Capítulo 15: Descobertas - Parte II

1455 Palavras
POV de Brian Meu pai, com a serenidade que apenas ele possuía, respondeu em um tom calmo, mas impregnado de uma tristeza profunda e uma compreensão que só a experiência poderia oferecer: – Será o que você decidir, meu filho. Após essa troca, me encontrei com aqueles dois que haviam estendido a mão para Yani – Andreson e Sueli. Seus rostos estavam marcados pelo desgaste emocional, mas havia também um alívio sombrio, o consolo de saber que Yani ainda permanecia entre nós, embora frágil como um fio prestes a se romper. Sueli, com os olhos lacrimejantes revelou, que ela era a companheira de Andreson. Estavam a caminho da casa dela para compartilhar a boa nova, mas o destino, c***l e impiedoso, os havia conduzido até a cena h******l de Yani caída, sem vida, como se zombasse de todos nós. A tragédia que presenciávamos não era uma fatalidade, mas uma c***l reviravolta da vida, uma tortura de nosso próprio sofrimento, um pesadelo do qual não deveríamos jamais ter acordado. Após a breve conversa com Yani, quando, por um momento fugaz, ela recobrou a memória, seus olhos se abriram lentamente, revelando uma fúria insuportável, um vermelho profundo que brilhava com a intensidade de um lobo prestes a ser arrancado de seu sono. Algo dentro de mim ferveu, e uma onda de calor me invadiu com uma força avassaladora. Nesse instante, a conexão entre nós se estreitou como nunca antes. Segurei sua mão com a força de alguém que não podia, nem queria, soltar. A dor que ela sentia se fez minha, atravessando-me com a agonia de uma alma dilacerada. Mas, como Alfa, essa dor não me destruiria; ela me marcava, me consumia por dentro, sem piedade. E então, tudo ficou claro. As imagens surgiram com a nitidez de um destino já traçado. Os dois homens. Não havia mais espaço para dúvidas. Eu sabia, sem qualquer sombra de incerteza, quem fora o responsável por tamanha crueldade com Yani. A vingança deixou de ser uma mera opção; tornou-se uma necessidade visceral, uma questão de honra. Levantei-me com uma determinação que ressoava em cada passo. Abri a porta do escritório e minha voz cortou o ar como lâminas afiadas: – Quero Félix e Caio no meu escritório agora. Meu beta, Alexsandro, não hesitou nem por um segundo. Ele saiu da sala rapidamente e logo retornou, acompanhado pelos dois homens. Suas expressões estavam tão pálidas quanto as sombras que os perseguiam, como se soubessem que estavam prestes a enfrentar algo que não poderiam controlar. Assumi minha posição na poltrona do Alfa, minha postura rígida, implacável, como uma rocha indestrutível diante da tempestade. Eles entraram, seus olhares carregados de um medo que transbordava, e eu os observei sem emoção, como uma fera que sabia o que precisava fazer, mas que não se apressava. – Preciso realmente explicar por que estão aqui? – Minha voz irrompeu como um trovão distante, carregada de um poder que não deixava espaço para dúvidas. A tensão na sala era palpável, e os dois homens diante de mim, encolhidos pela magnitude da minha presença, baixaram a cabeça em submissão, incapazes de suportar o peso do meu olhar. – Quem de vocês vai falar? – Minha paciência se esvaiu como areia entre os dedos, e o ar se tornou pesado, carregado de uma expectativa fria. – Porque eu já sei tudo o que preciso saber. Agora, terão a coragem de confessar a verdade de forma simples, ou preferem que eu a arranque de vocês da maneira mais dolorosa? Qual será a escolha de vocês? Caio, com os nervos à flor da pele, gaguejou, sua voz um sussurro abafado pelo medo: – Eu... eu não sabia que ela era sua companheira... Ela disse que a Yani estava lhe devendo dinheiro... pediu pra gente dar uma lição nela... A raiva que fervia em minhas veias explodiu, tomando conta de cada fibra do meu ser. Levantei-me de forma abrupta, tão repentinamente que a sala pareceu encolher diante da intensidade da minha fúria. Caminhei até Caio, cada passo meu ressoando com a força de um predador que finalmente encontra sua presa. Minhas palavras cortaram o silêncio como lâminas afiadas: – Quem é ela? Caio não respondeu, seus olhos evitando os meus com a vergonha de quem sabe que a mentira não pode mais ser escondida. Eu então virei-me para Félix, meu olhar gélido como a morte. – Cassandra... – Ele