Capítulo 12 - INTERRUPÇÕES, OLHARES E A RAINHA DO DEBOCHE

1057 Palavras
Ainda no centro do ginásio, o ar parecia elétrico. Kaleo e Katleya estavam muito perto. Olhares afiados, respirações pesadas, o decote revelado… Um passo a mais e ninguém ia lembrar que estavam numa área de treino militar. Mas então… — Katleya. A voz… Riven. Fria, Cortante, Carregada de algo que nem o concreto conseguiria conter. Ela se afastou rápido, Arrumou a camisa como pôde, virou o rosto, tentando parecer indiferente. — Riven… — ela disse, seca. O soldado se aproximou, os olhos passando direto por ela e cravando em Kaleo. E então, o clima de guerra fria se instaurou. — Eu não sabia que o treinamento incluía… contato tão próximo — ele disse, olhando de cima a baixo, sem esconder o incômodo. Kaleo não se moveu, A mandíbula marcada dele travou, Os olhos estavam dourados, escureceram um tom. — Eu só sigo ordens, A dela. Kat olhou de um pro outro. Dois homens, Dois mundos, Dois caminhos opostos. — Kaleo foi convocado pro grupo de suprimentos. Tô mostrando os protocolos. Riven cruzou os braços, tenso. — Entendi. Imagino que tenha sido… educativo. Kaleo deu um passo à frente, Devagar, Não de forma agressiva, mas firme. Um leão marcando território. — Se tem algo a dizer sobre meu treinamento, diga com clareza. — Tenho. Mas não na frente de kat. PAUSA. O silêncio carregado, Katleya entre os dois. Ela podia sentir o calor irradiando dos corpos, a tensão prestes a explodir Mas antes que qualquer coisa fosse dita, ela ergueu a mão. — Chega. Isso é ridículo. — Ridículo é você confiar em qualquer um— Riven rebateu. — Ridículo é achar que pode decidir por mim — ela retrucou, afiada. Kaleo não respondeu, Mas os olhos dele ainda estavam cravados no outro homem E Katleya sentiu, Ele não era do tipo que recuava, Só esperava o momento certo pra atacar. Ela saiu andando, furiosa com os dois Mas o pior estava por vir… PÓS-TREINO – E AYLA, A RAINHA DO SARCASMO Quando Kat entrou no alojamento, Ayla já estava jogada na cama, com um sorriso de quem viu tudo e anotou mentalmente pra jogar na cara depois. — Então… — começou Ayla, nem esperou kat respirar — Como foi o protocolo físico de aproximação com toques intensos? — Não começa. Ayla sentou, animada. — Kat, você está com a blusa rasgada. — Cai. — Aham. E ele caiu em cima de você com o olhar. Kat jogou uma almofada nela. Ayla pegou no ar. — E o Riven? Aquela entrada dramática! Senti até o cheiro de ciúmes. Parecia novela. — Os dois vão acabar se matando. — Ou se beijando — Ayla sorriu. — AYLA! — Tô brincando! Ela se aproximou da amiga e cutucou o tecido rasgado. — Quer um conselho? Se for rasgar mais alguma coisa perto do Kaleo, usa um top mais bonito por baixo. Katleya bufou, virando se de costas Mas por dentro… Ela ainda sentia o olhar dele. Descendo devagar, Subindo mais lento Como se tatuasse cada traço dela na memória. O grupo de suprimentos foi designado para achar comida e água potável. Conforme avançavam entre os escombros de uma antiga zona urbana, o céu de nuvens acinzentadas parecia ainda mais pesado. Missão: localizar água potável e recursos utilizáveis. Katleya caminhava à frente, Kaleo, ao lado, Silencioso, Atento, Cada músculo alerta. Riven estava mais atrás, olhava os dois como se estivesse carregando um soco preso na garganta. E Ayla? Sorria como quem estava assistindo à melhor série da vida, Ao vivo. — você viu como ele anda? — sussurrou Ayla no ouvido de Katleya. — Cala a boca. — Andar de macho-alfa, pós-apocalíptico, Tudo de bom. Kat fingiu ignorar Mas sim, ela viu. O jeito que ele estava sempre entre ela e qualquer possível ameaça, Como se o corpo dele fosse uma muralha particular. Até que… Um som, Rápido, Cortante. — ATAQUE! — gritou um dos soldados. Da sombra dos prédios destruídos, surgiu várias criaturas deformadas, com ossos expostos, pele escura como breu e presas de metal saindo das mandíbulas, Corria de quatro, Rápida, Voraz E faminta. O caos se espalhou, Disparos e Gritos Mas Katleya já tinha a lâmina em punho E kaleo com sua espada de titanium preto. então aconteceu. Eles se moveram como um só, Ela girou por baixo, entre as pernas da criatura, Ele pulou por cima, cortando a cabeça de uma das criaturas com um golpe limpo. Ela gritou: — DIREITA! Ele já estava lá. Ela saltou no instante exato em que ele a segurou pela cintura, girando com ela no ar, desviando das garras. Corações batendo no mesmo ritmo, Respirações em sintonia, Olhos que diziam mais que palavras, Ela enfiou a faca na garganta da criatura e Kaleo terminou o serviço com um estalo brutal no pescoço deformado. Silêncio. Corpos tensos. Sangue escorrendo. A criatura caiu. Morta. Kaleo soltou Kat com cuidado Mas os dedos demoraram a largar sua cintura, O olhar dele ficou preso no dela. — Você tá bem? — a voz rouca, baixa. — Tô. Graças a você. Ele assentiu, mas os olhos ainda escaneavam todo o corpo dela, como se precisasse ver com os próprios olhos que ela estava inteira. E então… Riven se aproximou. — Ela não precisa de babá — ele disse seco. Kaleo virou lentamente, os olhos faiscando. — Ela não teve babá. Teve parceiro. — Você gosta de se meter demais. — Só quando alguém não está fazendo o suficiente. Kat respirou fundo, Quase rolando os olhos. Ayla, por outro lado, estava amando. — Eu juro que se os dois tirarem a camisa agora e começarem a brigar no óleo, eu bato palma — ela cochichou pra Kat. — AYLA, PELO AMOR. Riven bufou e se afastou, furioso. Katleya cruzou os braços e olhou pra Kaleo. — Você não precisa provocar. — Ele precisa aprender a não abrir a boca quando não pode proteger com as mãos. Aquele homem era fogo, Tempestade, Território marcado E Katleya estava ficando viciada em estar perto. Ayla se aproximou, sussurrando: — Você viu a pegada dele? Tipo… quando te segurou? — Eu tava lutando por sobrevivência, Ayla. — E eu lutaria por mais cinco dessas criaturas se no fim eu ganhasse um abraço daquele. Kat fingiu não ouvir, mas seu coração estava batendo rápido E o olhar de Kaleo ainda estava nela.
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