capitulo 111

1538 Palavras

📓 NARRADO POR MIGUEL A boca do morro estava acordando devagar, igual bicho preguiçoso. Sol levantando por trás das lajes, cheiro de café barato saindo pelas janelas, o barulho do ferro de um portão sendo aberto, e uns moleque já no corre matinal. Eu estava lá. Camiseta preta, bermuda, cigarro no canto da boca. Postura de quem não dormiu direito, de quem transou demais, brigou pouco e pensou mais do que deveria. A cabeça tava lotada. Ana. Manu. A tal da Coronel. A vida inteira querendo me engolir. Aí eu ouvi. O ronco. Aquele ronco que qualquer alma que mora nesse morro reconhece a dez vielas de distância. A moto do Touro. Virei o rosto. E foi aí que eu vi a cena patética. O infeliz vinha descendo a rua sorrindo. Sorrindo largo, aberto, com a boca quase rachando a cara dele

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