Episódio 35

1483 Palavras
Continuando o encontro... Estávamos frente a frente, sentados na varanda do restaurante luxuoso. As luzes da cidade brilhavam ao nosso redor, criando um ambiente que parecia saído de um filme romântico. Uma brisa suave movia ocasionalmente o meu cabelo, e eu tentava com todas as minhas forças controlar os nervos que me corroíam por dentro. Julian pegou a carta de vinhos que o garçom havia deixado sobre a mesa e me olhou com aqueles olhos cinzas que pareciam penetrar até a alma. — Você bebe vinho? Ele perguntou com aquele tom sedutor, aquela voz rouca que me tinha completamente enfeitiçada. — Não bebo álcool. Respondi com sinceridade, temendo que a minha resposta o decepcionasse. Para minha surpresa, Julian sorriu de lado, com uma expressão que não soube interpretar. Arqueei uma sobrancelha, intrigada. — Aconteceu alguma coisa? Perguntei, enquanto os nossos olhares se encontravam no meio da mesa. — No clube... Começou Julian, e entendi rapidamente a que ele se referia. — A vodka não era para mim, era para a minha amiga. Esclareci rapidamente. — Eu não, não bebo. Vi como a sua expressão se suavizou enquanto ele assentia. Deixou a carta de vinhos de lado e pediu água mineral para ambos quando o garçom retornou. Um silêncio instalou-se entre nós, mas não era desconfortável. — Posso te fazer uma pergunta? Atrevi-me a quebrar o silêncio. — Tudo o que você quiser. Respondeu sem parar de me olhar com aquela intensidade que me fazia sentir como se eu fosse a única mulher do mundo. Os seus olhos, aqueles lindos olhos que contrastavam com o seu cabelo escuro, me deixavam sem fôlego. Como poderia este homem, este poderoso CEO que comandava um império, estar aqui comigo, olhando para mim assim? — Por que eu? O que eu tenho de especial? A pergunta escapou dos meus lábios, mas essa pergunta me corroía por dentro. Julian sorriu levemente. — Não precisa haver um porquê, simplesmente gosto de você. Respondeu direto, sem rodeios. Senti o calor subir às minhas bochechas e abaixei o olhar, incapaz de sustentar a intensidade do dele. A sua honestidade me desarmava. — É estranho que um homem como você goste de uma latina. Continuei, dando voz às minhas inseguranças. — Tendo milhares de americanas bonitas e de boa família. Julian continuava a olhar fixamente para mim, como se estivesse tentando decifrar algo no meu rosto. — As americanas são chatas. Ele brincou, e senti que derretia um pouco mais. Nunca estive na presença de um homem como ele. Não só pelo seu poder ou pelo seu dinheiro, mas por aquela aura de segurança, aquela maneira de me olhar como se pudesse ver partes de mim que nem eu mesma conhecia. Como se quisesse me desnudar com o pensamento. — Quero te conhecer. Declarou com firmeza. — Você deseja o mesmo, Maria José, ou não tem nenhum interesse em mim? A sua pergunta era direta, vulnerável na sua simplicidade. Não estava acostumada a esse tipo de franqueza. Na minha experiência, os homens costumavam jogar, insinuar, nunca ir direto ao ponto. Baixei o olhar, mordendo o lábio inferior enquanto considerava a minha resposta. Quando voltei a olhar para ele, decidi ser tão honesta quanto ele. — Quero saber mais sobre aquele CEO m*au e m*al-humorado que todos temem. Tentei brincar, com medo de que ele se ofendesse. Para minha surpresa, Julian soltou uma pequena risada rouca que me deu arrepios na espinha. — É isso que dizem de mim? E o que mais? Perguntou, genuinamente curioso. Ne*guei com a cabeça, mantendo o meu sorriso. — Não vai querer saber. Continuei brincando, aproveitando esse lado mais relaxado dele. — Não quero que você veja o CEO, o dono da empresa onde você trabalha. Disse, em tom mais sério. — Quero que você veja um homem comum tentando chamar a sua atenção. Suspirei, comovida por suas palavras. — É isso que eu estou fazendo. Declarei com sinceridade. Nos olhamos por longos segundos, como se o tempo tivesse parado. Havia algo naquele momento, algo indescritível, uma conexão que ia além das palavras. Uma química que eu nunca senti. O feitiço foi quebrado quando fomos interrompidos pelo garçom que trazia os nossos pratos. Eu tinha pedido salada com carne bovina, acompanhada de um molho especial. Julian tinha pedido exatamente a mesma coisa. — Surpreende-me que não tenha pedido salada e água. Brincou Julian, referindo-se ao estereótipo das mulheres em encontros que m&al comem. — Estou com fome. Respondi com simplicidade. Os seus olhos iluminaram-se e ele me deu um grande sorriso antes de balançar