Capítulo 16: Castigo

1293 Palavras
POV Brian Ao entrar no hospital, meus olhos se fixaram imediatamente nela. Ali estava minha companheira, repousando na cama, com a pele mais corada, um sinal claro de que sua vitalidade retornava com força renovada. Os hematomas que antes eram visíveis, agora se mostravam quase imperceptíveis, um milagre da natureza que não conseguia explicar. Nenhum acesso intravenoso, o oxigênio havia sido retirado. Era impressionante o que acontecia diante de meus olhos. Ela havia se recuperado de forma surpreendente em apenas algumas horas. Sem dúvida, ela era uma força da natureza. – Alfa, eu realmente não sei como ela está fazendo isso, mas parece que está se curando sozinha... Nunca vi nada assim antes. – O médico da matilha, Roger, falou com uma mistura de espanto e admiração, claramente perplexo diante do que testemunhava. Sorri, deixando transparecer uma leve diversão no tom da minha voz. O que estava acontecendo era quase incompreensível, mas isso só reforçava a grandeza de minha parceira. – Espero que este assunto fique entre nós, Roger. – Falei com uma firmeza que mascarava a diversão, um sorriso largo se formando em meu rosto. – Ela é incrível, não é mesmo? – Sem dúvida alguma. – Ele respondeu, mais relaxado agora, ainda tentando processar o que acabara de testemunhar. Me aproximei da cama, e com um toque carinhoso, falei para ela, minha voz suave, mas firme: – Meu amor, já volto. Preciso apenas resolver uma coisa rápida. Vou jogar o lixo fora, não se preocupe, eu cuido de tudo. Pode descansar um pouco mais. Com essas palavras, me afastei lentamente, sem deixar de observar seu rosto sereno, sabendo que, ao sair dali, um peso importante estava prestes a ser decidido. Meu destino me chamava, e eu não poderia mais adiar a grande decisão que aguardava nas masmorras. Com passos firmes e decididos, eu me dirigia às masmorras, um local que, apesar de já estar familiarizado pelo uso em situações passadas, agora parecia ainda mais pesado, carregado com a gravidade do momento. Cada passo ecoava com a certeza de que a verdade, implacável e c***l, precisaria ser arrancada de todos, sem exceção. A matilha, por mais que fosse um lar para muitos, também tinha suas sombras – e essas sombras precisavam ser enfrentadas. A distância que sempre mantive entre mim e os outros membros da matilha, especialmente após os recentes eventos, parecia finalmente fazer sentido. Não era apenas uma questão de segurança ou prudência; era uma necessidade estratégica. Eu sabia o que precisava ser feito. Já havíamos recorrido a esses métodos com outros traidores, aqueles que, como ratos, haviam tentado roubar de nós o que mais prezávamos. Agora, Cassandra, Caio e Félix, com seus rostos apavorados, estavam prestes a sentir o peso da mesma justiça implacável que tantos antes deles haviam sentido. Nenhum de nós estava acima da lei da matilha, e a hora da verdade finalmente havia chegado. Eles não seriam tratados com indulgência. Quando cheguei às masmorras, o dois dos três prisioneiros estavam visivelmente abalados, tremendo, com os olhos marejados de medo. Exceto Félix, que afirmava ter sido vítima de uma armação. O ambiente era carregado, denso, como um presságio de que nada de bom sairia dali. Alexsandro, como sempre, permanecia ao meu lado, vigilante, seus olhos afiados observando cada movimento, cada suspiro. Ele era implacável, sem piedade, e sua presença fazia o ar ao nosso redor parecer mais denso, como se ele fosse uma extensão de minha própria vontade. "Não falaram nada ainda", disse Alexsandro, sua voz suave, mas com um toque de diversão c***l. "Se desejar, posso fazê-los falar. Sei exatamente como fazer com que revelem tudo." Ele disse isso com um sorriso diabólico, que revelava seu prazer sádico na tortura mental. Alexsandro era o melhor, um beta digno de confiança, mas não havia ilusões em seu coração. Ele sabia muito