Capítulo 8: Companheiro

1013 Palavras
POV de Yani Neste ano, somos apenas oito mulheres, um número bem menor do que o do festival passado, quando éramos quinze. A maioria das minhas irmãs de matilha já encontrou seu companheiro, mas eu, Sueli e outras três ainda seguimos na espera. Este é o segundo ano em que participo deste ritual sagrado, e minha loba Ivy, com firmeza e sabedoria, sussurra em minha cabeça que este será, finalmente, o nosso ano. Eu sinto isso no fundo do meu ser e espero de todo o coração que seja verdade, principalmente porque o homem que desejo ao meu lado é Andresson, o irmão da minha melhor amiga. Nos últimos tempos, estive tão imersa nos treinos, buscando a força necessária para fazer justiça aos meus pais, que minha vida amorosa ficou em segundo plano. Mas, a bênção de ter um companheiro, algo dado pela própria deusa, não posso recusar. Andresson é tudo o que eu desejo. Ele é belo, alto, com uma pele morena e cabelos castanhos claros que caem suavemente sobre os ombros, como se a própria natureza os tivesse moldado para ele. Seus braços são poderosos, musculosos e firmes, o reflexo de uma vida de dedicação ao cuidado do gado e dos cavalos da fazenda. Ele é um ômega, assim como eu, e a conexão entre nós sempre foi natural, desde o primeiro olhar. Já nos beijamos uma vez, e aquele beijo foi indescritível, mas nada mais aconteceu. Como eu gostaria que ele fosse o meu companheiro. Ao me observar no espelho, vejo uma mulher diferente daquela que costumava ser. Meu cabelo, agora solto e ondulado, é de um vermelho vibrante, com uma única mecha branca que desce até minha cintura, tocando meu bumbum. Normalmente, o uso de touca no trabalho impede que ele fique livre, mas hoje, ele está solto, e a maquiagem suave, apenas destacando minha beleza natural, é complementada por um batom discreto, mas sensual. Ao olhar ao redor, percebo que todas as outras mulheres também estão deslumbrantes, radiantes, prontas para o grande momento. A ansiedade cresce em meu peito, enquanto, pela pequena a******a da porta, vejo o salão repleto de olhares ávidos e curiosos. O Rei Alfa, Robert Miller, com sua presença marcante e imponente, faz um breve discurso, relembrando a origem do festival e compartilhando seu desejo de que todas nós encontremos a mesma felicidade que ele tem ao lado de sua companheira. A governanta nos guia, com um toque suave, orientando-nos a formar uma fila, e nos entrega a tradicional faixa preta para cobrir nossos olhos. À medida que adentro o salão, uma sensação estranha me envolve, como se o frescor da brisa do mar ao entardecer invadisse o ambiente, perfumando-o de maneira única. Ignoro os outros aromas que flutuam no ar, pois, esse é o que destaca. Com os olhos cobertos, sigo em frente, sem saber exatamente para onde vou, mas guiada pelas orientações da governanta. O ambiente começa a se distorcer ao meu redor, mas a brisa do mar se torna mais intensa e mais viva, preenchendo todo o meu ser. Sigo, sem hesitar, como se estivesse sendo guiada por algo maior. De repente, paro. Sinto uma certeza indescritível de que estou diante de alguém importante. Uma reverência natural me faz ajoelhar-me, e mesmo sem poder ver seu rosto, ouso questioná-lo, minha voz trêmula e ansiosa: — Eu, Yani Evans, pergunto a você, me aceita como sua companheira e predestinada? Sua resposta vem com uma segurança inconfundível, como se já me conhecesse desde sempre, como se nossa ligação fosse eternamente predestinada. Ele, com um toque suave, mas firme, de suas mãos em meu rosto e nuca, me puxa para um beijo profundo e apaixonado, onde nossos corpos se encaixam com a perfeição de duas almas entrelaçadas. O calor que sinto é arrebatador, e fico por um longo momento completamente imersa na intensidade do seu toque. Quando ele se afasta, a distância entre nós é quase insuportável, mas é como se, por um breve instante, o mundo inteiro tivesse desaparecido, deixando apenas nós dois naquele espaço. Sem mais ninguém, sem mais nada. Eu ouço sua voz, grave e serena, sussurrar: — Sim, eu aceito você, Yani Evans, como minha companheira predestinada! Quase não consigo conter a emoção que me invade, mas, com uma mão no peito, dou um leve sorriso de surpresa ao ouvir seu nome. Antes que eu possa reagir, ele segura minha mão com firmeza, como um gesto silencioso de que tudo está bem. De repente, um grito ecoa pelo salão, e a voz de Cadênce, carregada de raiva, rasga o silêncio. — Não! Isso está errado! Eu sou a predestinada do Brian! Eu sou a futura luna dessa matilha! A deusa da lua está errada! Sua voz ressoa com um desespero que reverbera por todo o salão. A resposta do Rei Alfa, firme e autoritária, ecoa em seguida: — Cadênce, meu filho tem o direito de escolher. Controle-se ou saia do salão! Vamos dar seguimento ao festival. Meninas, podem tirar a venda e revelar o rosto do seu companheiro. Com um gesto sutil, retiro a faixa dos olhos, e, ao olhar para BrianMiller, futuro alfa da nossa matilha, meu coração quase para. Seu cabelo loiro, perfeitamente penteado, seus olhos azuis como o mar, e sua barba fina que torna seu rosto ainda mais atraente... Ele sorri suavemente e, com um olhar intenso, me diz: — Aceita dançar comigo, minha companheira? Com a tradição do festival em mente, todos que encontram seus pares se entregam à primeira dança. Quando a música finalmente se cala, um calafrio percorre minha espinha, e uma voz sussurra em minha mente: — Eles estão vindo! Minha loba, instintivamente, fala comigo: — Precisamos ficar atentas, precisamos tentar nos transformar novamente, precisamos estar preparadas! Brian me puxa para mais perto, com um sorriso sincero e afetuoso. — Ei, terra chamando, — ele diz, com uma leve risada — vamos dar um passeio? Quero te conhecer melhor, saber tudo sobre você... E assim, saímos juntos, distantes do salão, em busca de algo mais profundo, algo que só a noite poderia revelar.
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