Capítulo 14: Descoberta - Parte 1

1621 Palavras
POV de Brian: Eu conversava com meus pais, os olhos brilhando com uma intensidade que jamais imaginara sentir. Cada palavra que eu falava sobre ela parecia uma adoração silenciosa, uma reverência por alguém que transcendia tudo o que eu conhecia. Eu a descrevia como única, maravilhosa, como uma força da natureza que tocava a minha alma de maneira profunda e inexplicável. Cada frase que saía da minha boca apenas ampliava a fascinação deles, como se a luz que eu via nela estivesse refletindo diretamente nos olhos deles. Meu pai, entretanto, após me ouvir com atenção, parecia mudar. Sua expressão, antes suave e acolhedora, se fechou. Um silêncio pesado e carregado preencheu o ar, como se o mundo inteiro estivesse prendendo a respiração. Ele me olhou com uma intensidade rara, e a seriedade em seu olhar me inquietou profundamente. – Filho, você tem certeza de que é ela? – sua voz estava carregada de um peso indescritível, algo que não era comum nele. Ele fez uma pausa longa, quase como se estivesse ponderando suas palavras com um cuidado agonizante. – Nada do que eu disser vai fazer você mudar de opinião? As palavras que saíam da boca dele, normalmente tão plenas de amor e confiança, agora soavam como um lamento, como se ele soubesse de algo que eu ainda não compreendia. Havia uma dor oculta, uma sombra que ele tentava esconder, mas que eu podia sentir, pulsando no ar entre nós. Eu, sem hesitar, sem pensar no quanto aquelas palavras poderiam pesar em meu coração, apenas confirmei com toda a força da minha certeza: – Sim, pai! Eu posso sentir que é ela! Preciso dela comigo para me manter forte, para não sucumbir ao vazio que me consome quando não estou ao seu lado. Meu pai, que sempre foi a rocha sólida sobre a qual eu me apoiava, deu um sorriso, um sorriso que tinha algo de melancólico, quase como se ele já soubesse que eu estava prestes a caminhar por um caminho sem volta. Ele suspirou, e seu tom, que costumava ser tão leve, agora soou com um pesar profundo: – Ela é mestiça, meu filho... – Ele fez uma pausa, como se suas palavras pesassem mais do que qualquer explicação simples poderia carregar. Enquanto falava, meu pai me contou sobre os tempos em que ele ajudou a avó dela, uma mulher de olhar feroz e alma implacável. Ele falou dela como uma sombra imponente, alguém que jamais escondeu sua verdadeira natureza. Mas, mesmo diante disso, ele não hesitou. Ajudou-a, estendeu a mão a uma mulher que parecia carregar o peso de um mundo inteiro sobre seus ombros. Meu pai, com sua bondade silenciosa, não deixou que nada o fizesse desistir. Eu, com um nó na garganta e um suspiro quase reverente, respondi: – Pai... Eu acredito que a deusa da lua está retribuindo o seu coração puro. Ela me entregou uma companheira forte, com dons especiais, para que as futuras gerações sejam mais poderosas, mais resistentes. Eu espero, do fundo do meu ser, me tornar um Rei Alfa, tão generoso e sábio quanto o senhor... E que ela, Yani, possa se tornar uma luna maravilhosa, bondosa como a mamãe, cheia de luz e de amor. Ele sorriu, e aquele sorriso, embora simples, foi o único raio de luz que conseguiu atravessar as sombras que se formavam no meu peito. Era um sorriso cheio de orgulho, de algo mais profundo do que palavras poderiam expressar. – Esse é o meu garoto – ele disse, sua voz carregada de satisfação, mas também de uma tristeza não dita, como se ele soubesse que eu estava prestes a embarcar em uma jornada que não teria retorno. Mas, como se o destino tivesse decidido interromper aquele momento de paz, a dor invadiu meu corpo de forma abrupta e c***l. Uma dor lancinante e intensa, algo profundo, que se irradiava pelas minhas costelas, como se o próprio céu tivesse desabado sobre mim. A dor se espalhou em ondas, uma a seguir a outra, e logo percebi que ela não era minha. Algo havia acontecido com Yani. Ela estava em sofrimento, e o mundo ao meu redor se distorceu enquanto eu sentia o peso da angústia apertando meu peito. – Pai! – A voz me falhou por um instante, mas quando consegui falar, foi com uma urgência desesperada. – É a Yani! Algo está acontecendo com ela! Precisamos encontrá-la agora! Minhas palavras saíram em um grito silencioso, cortando o ar, e a raiva começou a consumir tudo dentro de mim. Minha mente se encheu de uma única verdade: quem quer que tivesse feito isso com ela, quem quer que a tivesse machucado, pagaria por cada segundo de dor que ela estava sentindo. Não haveria perdão. Não haveria misericórdia. Olhei para meu pai, meu rosto marcado pela fúria e pela ansiedade, e ele, sem dizer uma palavra, sabia