a cabeça num gesto de n*egação. — O quê? Aconteceu alguma coisa? Perguntei, de repente preocupada. Eu disse algo de errado? Não devia ter pedido tanta comida? A minha mente começou a se encher de dúvidas. Talvez ele esperasse que eu fosse mais delicada, mais "feminina" segundo os padrões tradicionais. — Nada. Ele respondeu, mas parou como se estivesse considerando as suas palavras. — Simplesmente, não consigo acreditar que... Ele interrompeu, deixando o meu coração batendo a toda velocidade. O temor de ter feito besteira me invadiu. Não devia ter pedido tanta comida, agora ele vai pensar o pior. Comecei a ficar nervosa, com as mãos suando levemente. Mas Julian me surpreendeu com a sua resposta. — Me fascina tudo em você. Ele confessou. — Você não precisa fingir nada para tentar me agradar. Só... seja você. Apertei os lábios, contendo um sorriso que ameaçava revelar o quanto a suas palavras significavam para mim. — Prefiro que você me conheça como eu sou e escolha e decida se gosta de mim. Expliquei. — Não mostrar outra coisa só porque quero agradá-lo a todo custo. Julian olhou-me com uma expressão que eu não soube interpretar completamente. Havia admiração ali, e algo mais, algo mais profundo que eu não ousava nomear. Jantamos num silêncio confortável, interrompido apenas pelo tilintar dos talheres contra a porcelana fina. De vez em quando, os nossos olhares se encontravam por cima dos pratos e trocávamos sorrisos cúmplices, como se compartilhássemos um segredo que o resto do mundo desconhecia. O mais estranho era que eu não sentia mais medo. A intimidação que Julian me causava no escritório havia desaparecido, substituída por uma segurança inexplicável. Eu me sentia emocionada como nunca antes e, sem poder ne*gar, estava irracionalmente encantada por Julian Marlow. Cada gesto seu, cada palavra, cada olhar, me atraía como se fosse um ímã e eu não pudesse resistir à sua força. Quando terminamos o prato principal, Julian limpou aqueles lábios perfeitamente delineados com o guardanapo. Um gesto tão simples, tão normal, mas que captou toda a minha atenção. — Então você gosta de números? Ele perguntou, deixando o guardanapo de lado. A minha mente traiçoeira estava muito ocupada acompanhando o movimento das suas mãos grandes e aqueles lábios apetitosos. Como podiam lábios simples ser tão atraentes? Julian percebeu o meu escrutínio e sorriu, pigarreando. — Muito, gosto dos seus lábios... Respondi automaticamente, antes de perceber o meu erro. — Digo, os números. Queria que a terra me engolisse ali mesmo. Ele realmente acabou de dizer isso em voz alta? O calor subiu às minhas bochechas e soube que devia estar da cor dos morangos maduros. Para minha surpresa, Julian não pareceu desconfortável ou surpreso. — Também gosto dos seus lábios. Ele respondeu com uma naturalidade que me deixou sem fôlego. — Perdoe-me, não foi apropriado. Murmurei, envergonhada. — Não sei por que disse isso. Os seus olhos, intensos como sempre, estudaram-me por um momento antes de responder. — O que não é apropriado para você, Maria José? Ele perguntou, inclinando-se ligeiramente para a frente. — O que te impede de ser direta com o que você deseja? Quando eu desejo algo, sou direto. Passei a língua pelo lábio inferior, nervosa mas também intrigada com a pergunta dele. O que me impedia de ser direta? O medo da rejeição? As convenções sociais? O fato de esse homem ser meu chefe e poder me demitir com um estalar de dedos? Fiquei em silêncio, sem saber como responder. Julian olhou-me intensamente por mais alguns segundos, mas não insistiu. Em vez disso, ele mudou ligeiramente o assunto. — Você estava me dizendo que gosta de números. Retomou, me dando um respiro. Sorri agradecida e assenti. — Sim, gosto de números, estatísticas. Confirmei, sentindo-me em terreno mais seguro. — Sempre me fascinaram os padrões, a forma como podemos prever comportamentos econômicos com base em dados históricos. Para minha surpresa, Julian parecia interessado. Não era a falsa atenção que muitos homens demonstram quando uma mulher falava, ele realmente estava me ouvindo. Os seus olhos brilhavam de entusiasmo enquanto discutíamos teorias econômicas, flutuações do mercado e estratégias de investimento. — O problema com o modelo keynesiano é que ele assume uma elasticidade na demanda que nem sempre se reflete em economias emergentes. Argumentei, surpreendendo a mim mesma com a minha confiança ao debater com alguém como ele.
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