Mudam as estações

1527 Palavras
“ O tempo passa e muitas vezes demoramos para perceber o quanto as coisas mudaram”. Oito anos depois… Tristan A chuva só aumenta e a batalha parece não cessar nunca, a lama só dificulta o combate, os bárbaros estão tentando tomar nosso reino, mas não permitirei, estou ao sul de Alvani, bem longe de casa, meu pai confiou a vitória dessa batalha a mim e não falharei. Giro meu corpo com a espada empunhada em mãos e acerto um homem que estava tentando pegar Charles distraído. — Charles, tome cuidado. — Cuidado é meu sobrenome. — Pensei que fosse Afonso Herrera Bourbon Levy Ozanan. — Pare de ser chato Turner. — Estamos muito distante dos outros, é melhor voltarmos — digo. — Larga a mão de ser medroso. Assim que ele diz isso aparecem vários inimigos correndo em nossa direção. Charles solta um grito, levanta sua espada e corre em direção a eles. — d***a — murmuro e faço o mesmo Começo correr, giro a espada e começo a decapitar quem entra no meu caminho, sou rápido com a espada principalmente nos movimentos com corpo, um, cara enorme vem em minha direção, tento me afastar do seu golpe, mas não consigo, pois estou atolado na lama, minha sorte é que ele é h******l com a espada e errou, forço meu pé e nada de conseguir soltar, ele investe contra mim, mas consigo me abaixar, assim que me levanto sinto um líquido quente atingir meu rosto. A minha frente tem um cavaleiro usando uma armadura que não me deixa ver seu rosto, somente seus olhos verdes são possíveis ver, ele me estende a mão e eu aceito, conseguindo me livrar daquela lama. — Obrigado Ele sai sem responder e continua a lutar contra nossos inimigos e eu faço o mesmo. ***** — Vencemos — levanto minha caneca cheia de cerveja — Meu pai ficará muito orgulhoso de nós — Claro que vai maninho — diz Charles — a batalha foi intensa, mas somos os melhores guerreiros que a Alvani a poderia ter — Nem parece ser de Cabrelet — diz o general Russell — Amo Cabrelet, mas fui criado aqui e farei tudo que puder para proteger Alvani. — Chega disso, vamos nos divertir — digo. — Essa taverna é um máximo, mas deixa sua mãe ficar sabendo — Charles diz sorrindo. — Dona Catarina? Mata-me e ainda conta para tia Clarissa. — Deus é mais. — Estou com muita saudade de casa e da minha irmãzinha principalmente — Você e Helena são muito apegados, já eu? Tenho a enjoada da Charlotte como irmã, se prepara viu Tristan?! Aquela é pura chatice. Sorrio sem mostrar os dentes, pensando que em breve Charlotte e eu nos casaremos. E tudo mudará, outras obrigações irão surgir. — Para Charles, coitada da garota — Que fofo, defendendo a noivinha. Mas mudando de assunto, quem era aquele, cara que te salvou? — Não tenho ideia, mas é um ótimo guerreiro. Charles olha para frente e abre um sorriso, uma das meretrizes piscava para ele. — Já volto Já até sei onde isso parará, é capaz dele dormir com todas as mulheres da taverna e com certeza alguma é casada. Sorrio só de pensar na confusão que será, mas Charles é bem grandinho e consegue se virar sozinho. Bebo mais um gole da minha cerveja e largo a caneca sobre a mesa, deixando a taverna. Olho para o céu e a vista está linda, mesmo aqui sendo bem afastado e bem mais simples de tudo que conheci é lindo. De repente escuto um grito e corro em direção ao pedido de socorro, adentro a mata a minha frente e me deparo com dois homens mascarados segurando uma jovem, seu vestido estava todo esfarrapado e o rosto dela todo vermelho e cortado. Num momento de fúria vou para cima desses homens, que revidam sem nem pensar. Finco a espada no peito de um deles e antes que possa fazer o mesmo com o outro ele foge. Vou em direção a moça caída ao chão para levantá-la, mas a mesma se encolhe ao sentir meu toque. — Não vou te machucar — digo e estendo a mão, com muito receio ela acaba por aceitar. A olhando de perto ela parece me lembrar alguém muito familiar, a pele branca, os olhos azuis esverdeados e os cabelos negros com as pontas encaracoladas. — Meu nome é Tristan — me apresento e retiro meu casaco entregando para ela — Sei que não está muito limpo. — Não se preocupe com isso — ela da, um meio sorriso — Meu