exatamente o que eu estava sentindo. Ele também sentia o peso daquilo. Ele apenas assentiu, como se soubesse que não havia mais nada a ser dito. A decisão estava tomada, e a caça havia começado. Corremos pela noite escura, o som de nossos passos ecoando no vazio enquanto a tensão apertava meu peito como uma mão fria. O vento cortava a pele e, apesar da urgência, o mundo parecia estar em câmera lenta. O desespero me consumia, e a cada segundo que passava, eu temia pelo destino de Yani. Ela estava em perigo, e eu não sabia o quanto de tempo tinha para salvá-la. Finalmente, encontramos alguém. Um homem da fazenda. Não me recordo do seu nome, mas ele estava lá, com Yani em seus braços, inconsciente. Ela parecia tão frágil, seu corpo esticado e sem vida como um fardo. Uma raiva selvagem se apoderou de mim, mas algo mais profundo e insidioso se enroscou na minha mente. Meu lobo, furioso, rosnava, seu ciúmes feroz pelo fato de ver Yani nos braços de outro, mesmo que este estivesse tentando ajudá-la. Mas eu empurrei aquele sentimento para o fundo da minha mente, ignorando-o, ignorando tudo que não fosse salvar a mulher que amava. Ao lado dele, uma mulher. Lembrei dela do festival. Ela estava ali, e sua presença era uma distração insuportável. O homem olhou para mim, seus olhos carregados de preocupação e medo. Sua voz tremia quando ele começou a falar: – Alfa... – Ele fez uma pausa, como se cada palavra fosse pesada demais para sair de sua boca. – Nós a encontramos assim... desmaiada no chão, quase sem vida... Eu a peguei rapidamente e estava a caminho do hospital da alcateia, na esperança de que ainda houvesse algo que pudéssemos fazer. Com um movimento brusco, ele me entregou Yani. Senti o peso de seu corpo, e o calor que ainda restava em sua pele parecia cada vez mais fraco, como uma vela prestes a se apagar. Eu a segurei com o cuidado de um homem que sabia que a vida dela estava prestes a desaparecer. Quando olhei para ela, algo dentro de mim se partiu. Yani não merecia isso. Ninguém merecia. Correndo em direção ao hospital da alcateia, o tempo se estendeu de forma angustiante. Eu sabia que todos já estavam me esperando, pois havia comunicado a todos através do elo mental, mas isso não diminuía a angústia que se aninhava em meu peito. Quando finalmente chegamos, as portas do hospital estavam abertas e a equipe estava preparada. Com pressa, colocamos Yani na maca. Eu não consegui deixar de olhar para ela, seu rosto pálido, os olhos fechados, como se o próprio espírito dela estivesse prestes a se separar de seu corpo. O médico, um homem sério e experiente, se aproximou rapidamente. Sua expressão era sombria, sem espaço para dúvidas ou hesitações. Ele olhou para mim com os olhos firmes, sem desviar o olhar. – Alfa, preciso que me dê espaço para que eu possa trabalhar – ele disse, sua voz grave. Não havia apelo em suas palavras, só o comando de quem sabia o que fazia. Eu acenei com a cabeça, me afastando um pouco, mas nunca desviando os olhos de Yani. Eles a conectaram a uma máscara de oxigênio, a respiração dela estava fraca e ofegante. O som de cada respiração parecia um milagre, mas ainda assim, uma sentença de incerteza. Um acesso venoso foi colocado em seu braço, administrando soro e medicações. O cheiro de antissepsia tomou conta do ambiente, e eu me vi em um estado entre a raiva e a impotência, incapaz de fazer mais do que observar. A tensão aumentava a cada segundo que passava. A equipe médica trabalhava com uma agilidade que, embora eficiente, não diminuía a dor no fundo da minha alma. O coração de Yani batia devagar, tão devagar que era quase impossível ouvir. Eu senti o peso do tempo, como se cada segundo fosse uma eternidade, e a angústia me consumia. Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, o médico se virou para mim e meus pais, e disse com uma voz carregada de gravidade: – Ela precisa se transformar, se não, não vai resistir. Pelo que percebi, ela nunca se transformou. Se ela não fosse uma lobisomem, já estaria morta. A raiva dentro de mim era como um incêndio, e eu senti os instintos de Adam queimando por dentro, prontos para assumir o controle. Mas, com uma força que eu não sabia que possuía, eu os segurei, lutando para manter minha humanidade intacta. O médico continuou: – Por enquanto, vamos aguardar até que ela acorde. Eu olhei para meu pai. Ele estava tão sério quanto eu, a tristeza nos olhos dele era profunda, mas não havia espaço para hesitação. Eu disse, minha voz carregada de ódio e dor: – Ninguém, absolutamente ninguém, terá misericórdia. Todos vão pagar...
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