Capítulo 11 - CAFÉ, DEBOCHE E ABDÔMEN DEFINIDO

964 Palavras
Katleya m*l tinha saído do quarto e Ayla já estava encostada na porta como uma sombra pronta pra zoar. — Então… como foi sua visita super profissional ao senhor olhos de ouro? Katleya passou direto. — Foi uma apresentação formal ao clã. Nada demais. Ayla veio atrás, rindo. — Ai, sim. Super formal. Um homem daquele te encarando como se quisesse te esculpir com as próprias mãos. Imagina se fosse informal! — Você tem problemas. — Você que tem, amor. Sério, você sonha com ele, desenha ele, defende ele, e agora fica com cara de sonsa. Aceita que tá afundada até o último fio de cabelo, Kat. — Eu não tô afundada. — Claro que não. Só tá flutuando nas águas quentes do desejo reprimido. Katleya jogou a toalha na amiga, mas Ayla desviou rindo como sempre. Quando chegaram no refeitório improvisado, o burburinho já rolava. — Que foi agora? — Kat perguntou, pegando um pão murcho. — Novo integrante confirmado na tropa de suprimentos — alguém disse. — Quem? — Adivinha quem foi convocado pro treino? O Adônis Apocalíptico. O próprio. Kaleo. Katleya quase engasgou no pão. Ayla deu uma cotovelada de leve. — Alguém lá em cima gosta da gente. Bora assistir? Kat fingiu que não tava nem aí, Mas foi E ficou. Sentiu um colapso interno chegando em seu coração TREINAMENTO MILITAR – ÁREA DE COMBATE O grupo de suprimentos fazia treinamentos constantes: resistência, força, técnicas de combate corpo a corpo e lá estava ele, Kaleo. Sem camisa, Calça escura agarrada na cintura, Mãos enfaixadas. Cada músculo marcado como se tivesse sido esculpido por um escultor do futuro. Ele não se exibia, Não sorria, Não flertava, Ele só existia, e isso já era um crime. Katleya tentava manter o foco, Mas quando ele girou num movimento de ataque, travando um oponente com facilidade, as veias marcadas no braço e a linha do abdômen que descia até perder-se na calça… Ayla murmurou: — Amiga, você tá respirando? Eu não tô. Katleya olhou feio. — Cala a boca. — Eu não tô falando, Eu tô rezando, Porque isso é coisa de outro mundo. — Ele não é assim tudo isso. — Você acabou de rolar o olho quando ele girou a cintura. — Foi… alergia. — Alergia ao homem nu. Na arena, Kaleo deu um golpe seco no adversário, que caiu no chão sem conseguir reagir. Ele se virou, os olhos procurando… E encontraram ela. Por um segundo, ele não piscou, Katleya também não. Ayla sussurrou: — Eu vou embora. Isso aqui tá s****l demais pra uma área de treino. Depois do treino, Kaleo foi chamado pra se juntar oficialmente ao esquadrão de suprimentos. A responsável avisou que Katleya seria a responsável por “mostrar a ele os protocolos”. Ayla gargalhou por horas. — ‘Mostrar os protocolos’, hein? Traduzindo: vai passar mais tempo sozinha com o deus grego genético. — Eu odeio você. — Só até ele tirar a camisa de novo. A área de treinamento improvisada ainda carregava o cheiro do suor da manhã. Katleya estava de pé com uma prancheta na mão, tentando parecer profissional, séria, absolutamente inabalável. Só que Kaleo estava andando em sua direção, De novo, Sem camisa. Ela desviou o olhar rápido, Muito rápido. — Pronta pra me ensinar os tais protocolos? — ele perguntou, com aquela voz baixa e ríspida, como se estivesse sempre no limite entre uma provocação e uma ameaça sedutora. Kat limpou a garganta. — Estou aqui pra garantir que você siga as diretrizes do esquadrão de suprimentos. Não pra fazer massagem no seu ego. Ele deu um meio sorriso, Aquilo era perigoso. Ele não sorria E quando sorria… era tipo um raio caindo no mesmo lugar duas vezes. — Ótimo. Porque meu ego não precisa de carinho. Só quero saber o que você pode me ensinar que eu ainda não sei. Ela se virou, apontando os alvos de treino. — Posicionamento. Movimentação com peso. Código de sinais. Tempo de deslocamento. — Hm. — Ele passou atrás dela. Muito perto. — E distanciamento corporal — ela completou, tentando não tremer. Ele chegou ao lado dela. — Isso… eu posso prometer que vou quebrar com frequência. O olhar dela encontrou o dele, Desafio e Tentação. Ela se afastou um passo, jogou a prancheta de lado e foi até o centro do espaço. — Vamos testar sua movimentação, Corrida de resistência com obstáculos. Cinco voltas. — Você vem comigo? Ela ergueu a sobrancelha. — Você aguenta? — Só se você liderar. Eu gosto de seguir de perto. Katleya prendeu o suspiro na garganta e largou o cronômetro. Eles começaram a corrida, Corrida essa que envolvia pular, rolar, passar por troncos queimados, se equilibrar em entulhos… Na terceira volta, ela estava suando. Na quarta, ele ainda parecia uma máquina, Respiração firme, músculos tensos, olhos focados nela E foi aí que ela escorregou. Um pedaço de metal na parede cortou o tecido das sua camisa, Ela caiu de joelhos, mas antes de bater o rosto no chão, Kaleo a segurou pelo braço com força. — Tá bem? Ela assentiu, mas a camisa… rasgada E por baixo a blusa justa de treino com um decote sutil, mas revelador. Kaleo olhou, Só por um segundo Mas foi um olhar que queimava, Que esculpia. — Ótimo protocolo esse — ele disse, a voz mais rouca. Ela tentou cobrir com a mão. — Cala a boca. Ela empurrou o braço dele e se levantou. — Vamos terminar o treino. Ele não respondeu Mas quando passaram pela quinta volta, ele se aproximou mais do que o necessário. A respiração dele tocou o pescoço dela. — Vai ser difícil treinar com você… sabendo o que tem por debaixo da pose. Ela travou e não respondeu, ele sorriu, De novo. Maldito sorriso.
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