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1227 Palavras
David tinha passado o restante da madrugada em claro com seu irmão Ryan, estavam tentando achar mais algum padrão entre as mortes que tinha acontecido até aquele momento. Todos eram homens, fortes, estatura mediana, todos homossexuais, acadêmicos e tinham algo em comum. Mike Gauthier tinha ficado com Daniel Collins tinham ficado algumas vezes em algumas festas, então Gauthier conhecia as outras vítimas por serem amigas de Collins, com quem ele teve um breve relacionamento.  - Acha que pode ser alguém procurando por eles por algo que fizeram ou sabia, ou acha que é apenas uma terrível coincidência? - o detetive Turpin perguntou ao seu irmão que comia uma tigela de cereal - Não acredito que seja coincidência, porque todos estão ligados de alguma forma. Acha que a Srta. Riddle pode estar envolvida? - David perguntou comendo mais uma colher de cereal - Acho que não, creio que ela está sendo puxada para isso de alguma forma. Não acredito que ela pode estar envolvida com isso, eu surtei e perdi a cabeça mais cedo por estar incomodado em ver ela com outra pessoa, mas não acredito que ela seja culpada. Creio que estamos procurando por um homem, não por uma mulher. - Ryan diz se sentando no sofá, deixando seu corpo relaxar - E por que seria um homem? - David interrogou - A brutalidade dos crimes, todas as vítimas são fortes, não tem possibilidade de ter sido uma mulher para ter toda a força. Principalmente nas mortes de Daniel Collins e Joe Anton, aqueles golpes de machado foram brutais e quase arrancou o pescoço de Collins. - o detetive respondeu - Então podemos considerar que seja um homem, a precisão nos golpes tem que ser de alguém que conheça as veias e artérias que podem levar a óbito. Tem alguma sugestão? - o mais novo perguntou olhando para seu irmão - Não sei, um caçador, um médico, um cirurgião, um açougueiro? Todos tem informações importantes sobre dissecar e partes que pode m***r um ser humano. - Ryan respondeu acendendo um cigarro, mas David o pegou, apagando - Não invente de fumar, principalmente perto de mim. Preciso viver muitos anos ainda, temos Louise ainda para cuidar. Ela é grande, mas você sabe como ela ainda é uma pestinha. - David lembrou de sua irmã caçula que estava na casa dele, na cidade vizinha - Preciso lembrar de mandar dinheiro para ela vir para cá amanhã. Vamos dormir, já está amanhecendo e nem descansamos. - Ryan deu um tapinha no ombro de seu irmão - Antes de ir, o que você sabe sobre Eloá Nardoni? - David perguntou bastante interessado - Nada, não cheguei a interrogá-la. Sei que ela era um caso s****l de Natalie Riddle apenas, por que? - o mais velho perguntou - Anh, nada. Eu achei ela bonita e um tanto quanto enigmática, algo nela me atrai a atenção. - David respondeu soltando um longo suspiro - Só cuidado com quem você vai se envolver, não quero saber de você largando faculdade por causa de mulher. Sabe que nosso pai arrancaria o seu couro. - Ryan comentou rindo, dando um tapinha na cabeça do irmão. - Vai dormir, depois você pensa na “morena enigmática”.  O dia amanheceu, Eloá saltou da cama com disposição, tomou um banho gelado e se vestiu. Pegou mais algumas notas que estavam espalhadas pela casa e saiu, sem dizer nada e nem deixar nenhum bilhete avisando que estava indo embora. Parou em uma cafeteria e ligou para Anna que acordou assustada com o barulho do celular tocando.  - Se arrume, pegue roupa para praia que vou passar para te buscar em uma hora e meia. - foi tudo que ela disse antes de desligar a ligação e entrar na cafeteria  Ela estava com olheiras um pouco aparentes, então estava usando um óculos que pertencia a B2, mas que tinha pegado antes de sair. Tomou seu café com bastante coisas, já que gastaria um dinheiro que não lhe pertencia, após pagar, deixou o troco para a atendente e foi buscar Anna.  Campbell estava um tanto quanto confusa com aquele bom humor todo de Eloá, mas aproveitou e se arrumou para ir à praia. No horário combinado, Nardoni passou para buscá-la, disse que precisava passar para comprar um biquíni e protetor solar antes de seguir para a praia. A animação de Nardoni arrancou algumas risadas de Campbell, que nunca tinha visto ela assim, então quis aproveitar aqueles momentos de milagre.  Enquanto elas iam para a praia, David Turpin estava acordando, o dia estava quente e queria sair para curtir. Treinou na academia do prédio e subiu para um banho gelado, estava querendo distrair um pouco.  -David, eu tava lendo um livro aqui sobre psicopatas. É verdade que eles podem ter várias faces? Disfarçados de pessoas de bem, ocultando quem eles são? - o mais velho perguntou jogando uma garrafa de água para o mais novo - Sim, eles são seres calculistas, manipuladores e insensíveis aos sentimentos alheios. Estão ao nosso lado no trabalho, na escola, na vizinhança e no círculo familiar, e a qualquer momento, podem gerar destruição em nossa vida. Eles são psicopatas, uma ameaça real e silenciosa para toda a sociedade. - David respondeu e deu um longo gole em sua água - Mas por que diabos eles são assim? Pode ser por trauma? Não entra na minha cabeça que eles façam isso sem motivo. - o detetive fechou seu livro, olhando para seu irmão e esperando uma resposta - Irmão, psicopatas não sentem culpa e nem compaixão. Não se arrependem. Não nutrem nenhum senso de empatia ou responsabilidade em relação aos outros. Eles são seres esvaziados de emoção, são capazes de passar por cima de tudo e de todos para satisfazer seus objetivos. Não são pessoas como nós, então eles fazem o que bem querem, sem ligar para as consequências. - David tirou sua camisa e colocou no ombro. - Mais alguma coisa que precisa saber?  - Não, eu consegui compreender. Vai tomar banho e fazer o que quiser fazer, vou ficar aqui trabalhando.  O irmão subiu, tirou a roupa suada e seguiu nu até o banho, lavou os cabelos, o corpo e ficou algum tempo deixando a água morna cair no seu corpo, relaxando e pensando inconscientemente em Eloá. Ele não sabia explicar o porque os olhos dela faziam com que a mente dele entrasse em turbilhão, como se não soubesse dizer nem seu próprio nome. Não sabia porque seu corpo entrava em descompasso quando ela mexia no cabelo ou molhada os lábios com a ponta da língua antes de dizer qualquer coisa.  Banho tomado, enrolado em uma toalha branca na cintura, David Turpin ficou se encarando no espelho por alguns segundos, antes de arrumar o cabelo e sair dali, indo para o guarda-roupa que estava usando provisoriamente e pegando um short leve, uma camiseta, uma cueca box preta com faixa branca na parte de cima, calçou um par de tênis, passou desodorante, protetor solar e pegou um óculos de sol. Passou pela cozinha e pegou uma fruta antes de cruzar com Ryan na sala.  - Onde o senhor vai todo estiloso assim? - Ryan riu do irmão - Vou até a praia, tenho que ver alguma coisa diferente e parar de pensar naquela morena. Quando eu voltar, quero saber mais sobre Eloá, pode me ajudar nisso? 
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