Do You Wanna Stay?

2363 Palavras
Livia's POV ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ — O Q-QUE É... QUEM... QUEM É VOCÊ?! – consigo por algum milagre falar olhando pra ela completamente chocada. Saí da sala apenas para vir até o quarto pegar meu celular que estava carregando por aqui e conferir se algum dos meus amigos havia deixado uma mensagem e agora estou parada na frente de uma mulher que deve ter em média a minha idade, que está toda machucada, completamente nua e bom... Ela era uma gata a meio segundo atrás! Faz algum sentido ou eu realmente estou ficando maluca? Continuei olhando provavelmente com os olhos arregalados para a estranha à minha frente que havia decidido se movimentar para colocar o short que havia trazido consigo e estava todo sujo e rasgado em algumas partes. A moça possuía orelhas de gato em sua cabeça e uma cauda não muito grande na base de sua coluna, que me davam a confirmação de que eu não havia usado drogas e visto uma gata se transformar em humana por causa disso. A moça havia terminado de colocar seu short e me encarava, ainda parada e parecendo muito assustada, abria a boca rapidamente e fechava, várias e várias vezes e nunca nada saia dali. Seu corpo era bonito, alto, com um físico meio magro, e notava-se que ela estava machucada, com vários hematomas roxos espalhados por seu corpo, e algumas feridas na parte da costela e das pernas, que tinham um pouco de sangue seco acumulado em volta. — Me desculpe, eu... Eu... Não sei o que falar – a loira falou soando simples e com um pouco de medo. — Qual seu nome? Como você entrou aqui? Co-Como você era uma gata? Por que está toda machucada e... – disparei inúmeras perguntas e me interrompi quando percebi a estranha me olhando e engolindo em seco com a quantidade de perguntas disparadas. Respirei fundo me acalmando – Olha, responda algumas das minhas perguntas e... Depois eu dou uma olhada nesses seus ferimentos, pode ser? – a moça não me parecia má pessoa e bom... Mesmo se fosse provavelmente a idiot@ aqui não negaria ajuda. Como Catie diz, tenho o coração mole demais. — Meu nome é Kiera... Eu, é... Eu entrei pela janela – sua voz estava um tanto estremecida, e era óbvio que ela tinha entrado pela janela, e eu podia estapear minha testa por perguntar algo tão 3stúpido. Bem que minha mãe me disse inúmeras vezes para não deixar a janela aberta nesse apartamento. E é lógico que eu não ouvi, e olha onde estamos agora. — Kiera... Eu não estou ficando louca, não é?! Você é mesmo uma gata ou...? – aquela frase era meio engraçada de se fazer e ela sorriu, me fazendo sorrir junto, não tinha como, o sorriso dela era lindo e contagiante. Logo seu sorriso diminuiu um pouco e ela pareceu lembrar-se de algo. — Fui transformada geneticamente... Eu sou uma hibrida de gato com humano – ela parecia um pouco desconfortável, demonstrando que talvez não gostasse de ser o que era. Eu amo gatos, adoraria ser uma e... Cala a boca Livia. Lembrei do jornal da semana passada, eu tinha lido algo sobre experimentos que transfiguravam o DNA, tanto de animais com genética humana para gerar órgãos para transplantes, como em macacos, e alguns experimentos proibidos de um cientista chinês, que fez uma mutação genética em duas bebês para protegê-las de HIV, o que consequentemente pode ter causado a redução da expectativa de vida dos bebês, He Jiankui foi preso por esse experimento de editar a genética humana. Mas a teoria de transformar uma pessoa em híbrido ainda só havia hipóteses, apenas para uma possibilidade futura, e realmente nunca entendi o pra que isso serviria. — Uh... Certo. E por que está aqui? E toda machucada? – perguntei voltando a tentar entender sobre a Kiera, ela estreitou os olhos, me olhando e logo abaixando a cabeça um pouco, voltando seus olhos azuis para o chão. — Eu fugi – seu tom de voz denunciava um pesar e grande tristeza. Fugiu da onde? Do laboratório? É, fazia sentido, já que Kiera demonstrou não gostar muito de ser uma gata. Interrompi meus pensamentos percebendo que a moça na minha frente estremeceu um pouco. Droga, que descuido! Estava um frio de matar hoje e Kiera usava apenas um short. Fui até a janela, fechando-a e diminuindo o frio presente no quarto. Olhei para o estado dela parada a minha frente e fui até o armário, pegando uma