O som foi o primeiro aviso, Arrastado e Úmido. Não era humano.
Ela congelou, respirando baixo, sentada no canto da sala subterrânea. Apagou a luz da lanterna. O ambiente cheirava a mofo, ferrugem e… sangue.
— Não… agora não… — sussurrou, agarrando a faca improvisada com a mão trêmula e sua pistola 38 na outra.
Uma sombra se moveu na entrada, Alta, Trêmula, Pele cinzenta, Dentes longos, olhos sem pupilas. Uma das criaturas, Mutação causada pela radiação dos campos biológicos,era Predador noturno E ela estava trancada com um deles.
Katleya não gritou, Ela se moveu e Rolou por trás de uma estante caída. Ouviu o estalo seco da criatura ao farejá-la, O som dos ossos estalando, O rosnado baixo aumentando a cada passo.
Correr?
Lutar?
Morrer?
Seu peito queimava e tinha que aguentar calada. Ela afastou um pedaço de pano preso à lateral da parede e Tomou fôlego, correu direto na direção do monstro, atirando em sua direção, a criatura se protegendo do jeito torto que sabia, sua pele espessa fez com que poucas balas o ferissem brutalmente.
Katleya Gritou indo para cima do monstro carniceiro, se ele a queria, ela não facilitaria as coisas, Golpeou com sua faca afiada mas sendo uma faca improvisada e pequena só fez um arranhão na face do monstro o deixando mais irritado, tentou dar outro golpe e errou, acabou tropeçando e caiu, estava nervosa, sozinha e cansada, estava em seu limite. A criatura cravou as garras no braço dela. A dor fez seus olhos se encherem de lágrimas e um grito alto atravessou sua garganta, o barulho e o cheiro de sangue fez com que outras criaturas escondidas na escuridão se aproximassem também. A criatura a jogou longe e fez com que ela se chocasse contra parede descascada e começou a brigar entre si pelo alimento.
Em seus olhos brilhavam uma luz, Era raiva, Era sobrevivência.
— EU NÃO VOU MORRER AQUI!!!!
O peito queimava não como antes, Agora era dor real, Agonia, Medo. Ele parou no meio do campo de destroços, Vento cortante, Poeira nos olhos Mas ele soube, Sem mapa, Sem GPS. Sem precisar sentir a marca acesa.
Ela estava ali.
A leste.
Próxima.
Ferida.
O coração acelerou tanto que parecia fora de controle.
Os músculos dele começaram a se mover sozinhos.
— Não sei onde você está, mas eu tô indo.
Ele correu.
Rápido.
Como se o mundo estivesse desmoronando atrás dele, Como se a morte estivesse tentando chegar primeiro.
O Sangue em seu rosto escorria e pingava no chão, Pele rasgada, Respiração rasgando os pulmões. Ela rastejou para trás. A criatura avançou depois de ter acabado de matar seu rival que tentou roubar sua comida, kat fechou os olhos.
E então…
Parou.
Um zumbido forte ecoou na sala, kat se agachou tampando os ouvidos com as mãos
A criatura congelou, Como se tivesse sentido algo maior, Mais perigoso.
Ela abriu os olhos..
A criatura havia sumido… fugiu, Como se soubesse o que kat ainda não sabia:
Kaleo estava vindo.
Ela estava em pedaços, O sangue escorria pelo braço, quente e constante, A respiração vinha curta, pesada, Ela cambaleava entre as estantes quebradas no corredor do prédio subterrâneo, tentando manter os olhos abertos, tentando manter a mente focada Mas tudo doía, Tudo girava E o pior… A criatura ou outras poderiam voltar, Ela não estava segura ainda. Kat parou de andar congelada, um rosnado Mais feroz, Mais faminto, Sentindo o cheiro da sua fraqueza. Ela tentou levantar a faca, Sua mão trêmula, fraca e cheia de sangue escorrido.
— Por favor… só mais um minuto…
Um rugido cortou seus ouvidos, A criatura avançou, Ela se armou mesmo frágil, A criatura a jogou de costas no chão e o mundo girava, Tudo ia sumir.
Como uma flecha viva, Como um raio de ódio e salvação, Como morte em forma de homem.
Saltando de uma das colunas destruídas, o corpo girando no ar com uma precisão impossível.
Ele caiu entre ela e o monstro, como um anjo de guerra e puro músculos.
Ela piscou, Estava sonhando?
Não… era real!!!!
O monstro rosnou, mas Kaleo rosnou mais forte e então, a luta começou, o mundo virou sangue e fúria, a criatura veio como um animal, mas kaleo já tinha lutado com dezenas dessas coisas, mas Nenhuma delas, no entanto… Tinha ferido katleya antes. Kaleo esquivou do primeiro ataque com um giro seco, Desferiu um chute lateral que quebrou uma das pernas do Reclamante, Mas a criatura não caiu, Ela apenas gritou Babando uma gosma ácida, e Kaleo puxou uma lâmina presa nas costas, Titanium n***o, Letal, Silenciosa. A luta foi rápida e brutal, Garras rasgaram sua roupa tática, Ele cravou a lâmina no ombro da criatura que grunhiu alto novamente e Ela o lançou contra a parede o batendo seco e chapado, porém ele conseguiu Rolar e se levantar como se nada tivesse doído.
Olhou Katleya caída no chão e viu o sangue no rosto dela. O peito dele queimou ,A raiva o transformou em um animal, sem pensar, Ele correu, Saltou sobre a criatura , A derrubou no chão E esfaqueou o monstro sem parar, Sem hesitar, Sem piedade.
Uma.
Duas.
Três.
Dez vezes.
Até não sobrar mais ameaça, Até o chão virar vermelho, Até a única coisa viva naquele lugar ser o som do coração dele e de katleya. Ele ficou ofegante, Olhou para trás E então…a viu.
Os olhos de kat estavam pesados Mas antes de fecharem… Ela o viu, Sangue no rosto, Corpo ofegante, Olhos de trovão, O homem dos seus sonhos. Ele correu até ela, Ajoelhou, Tocou seu rosto com uma delicadeza impossível pra alguém como ele.
— Katleya…
Ela quis sorrir, Quis dizer “você veio”. Mas o corpo já não respondia, Só deu tempo de ver seus braços a envolvendo, De ser erguida como algo precioso, De sentir o calor dele, real E então… no escuro, Ela desmaiou.