respondeu, sua voz tremendo como uma folha ao vento. – Ela pediu... Alfa, mas... eu não fiz nada... eu juro... eu... O desprezo que senti por ele foi imediato, e interrompi suas palavras com um gesto impiedoso. Levantei a palma da mão, sinalizando que sua defesa não tinha mais importância. Minha mente já estava afiada como uma lâmina, pronta para cortar através das mentiras. Olhei para Alexsandro, meu beta, com uma expressão de comando. – Traga-a aqui agora! Alexsandro, como um lobo leal, saiu rapidamente e, em questão de minutos, Cassandra entrou na sala. Quando a vi, algo primitivo despertou dentro de mim. Uma fúria incontrolável, uma sede de sangue que nunca havia me consumido daquela maneira. Cada fibra do meu ser pulsava com a necessidade de justiça. Aproximei-me dela, cada passo meu imbuído de uma energia sombria e ameaçadora. Minha voz, baixa e mortal, carregava todo o ódio que eu sentia: – Sabe por que está aqui, não sabe? – Meus olhos a perfuraram, tentando penetrar sua alma. Forcei-a a encarar minha fúria de frente. O medo em seus olhos foi um reflexo de sua alma que não conseguiu ocultar. Olhou ao redor da sala com um olhar calculista, como se o próprio ar que a envolvia estivesse condenando-a. Percebi que seus olhos se arregalarem por um momento, mas ela rapidamente assumiu uma postura de total controle, tentando esconder o pânico crescente. – Alfa, disseram que o senhor pediu minha presença. A que devo a honra? – Ela tentou disfarçar seu nervosismo, mas não havia como escapar do odor de medo que exalava dela, uma sensação tão forte que até meu pai, que estava ali em silêncio, percebeu. Ele me olhou discretamente, com um olhar de alerta. Com uma voz que não deixava margem para questionamentos, eu a desafiei, meu tom cortante e autoritário: – Conhece esses homens à sua frente? Ela novamente olhou ao redor, tentando disfarçar, mas havia algo em seu olhar que denunciava a mentira. A respiração dela se acelerou, mas ela se manteve firme, tentando manter uma fachada de calma: – Não, senhor! Não os conheço! – Sua voz, embora afirmativa, não conseguiu ocultar a tensão que corria por suas palavras. Um arrepio percorreu minha coluna, algo que eu nunca havia sentido antes. Imediatamente, pensei em Yani. Seria isso um sinal? Antes que eu pudesse me perder mais em meus próprios pensamentos, os gritos de Caio rasgaram o silêncio, como um trovão que anunciava a tempestade: – v*******a, ela está mentindo! Você pediu isso! Você nos pagou para fazer isso, nos deu poções para encobrir nossos cheiros... Cassandra virou-se rapidamente para mim, tentando manter a compostura. Sua voz tremia enquanto ela falava, mas a mentira estava estampada em seu rosto. Ela tentou negar com desespero: – Alfa, não sei do que ele está falando... Mais uma vez, o arrepio percorreu minha coluna, e então ela se virou para meu pai, dizendo com um tom de falsa confiança: – Rei Alfa, posso lhe afirmar que não os conheço... Eu não a deixei terminar. Com um movimento rápido, as minhas garras de lobo se estenderam, agarrei seu pescoço com força, levantando-a do chão, meu olhar dourado, feroz, um brilho de pura fúria. – Este assunto é comigo! Nunca ouse se dirigir a outra pessoa enquanto eu estiver questionando você! Ficou claro? O pavor estava estampado em seus olhos, ela nunca imaginaria que eu a confrontaria daquela forma. O medo se espalhou por sua pele, e todos na sala perceberam que a partida dela estava prestes a terminar. Com um rosnado, que ecoou como uma sentença definitiva, eu perguntei pela última vez: – Vou perguntar mais uma vez e não ouse mentir para mim! Foi você que armou todo esse incidente? Ela, agora completamente desesperada, com os olhos arregalados e o rosto marcado pelas lágrimas, finalmente cedeu, sua voz entrecortada pelo choro: – Sim, Alfa! Quando ouvi sua confissão, uma onda de raiva me consumiu, e sem pensar, a joguei ao chão com uma violência gelada, sem misericórdia. Minha voz soou como um eco de condenação, cortando o ar pesado da sala: – Você não terá misericórdia! Levem os três para as masmorras e aguardam minhas ordens. Olho para Alexsandro com sinal para me seguir e saio do escritório. O que viria a seguir seria o julgamento que ela jamais esqueceria.
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