" A única razão de tomar todas as decisões que tomei é para proteger aqueles que amo, espero que algum dia eles entendam isso".
Três anos depois
Catarina
Após terminar de arrumar meu vestido, coloco a coroa e deixo meus aposentos, sentindo um frio tomar conta do meu estômago e acabo respirando fundo para afastar esse nervosismo. Tento pensar em outra coisa além do principal acontecimento dessa noite e começo a pensar no quanto minha vida melhorou e cada dia melhora mais, Henrique tinha razão eu estava grávida de uma menina, minha amada e doce Helena, meus filhos são uma bênção em minha vida e sou muito grata por eles.
— Catarina, estava te procurando — Ana toca meu ombro gentilmente.
— O que houve?
— Os Ozanan chegaram, já estão na sala do trono
Respiro fundo e sinto minhas pernas travarem no lugar.
— Será essa uma atitude correta?
— O noivado de Charlotte e Tristan?
— Sim. Meu filho só tem 10 anos e ela 7. Eles nem entendem o que está acontecendo, talvez devêssemos esperar.
— Minha filha, eles não vão se casar hoje, isso só é para garantir uma aliança forte e duradoura entre Alvani e Cabrelet. Se Henrique não fizer isso, outro reino pode acabar fazendo, precisamos dessa estabilidade, sabe o quanto tempos de guerras são difíceis.
— Mas guerras sempre existiram de um jeito ou de outro.
— Imagina se essa for a chance do seu marido de evitar uma?
— Pense no Tristan e se ele não a amar?
— Charlotte é graciosa desde agora, imagina quando crescer? Precisa pensar como uma rainha nesse momento, então use sua cabeça e guarde seu coração.
— Tem razão, o que pode dar errado né?
Minhas mãos estão suando sem parar, me sentiria mais confortável se Miguel e Cecília estivessem aqui, mas eles receberam um suposto paradeiro onde Isadora pode estar e eu rezo para ser verdade. Até se Diogo e Rodolfo estivessem eu me sentiria confortável, mas eles acharam essa ideia absurda e acabaram brigando com Henrique.
Continuo caminhando ao lado de Ana, logo chegamos na porta da sala do trono, quando vou entrar sinto alguém tocar meu ombro e me viro.
— Nostradamus?
— Minha Rainha, sei que não deveria estar aqui, o rei não gosta muito de mim, mas tem algo que quero dizer a vossa majestade
— O que é?
— Esse casamento não é uma boa ideia, pode trazer consequência gravíssima.
Uma angústia me atinge em cheio e a profecia vem direto a minha mente, uma criança nascerá, será filho de Tristan e Charlotte?!
— Eu não posso fazer nada, Henrique nunca me ouvirá, isso é importante para ele. Esse casamento dará estabilidade para os reinos e nenhum sangue precisará ser derramado novamente. Nenhuma família perderá mais um m****o por uma guerra.
Coloco um falso sorriso no rosto e adentro a sala, faço um leve cumprimento de cabeça para Clarissa e Henry, as poucas pessoas na sala fazem reverência, me sento ao lado de Henrique e ele me olha sorrindo.
— Será que podemos conversar?- sussurro, tantas incertezas começam a me atingir
— Querida, se for sobre o casamento já disse que isso é o melhor. Pense em quantas guerras estamos evitando, nossos inimigos verão essa união como força e não nos atacaram, pelo medo que essa junção vai trazer. Busquem eles.
Os criados trazem Tristan e Charlotte. Ela é linda, branca como a neve, seus lábios são rosados, os cabelos são da cor do ouro e os olhos verdes como esmeraldas, creio que não existirá mulher mais bela.
— Não sei expressar como estou feliz por este noivado. A casa dos Turner e dos Ozanan se unirá — diz Henry com uma taça na mão, ele aparenta já estar alterado pela bebida
— Também estou feliz — Henrique dá um meio sorriso.
— Bom meu caro amigo, então vamos assinar o contrato o escrivão já está aqui, lembrando que quem o quebrar terá que pagar uma boa quantia em ouro, terras e joias — O rei de Cabrelet toma a pena da mão do escrivão e assina com toda sua confiança.
Henrique se levanta, me encara por alguns segundos e depois assina, de repente uma chuva muito forte começa, os raios cruzam o céu, aperto meu crucifixo ainda mais sobre o peito.
— Jovem Tristan, olhe bem para minha filha a partir de hoje ela é sua noiva e você a deve respeito, fidelidade e amor -diz Henry com um sorriso no rosto
Tristan me olha confuso e eu apenas sorrio tentando amenizar a ideia de que algo r**m poderá acontecer. Mas minha mente está turbulenta, pensando que se quando crescessem eles odiassem a ideia desse casamento, como seriam as coisas? Esse acordo envolve muitos bens, respiro fundo tentando não surtar, mas já surtando e esperando que essa realmente seja a atitude certa a se tomar. E se no final Tristan se voltar contra mim e Henrique? Como vou conseguir viver sabendo que magoei meu filho?