nome é Mia. — É um grande prazer conhecê-la, sinto que seja nessas circunstâncias. Posso acompanhá-la até em casa? — Seria muito gentil da sua parte. Fomos caminhando lado a lado em silêncio, enquanto Mia nos guiava até sua casa. — Posso fazer uma pergunta? — quebro o silêncio. — Pode, depois do que fez por mim, pode perguntar qualquer coisa. — Quem eram aqueles homens? — Devem ser alguns dos inimigos do meu futuro marido, desde que esse noivado foi anunciado, coisas estranhas começaram a acontecer. — Quem é seu noivo? Talvez eu já tenha ouvido falar. — Um poderoso senhor feudal chamado Noah — ao ouvir tal nome retorço meu rosto. — O conhece? — Mia me olha intrigada. — Diretamente não, mas conheço sua fama e ele aparenta ter um péssimo humor, nunca foi a uma festa sequer da corte — ao perceber que acabei falando de mais, passo as mãos nos cabelos, nervoso — Mia… — Príncipe Tristan — ela dá, um sorriso, que a deixa ainda mais bonita — Soube ser você desde o primeiro momento, todos estavam falando sobre o príncipe que veio para defender as fronteiras e sua descrição já está por toda vila. Abro um sorriso sem graça. — Normalmente prefiro que as pessoas não saibam quem sou, gosto de ver as coisas como elas realmente são, quando sabem que sou o príncipe tudo muda e máscaras são colocadas. — Se te deixar feliz para mim você é apenas um excelente guerreiro e com isso podemos continuar sem máscaras. — Me parece uma boa proposta. — Posso fazer uma pergunta também? — Pode. — Assim como eu você foi prometido a alguém acredito que não pelos mesmos motivos, já que minha família está falida, como se sente em relação a isso? A já terem escolhido uma vida, toda para você e até mesmo quem você deve amar. Respiro fundo pensando sobre o assunto, na maioria das vezes as pessoas tinham curiosidade sobre esse assunto, mas faltava coragem para perguntar. — Desde que tenho 10 anos as pessoas tentam colocar essa união como algo positivo, como um símbolo da preservação da paz e do poder, então julgo que me acostumei com essa ideia. — Mas você ama a Charlotte? Já devem se conhecer há muito tempo. — Eu a conheço há muito tempo, mas desde que crescemos nunca passamos muito tempo, sozinhos. Suponho que estou acostumado com essa ideia de casamento e não sei como fazer funcionar, não sei como ser um marido. Tem alguma dica? — Não — Mia solta um riso alto — Mas sei que será um bom marido, é gentil e preocupado. — Você será uma boa esposa também. — Para um marido que carrega a fama terrível? Não sei se é possível. Mas sabe uma coisa que traz medo? — O quê? — A vida é cheia de pregar peças, então talvez algo surpreendente aconteça. Ali que eu moro. Mia aponta para uma enorme casa que está caindo aos pedaços, que com certeza um dia foi uma majestosa casa. — Entende o porquê minha família necessita desse casamento? — Se quiser ajuda. — Não posso não colaborar, mesmo que não merecem tanta compaixão, faço isso pela minha irmã caçula. — Irmãs realmente colocam a gente em enrascadas — penso em tudo que já fiz por Helena — Por esses dias ainda estarei aqui, mas depois voltarei para casa, por favor me escreva. — Farei isso. — Quem está aí? — escutamos gritos de uma mulher e logo uma cabeleira ruiva vem em nossa direção — Mia, minha filha, que preocupação nos causou. Estávamos quase avisando o Noah. — Estou bem mãe, ele me salvou — aponta para mim. Olho para às duas e não vejo nenhuma semelhança, o que torna Mia mais parecida com alguém que conheço mais não consigo me lembrar com quem. A mulher me olha da cabeça aos pés. — Como posso saber que não é nenhum desordeiro? — Senhora, sou um guerreiro da coroa, fiz o que faço sempre que é proteger o povo de Alvani. — Então meus sinceros agradecimentos. Se nos der licença, precisamos entrar urgentemente, todos estão aflitos. Antes que Mia a siga seguro seu braço. — Se precisar de qualquer coisa, pode me procurar. — Obrigada por tudo e eu digo o mesmo. Tristan as coisas vão dar certo para nós. Mia vem até mim, beijando meu rosto e vai em direção a sua mãe, aceno para às duas e pego o caminho de volta para o acampamento.
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