caixinha de primeiros socorros que eu deixava ali caso fosse preciso, e pegando toalhas, peguei uma cueca minha nova e uma calça de moletom, juntamente com uma blusa de mangas compridas. Kiera apenas me encarava com o semblante confuso. Me aproximei deixando as coisas na cama, e abrindo a caixa, sob o olhar de Kiera. — Posso cuidar disso aí?! – apontei para o ferimento em sua costela, que não era tão grave mas precisava ser limpo, assim como o da perna. Ela me olhou por um instante, parecendo apreensiva, mas logo concordou. Usei gaze, água oxigenada e também soro fisiológico, limpando levemente a pequena ferida, que de acordo com Kiera estava ardendo. Logo mandei ela se sentar na metade da cama e esticar as pernas, para que eu pudesse cuidar da ferida localizada ali, fiz o mesmo procedimento e logo já tinha acabado. — Você é médica? – ela perguntou e eu sorri, negando com a cabeça. — Ainda não, mas pretendo ser, faço faculdade para isso – eu disse, sorrindo orgulhosa e ela assentiu retribuindo o sorriso – Ah, e meu nome é Livia, Livia Lodge – estico minha mão e seu sorriso se alargou quando me cumprimentava – Você quer tomar um banho, Kiera? — Não seria muito... Hm... Incômodo? – Kiera perguntou, educada e eu sorri. — Claro que não, vai lá. Aqui estão algumas coisas que eu separei, porque, bom, você vai congelar com esse short aí sem mais nada – Kiera sorri e vai em direção ao banheiro e fechando a porta, logo que ouço o barulho do chuveiro, finalmente paro na cama para pensar no que está acontecendo. Tem uma gata na minha casa. Certo, uma híbrida. E, bem, ela é uma fugitiva, o que significa que não importa o lugar onde ela estava ela provavelmente era maltratada ou ela fez algo de errado. Prefiro acreditar na primeira opção, porque, bom, olha o estado no qual ela chegou aqui. A questão é: O que eu vou fazer com Kiera? Porque ela não pode simplesmente ficar aqui no meu apartamento, quer dizer, eu nem conheço ela. Mas eu também não posso deixar a loira de olhos lindos azuis sair assim essa hora da madrugada, nesse frio e sozinha, até porque eu tenho certeza de que ela não tem lugar pra ficar e nem dinheiro pra ir pra algum hotel de estrada, que seja. Uh, certo, Livia, o que eu vou fazer agora? O barulho do chuveiro parou, e eu acordei pra vida. Levantei da cama, retirando as coisas sujas dali e jogando no lixo e guardando a caixinha, deixando apenas gaze e esparadrapo na quantidade necessária para fazer curativos em Kiera na hora que a mesma saísse do banheiro. A porta finalmente se abriu e Kiera saiu, usando minha calça de moletom e minha blusa que ficaram incrivelmente largas em seu corpo magro, a deixando muito fofa. Que?! Foco Livia! Kiera estava visivelmente sem graça e sem saber muito o que fazer, e eu não pude deixar de achar graça nisso, e tá, eu admito, era fofo. — É... Livia, eu... Acho que eu vou indo – ela parecia estar sem graça e estava indo em direção a janela – Ah! Muito obrigada, de verdade – ela se virou, sorrindo agradecida e se virou novamente. — Kiera! Volta aqui! – eu fui até ela segurando seu braço, percebendo que definitivamente não queria que a loira fosse embora agora – Primeiramente, preciso fazer seus curativos. E segundo que você está descalça e com roupas de dormir. Ah e terceiro e último, você não vai sair daqui agora – meu tom era firme porém meio brincando, e Kiera me olhou arqueando as sobrancelhas. — Co-Como? Eu vou ficar aqui?! – ela estava confusa e eu engoli a seco. Ela ia ficar aqui?! Droga Livia, decida o que fazer. — Olha Livia, obrigado pela ajuda, não podia ter achado melhor lugar pra me esconder – ela riu, e eu acompanhei – Obrigada por me ajudar a cuidar das feridas e tudo mais, e pelas roupas, mas, eu realmente não quero atrapalhar sua vida. Você nem me conhece e eu não posso simplesmente abusar assim e ficar por aqui... – ela estava deixando claro que estava se achando um peso alí e eu neguei com a cabeça. — Você tem para onde ir? – ela me encarou por um tempo, negando com a cabeça em seguida e olhando para o chão – Tem dinheiro? – perguntei e ela estreitou os olhos, sem responder a pergunta, mas deixando clara a resposta – Então, o que você pretende fazer Kiera? Sair por aí e, sei lá, dormir na rua? Vai virar uma mendiga? – sorrio pra ela e nós rimos baixo no final. — Não