capitulo 110

1418 Palavras

📓 NARRADO POR MANU O ar ficou denso. Pesava como chumbo. Não era o silêncio normal de uma manhã, com cheiro de café e rotina. Era o silêncio que antecede a tempestade, o momento exato antes de um julgamento. Miguel estava parado, a poucos passos, a caneca ainda quente nas mãos. O olhar dele não era de fúria, era de scanner. Ele lê as pessoas como se fossem mapas detalhados. E eu? Eu sempre fui perita em desenhar geografias falsas. — É isso, Manu? — A voz dele veio baixa, controlada, mas vibrando. — O Touro só te emprestou a jaqueta? Eu levantei o queixo. Não permiti que o desespero me tocasse, porque desespero é confissão. Passei a mão lentamente pela manga da jaqueta, como se o tecido fosse a coisa mais irrelevante do mundo. — Ele estava subindo quando eu estava descendo, Miguel.

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