bem o que a lealdade à matilha exigia. Com um aceno de cabeça, entrei na cela de Félix, observando-o com um olhar gelado, carregado de promessas não ditas. O medo dele era palpável, mas ele não ousava desviar os olhos. Meus dedos, agora tensos e implacáveis, pousaram sobre a grade de ferro que separava nossos mundos. "O que tem a me dizer?" Perguntei, minha voz cortante, como uma lâmina. "Não venha me pedir clemência, porque saiba de antemão que sua súplica já foi negada." Félix parecia mais fraco sob meu olhar, a desesperança estampada em seu rosto. Ele engoliu em seco antes de falar, sua voz vacilante. "Alfa, eu só cumpri ordens de Cassandra. Ela disse que Yani estava lhe devendo dinheiro, não sabíamos que ela era sua companheira. Estávamos na boate dela... não participamos do festival naquela noite." Eu o encarei com mais intensidade. "Que boate?" Ele hesitou antes de responder. "Ela tem uma boate... locais onde os lobos solteiros e até os comprometidos vão." "Como lobos comprometidos podem frequentar boates e ainda carregar a dor da traição?", perguntei, minha voz cheia de incredulidade e fúria crescente. Félix desviou os olhos, sem saber como justificar o que parecia impossível. Mas logo ele explicou, com uma ponta de desespero, mesmo assim se mantendo firme: "Cassandra... ela faz uma poção... uma poção que inibe a dor e faz com que o cheiro das outras lobas desapareça. Isso faz com que ninguém perceba... ela consegue esconder a traição." Olhei para Cassandra, que estava ali, em um canto, tentando parecer indiferente, mas seus olhos traíam seu nervosismo. Eu não sabia como, mas algo dentro de mim, uma intuição afiada, me dizia que ela sabia muito mais do que estava deixando transparecer. "Você... uma bruxa?", perguntei, meu tom autoritário transparecendo em cada palavra. Ela engoliu em seco, com os lábios tremendo. "Não, senhor... Eu apenas aprendi alguns truques ao longo da vida... nada demais..." A tensão no ar estava quase insuportável, o peso da verdade ainda não revelada me esmagando. "Cadênce sabe sobre isso?" perguntei, fixando os olhos em Félix. Ele era o mais cauteloso, o mais desconfiado, eu tinha a sensação de que, se alguém me diria tudo, seria ele. "Não, senhor", respondeu ele, sua voz um pouco mais firme. "Ela começou a trabalhar na boate com apenas 15 anos... até hoje, ela acha que são apenas chás que inibem o cheiro. Ela não sabe sobre as poções." Essas palavras, como lâminas afiadas, cortaram o ar ao redor de todos nós. A mentira, a traição, o jogo sujo... eu sentia que estava apenas começando a entender o quão profundo tudo isso realmente ia. E agora, Cassandra e seus cúmplices estavam prestes a pagar o preço por suas ações. "Abra a cela", ordeno ao meu beta, cuja obediência é imediata. As celas de titânio, fortalezas inquebráveis, resistem até mesmo ao fúrio de um lobo poderoso. "Algo a me dizer?" A prisioneira me lança um objeto que atinge meu rosto, deixando meus olhos turvos e lacrimejantes. Mas não me detenho. Com um movimento rápido e mortal, agarro-a pelo pescoço, apertando com força suficiente para ouvir o estalar de seus ossos e ver seus olhos saltarem das órbitas. Ela está morta. Mesmo com a visão embaçada, meu olhar se volta para Félix. "Você me será útil um dia", declaro, minha voz dura e autoritária. "Te pouparei por enquanto. Permanecerás aqui até que eu decida que é hora de sair. Não ouse se rebelar contra mim!" Félix acena com a cabeça, submisso. Meu olhar se volta para o meu beta. "Pode m***r o outro como quiser", ordeno. "Que sinta a mesma dor que Yani sentiu." Ao sair das masmorras, ouço os gritos de Caio. Um sorriso de satisfação se espalha pelo meu rosto. Meu beta nunca me decepciona. Com os olhos ainda embaçados, chego para visitar minha amada. Abro a porta e a vejo, mesmo com olha embaçados a reconheço, como isso é possível?
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