CAPÍTULO QUATRO — ANGELINE

1720 Palavras
— Princesa? Meu queixo cai. Busquei alívio na sala em que tudo aconteceu, o divisor de águas na minha vida. Mas o que eu não esperava... — Esse acento tem um dono bastante especial e acredito que o mesmo não irá gostar de encontrá-lo ocupado. — Aviso. — Não vejo ninguém aqui. — Olha para os lados cheio de ironia e aponta o trono vazio da minha mãe. — Gostaria de me acompanhar? — Você é muito impertinente. — O encaro f**o. — A senhorita tem sorte de eu ser tão agradável, afinal não é apropriado chamar seu futuro marido de impertinente. Como eu esperava, é ele. O Príncipe usa um pijama de calça longa e camisa de mangas compridas em tonalidade azul escuro. Ele me encara com seus belos olhos e sorri despreocupado ao passar os olhos por mim de uma maneira que me deixa desconfortável. É como se ele me visse, despida de minha roupa. — Ainda assim, você está no lugar errado, Alteza. — Digo pausadamente tentando não gaguejar enquanto me encolhi na tentativa de me esconder do seu olhar. — Está com frio? Talvez devesse voltar aos seus aposentos. — Fica de pé e caminha até mim, a ideia dele perceber a forma que meu corpo treme agora me atormenta então luto para ficar firme. — Estava entediado e resolvi caminhar um pouco, como sabe, não conheço o palácio e meus pés acabaram me guiando aqui. O acento do seu pai era o único disponível além do da sua mãe. — Se Vossa Alteza houvesse comparecido a apresentação hoje, não estaria entediado. Sobre o acento, a sua cama é uma opção para descansar. — As palavras escapam sem que eu possa conter. Coro sob seu olhar quando percebo as ramificações que minha frase pode tomar. — Perdoe-me. Sentiu minha falta? — O Príncipe para em minha frente, me permitindo sentir o cheiro caro de seu perfume. Os cabelos lisos e sedosos castanho escuro, os olhos cristalinos presos aos meus, sua cabeça inclinada para baixo ao me encarar, o homem parece ter saído de uma revista. Enquanto ansiavam pelo meu rosto e comentavam minha beleza, esqueceram de informar sobre a beleza do príncipe de Bulmond? Não fui preparada para isso. — Espero que esteja confortável e que sua recepção em nosso palácio tenha sido apropriada. Foi um prazer conhecê-lo, Príncipe George. — Desconverso e aceno com a cabeça, fazendo uma breve referência. Nem espero uma resposta, apenas viro rapidamente com intenção de me afastar mas sou impedida por uma mão firme que apanha meu braço. Meus olhos crescem, meu coração salta no meu peito e o lugar que ele toca, queima. O que vem a ser isso em nome dos Santos? — O prazer foi meu, Angel. — Sua voz soa bem atrás de mim, amolecendo meu corpo. Aperto os olhos numa tentativa de me manter de pé. Não sei como consegui retornar a cama após meu encontro com o Príncipe George. Se eu buscava calmaria, acalmar meus pensamentos que caminhavam até Tristan, não foi isso que eu consegui. Agora, de volta ao meu quarto eu encaro o teto com meu coração saltitando e olhos esbugalhados, repassando os acontecimentos com Tristan e com o Príncipe, assim como as reações que meu corpo demonstrou aos dois. — Acorde, Angel. — Ouço a voz feminina ainda longe, mas que vai se tornando mais real a medida que vou apertando os olhos para despertar. — Alteza... — Rose? — Balbucio fazendo esforço para sentar. Novamente minha noite de sono foi m*l dormida, poucas foram as horas que realmente adormeci. — Que horas são? — Tarde para tudo que precisamos fazer. — Houve repercussão... Sobre...? — Meu coração já acorda saltitante, é como se até falar essa frase me assustasse. — Você ganhou o mundo, Angel. — Sorri. Fico de pé subitamente, causando uma leve vertigem. Levo a mão a cabeça e fecho os olhos até meu corpo acostumar e voltar ao estado normal. Rose corre até mim, me fazendo sentar novamente. — Garota, tenha calma pelo amor dos Santos. — Onde estão as notícias? Eu quero ver. Traga-me algo. — Peço enfiando os pés na pantufa que me esperava ao lado da cama. — Não pode se atrasar, Princesa. Será uma falta de educação deixar os convidados esperando para o primeiro café e é preciso prepara-la a tempo. — Rose, eu... — É para o seu bem, Angel. Deixei que Vossa Alteza dormisse um pouco mais porque foi perceptível que seria difícil adormecer depois da apresentação. — Tudo bem, vamos logo com isso. Rose e Jan me arrumam perfeitamente como sempre, um belo vestido violeta foi escolhido por Jan, algumas flores bordadas a mão decoram o decote e a barra. Nos meus cabelos um penteado simples de um coque cheio foi feito por Rose, junto com uma maquiagem bem manhã. Catarine me encontra na porta e seguimos até a mesa. Meu coração parece que a cada momento vai me trair, a medida que relembro o encontro de ontem com o Príncipe. A cada passo que dou, é uma memória