CAPÍTULO 8

732 Palavras
Elizabeth acordou super disposta, o completo oposto do dia anterior. Quando o seu personal chegou a academia do condomínio, ela já havia corrido 5 quilômetros na esteira. Ainda existiam as olheiras de panda e um rosto pálido, denunciando as últimas noites m*l dormidas. O cabelo também era um completo desastre, no entanto, bastou uma ligação e ela recebeu um spa completo no conforto da sua casa. Com direito a massagens, óleos essenciais, limpeza de pele, hidratação no cabelo e o resto do corpo, depilação estava no pacote, unhas e maquiagem também. A dona de um dos salões de beleza mais badalados de São Paulo enviou uma equipe contando com os seus melhores profissionais, e como Eliza pediu, eles também operavam milagres. ••• — Uauuuu… – Marina quase não reconheceu a mulher que encontrou. — Tem certeza que você mora aqui? Porque quando eu saí dessa casa ontem, havia uma moradora de rua acampando nesse apartamento. – Sorriu em aprovação do que via. — Não seja i****a. – Nem o blush conseguiu esconder o rubor. — Como você quer que sua sócia se apresente no dia de assinarmos o primeiro contrato mais importante das nossas carreiras? – Desconversa. — Bem, fantasiada de mendiga que não é! – As duas riram alto. — Está um pedaço de m*l caminho, amiga! Esse tubinho preto combinando com esse sobretudo marsala estão lindos, mas essa meia calças preta com esse scarpin vinil estão matadores. – Marina analisou a morena de cima a baixo. Estava orgulhosa do que via. — Olha, eu confesso que por alguns segundos questionei a minha heterossexualidade. *** Eliza não vestia nada decotado ou curto, o vestido tubinho tinha um zíper que subia da linha do bumbum até a nuca, onde se encontrava numa gola rolê. Não tinha manga, o que deixava os ombros fortes e braços bem definidos à mostra. Apesar de bem justo em seu corpo curvilíneo, moldado por muita musculação e artes marciais, o vestido terminava bem acima dos joelhos. Ela optou por aproveitar o tempo levemente frio e eleger o seu sobretudo de couro que estava há muito tempo sem uso, também lembrou de um Louis Vuitton preto que havia comprado em uma das suas viagens à Paris, porém sempre o achou "too much” para usar sem uma ocasião especial. A pasta de couro de crocodilo preta e uma bolsa social de grife compuseram o look de empresária de sucesso… Seu cabelo estava impecavelmente preso num coque alto. Não havia sequer um fio solto! A maquiagem foi feita em tons frios de marrom, nos lábios um batom nude e mate para arrematar a aparência de uma mulher de sucesso: segura, séria e sensual na medida certa. O perfume foi meticulosamente escolhido. Ela queria deixar a sua marca, porém sem que soubessem que havia pensado detalhadamente em cada peça do seu visual. Então o escolhido foi um amadeirado para transmitir poder, com um leve adocicado que lhe dava a feminilidade necessária para a ocasião e uma pitada de pimenta traziam à tona mistério e luxúria. As caríssimas aulas com a sua stylist foram muito bem aproveitadas. Elizabeth nunca se sentiu tão pronta. Ela sabia bem o que fazia, não havia nada de inocente! *** No prédio da AIT, as advogadas foram recepcionadas por dois funcionários. A primeira as conduziu até o andar da diretoria e o segundo, Jonas, as recebe já na saída do elevador. Após se certificar de que ambas estavam bem instaladas numa sala de espera, se retirou para a sala de reuniões, provavelmente para verificar se tudo estava pronto para a assinatura dos contratos. Ainda faltavam 15 minutos para o horário agendado, mas elas preferiram se adiantar. Afinal, a intenção era demonstrar profissionalismo desde o primeiro contato. *** — Amiga, se você bater mais um pouco esse salto agulha no chão, nosso primeiro honorário será para pagar o piso. – Marina cochichou de canto de lábios. Elizabeth deu-se conta do quanto o seu nervosismo e ansiedade a estavam denunciando. Esticou a coluna e vestiu a máscara de mulher impenetrável e inatingível. Agradeceu mentalmente a amiga quando a porta em frente a elas abriu-se e o gentil funcionário voltou, pedindo que elas o acompanhasse. Ambas prontamente colocaram-se em pé, trocaram um cúmplice e rápido olhar. Eliza sinalizou com a cabeça, dando a entender que estava preparada. Evren cairia de joelhos aos seus pés. Show time!, pensou.
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