sei... Eu não cheguei a pensar nisso, eu só queria fugir, e bem... Foi o que eu fiz – ela deu de ombros – Maggie também não me lembrou de nada, como dinheiro e casa, essas coisas – ela disse simples e eu me perguntei quem é Maggie, mas deixei para lá. — Então. Você não tem outra opção a não ser ficar aqui – eu disse e ela ia começar a falar, mas a interrompi – E não, você não vai atrapalhar. Eu moro sozinha aqui nesse apartamento e tenho um quarto de hóspedes fora esse quarto aqui. Você pode ficar nele, enquanto isso, você pode ver se arranja um emprego e junta um dinheiro, e quando der você sai. Pronto. É sua única opção, Kiera – a loira me encarou, parecendo avaliar a proposta que parecia estranha até para mim, vendo pelo lado de que Kiera era uma estranha. — Tudo bem, eu aceito, Livia – eu sorri para sua resposta – Mas quando eu arranjar um emprego eu prometo ajudar com as coisas do apartamento – ela completou, simples e eu ri, negando com a cabeça. — Tudo bem, tudo bem... Depois vemos isso – eu disse – Vem fazer seus curativos. ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ Já haviam se passado mais de duas horas que Kiera estava aqui, havia terminado de fazer seus curativos, e fomos pra sala, conversamos um pouco sobre minha vida e sobre a dela, a qual parecia esconder grande parte. O que no começo me preocupou, mas depois julguei ser apenas falta de confiança. Kiera era uma pessoa um pouco fechada, mas pelo que eu vi, seria de fácil convívio, ela era bem legal. Seu estômago roncou e eu ri enquanto a mesma ficava sem graça. Fomos até a cozinha e fiz um sanduíche para mim e Kiera comermos enquanto assistimos a um filme qualquer na televisão. Já eram mais de quatro horas da manhã e dei graças a Deus que sábado não teria nada pra fazer. O filme terminou e eu acendi a luz da sala, desligando a televisão. Olhei para o meu lado e vi a coisa mais fofa que provavelmente tinha visto a vida inteira. Kiera dormia encostada com a cabeça no sofá, suas orelhinhas de gato haviam abaixado e estavam meio misturadas as madeixas loiras, porém ainda se moviam levemente conforme os barulhos do ambiente. Ela ressonava e a ponta de sua cauda estava parada no seu colo, junto às suas mãos, parecia aconchegada, porém com frio. — Kiera? – chamei baixinho, e suas orelhas de gato se mexeram um pouco mais, me fazendo rir – Kiera? Acorda... – chamei novamente, dessa vez a sacudindo um pouco e a mais nova, como havia me dito, continuava dormindo. Levei minha mão direita até suas orelhas, afagando-as e Kiera começou a ronronar fofamente – Kiera... Acorda! – falei um pouco mais alto, porém sem gritar, e finalmente a mesma acordou. Um pouco assustada e segurando a ponta de sua cauda com força, olhando para os lados – Me desculpe, eu tive que te acordar, vai dormir? – ela pareceu se tocar que era eu que havia a acordado e assentiu, coçando os olhos, era muito fofa, parecia uma criancinha – Vem – levantei e ela me seguiu. — É aqui? – ela perguntou, quando chegamos ao quarto de hóspedes e ela observava tudo com atenção. Era um quarto pequeno, porém aconchegante, havia uma cama, uma escrivaninha e um guarda roupa, o quarto era próximo ao banheiro do corredor, pois não era uma suíte. — Sim, é pequeno, eu sinto muito, mas é aconchegante e garanto que é mais quente que meu quarto! – falo o que era verdade, meu quarto era meio frio. — Não! Não, é perfeito. Mais do que eu já tive em toda minha vida – ela parecia encantada e sorria, eu retribui – Obrigado mais uma vez Livia, de verdade, você é um anjo – ela disse, e eu corei, fazendo-a rir baixinho. — Não foi nada. Pare de agradecer Kiera – eu ainda estava sem graça – Boa noite, durma bem – eu disse já saindo em direção a porta e observando Kiera indo em direção a cama, se deitando e se cobrindo. — Boa noite, Livia! – ela disse enquanto bocejava e eu assenti, apagando a luz. Fui para meu quarto, deitando na cama, apagando a luz e dessa vez fechando a janela. Bom, não foi tão ru!m assim ter deixado ela aberta. Kiera não era uma pessoa ru!m, como eu havia percebido quase desde o início, e pode-se dizer que era uma companhia bem agradável, acho que nos daríamos bem. Adormeci pensando nisso, e algo me dava certeza de que eu não iria me arrepender da escolha.
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