de como ele de aproximou de mim e como meu nome soou bem em seus lábios. — Alguma notícia do entregador ou do irmão dele? — Cate me tira de meus pensamentos. — Não seria eu que deveria te fazer essa pergunta, Cate? Seria impossível o homem chegar até mim, já você, sabe de tudo que acontece no palácio. — Solto. — Nada é impossível, Angel. — Não para mim. — Principalmente para você. Você é a Princesa de Hyperion, nossa futura rainha e é definitivamente mais poderosa do que imagina. — Queria ter tanta coragem quanto você. — Sua coragem ultrapassa a minha, minha amiga. — Paramos uma frente a outra encarando as imponentes portas. — Você só precisa descobrir como mostrar. — Estou sentindo coisas no meu estômago, Caterine, pelos Santos! — Respiro fundo, meu corpo visivelmente trêmulo. Cate segura minha mão tentando acalmar os tremores e me encara. — Não posso entrar aí! Por favor, diga que eu passei m*l. Não posso. Estou enjoada... Eu... — Angeline! — Exclama, não aos gritos, mas com firmeza. — O que estávamos conversando? — Você não entende... Eu... Você já viu o Príncipe? — Meus olhos estão esbugalhados mas Caterine abre um sorrisinho travesso no rosto. — A ideia de se casar não parece tão horrenda agora, não é? — Não sei do que está falando. Não percebeu como é petulante e impertinente? — Impertinente... — Franze o cenho. — E qual foi a impertinência dele, posso saber? — Eu...e... Eu não sei. — Gaguejo, com os pensamentos embaralhados e o rosto queimando tanto que tenho certeza que está corado. — Apenas é o que parece. — Não é isso o que me parece. — O que lhe parece? — Questiono curiosa. — Que o homem é bem vigoroso, muito vigoroso. — Vi... vigoroso? — Abaixo o olhar, sentindo meu coração disparar mais que um trem desgovernado. — Respire um pouco, Angel. O Príncipe é um homem gentil, cresceu para ser Rei e um verdadeiro cavalheiro. O avô, você já conheceu ontem. Os outros são seu pai e mãe. O pior você já passou e foi ontem, Alteza. — Me tranquiliza. — Acha? — Cate concorda com a cabeça, respiro fundo como ela pediu. — Lá vamos nós então. — Confie em mim, vai ser bom vocês terem uma interação num momento leve como o café da manhã. — Pisca e assinto com a cabeça, antes de Caterine passar pelos guardas na porta e me anunciar. — Angeline Windsor, minha filha. — Diz meu pai cheio de orgulho após eu entrar e fazer reverência. — Bom dia a todos. — Mantenho o olhar baixo, me protegendo de encontrar o Príncipe George olhando para mim e precisar lidar com seus olhos. — Perdoem-me, pelo atraso. — Não se preocupe, Princesa. Estávamos nos conhecendo melhor enquanto esperávamos a senhorita. — É o Rei de Bulmond que recepciona. Aceno com a cabeça, cuidando para manter meus olhos baixos e caminho até meu lugar de sempre que para minha infelicidade é frente ao acento do Príncipe por questões de etiqueta - Já que serei sua futura esposa. George me encara, sorri gentil e acena com a cabeça, retribuo o cumprimento torcendo para minhas bochechas não corarem - O que não tenho certeza quando ele abre a fileira de dentes perfeitos num sorriso encantador, totalmente satisfeito. — Bom apetite. — Meu pai dá início ao café da manhã farto, evito a todo custo olhar para frente. — A senhorita dormiu bem ontem a noite, Princesa? — Quando ouço a foz forte e contendo um pouco de ironia, levanto meu queixo em direção ao Príncipe tentando parecer firme. — Como um anjo. — Lanço a ele meu melhor sorriso, contendo os tremores da minha mão para o garfo não fazer barulho na louça de porcelana. — Imagino que sim, Angel. — Sorri com a típica ironia, colocando um pedaço de fruta na boca com um olhar pirracento naqueles malditos olhos azuis. — Posso te chamar de Angel, não é? — Sim, Alteza. — Apenas George para você, por favor. Ou, se preferir... Pode me chamar de querido ou amor. Eu não me importo. — Todos a mesa gargalham, menos eu, que não consigo sustentar meu queixo no lugar, incrédula. — Vejo que estão se dando bem. — Minha mãe comenta se divertindo. — O meu neto é um homem muito sociável. — Isso é notável. — Eu jurava que tinha comentado apenas na minha cabeça. — O que isso quer dizer? — É quando meu pai pergunta que percebo que na verdade não falei apenas em meus pensamentos, sorrio amarelo. — O Príncipe parece ser um homem muito... extrovertido. — Explico, ganhando um sorriso de aprovação e ironia dos lábios de George. — Teremos tempo para nos conhecer melhor, Princesa. — Por certo terão, hoje estamos apenas no primeiro dia. Por hora, vamos terminar o nosso café da manhã. — Respiro aliviada quando meu pai volta a atenção de todos para o alimento, a hora da refeição é um momento sagrado. Mas o que eu farei para ficar longe dele pelo resto do dia?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR