacilar. A hora de agir chegou, e ninguém vai me impedir.
No meio dessa tensão, um dos clientes de minha boate clandestina quebra o silêncio. A curiosidade em sua voz é óbvia, mas suas palavras não me afetam.
- Cassandra, quando a Cadênce voltará ao trabalho? Todos nós sentimos falta dela, nenhuma outra garota faz o que ela faz, ela sabe nos satisfazer de forma surpreendente – Ele pergunta, e logo os outros se manifestam, também desejando uma resposta.
Eu encaro todos eles, minha expressão fria e impassível.
- Ela não voltará a ficar com nenhum de vocês. – Minha voz é cheia de uma ameaça silenciosa. – Tenho outros planos para ela.
Com essas palavras, deixo todos sem palavras, e sigo meu caminho. Não há mais espaço para dúvida ou arrependimento. O que eu quero, eu terei. E qualquer um que tente me parar... cairá.
Os lobisomens que encontram suas companheiras e desenvolvem uma ligação profunda com elas experimentam a dor intensa da traição caso algo aconteça entre elas e outro ser. Essa conexão é única e imutável, o que torna qualquer forma de deslealdade dolorosa para eles.
Por outro lado, lobisomens que possuem uma companheira escolhida, mas que não é a "marcada" — ou seja, não há uma conexão espiritual e imutável entre eles — têm mais liberdade em seus relacionamentos. Eles podem, então, ficar com outras mulheres sem sofrer a dor da traição, já que a relação com a companheira escolhida não é regida por essa ligação profunda, para aqueles que precisam disfarçar seu cherio após uma noite quente, é possível usar uma poção especial que oculta o cheiro característico de excitação.