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A VETERINÁRIA E O DONO DO MORRO

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Sinopse

Pitbull, 28 anos: um cara fechado, com olhar que derruba e presença que pesa. Não precisa levantar a voz pra impor respeito — o nome dele já faz isso por ele. Frio, bruto e impulsivo, resolve problemas no olhar e não tem tempo pra amor nem paciência pra romance. Seu mundo gira em torno do morro que comanda e da filha Melinda, que cuida com dedicação junto de sua irmã Eduarda. Karine, 23 anos, recém-formada em Medicina Veterinária, dona de um coração gigante e uma coragem surpreendente. Mora num bairro tranquilo da cidade do Rio janeiro e sempre seguiu o caminho certo: estudou, trabalhou e ajudou em casa. Até que, num dia comum, sua vida vira de cabeça pra baixo: encontra um bebê abandonado perto do shopping e, por instinto, leva pra casa pra salvá-lo. O que ela não sabe é que aquele bebê tem pai — e não é qualquer pai: é o Pitbull, o homem mais temido da cidade. O destino, então, coloca dois mundos opostos em choque, e Pitbull descobre que seu coração, por mais blindado que esteja, também sangra.

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cap 01 o dia estava só começa
Pitbull Meu dia começava sempre cedo. Cinco da manhã eu já tava de pé. Sentei na beira da cama com cuidado pra não acordar minha filha, que dormia toda esparramada do meu lado. Melinda tinha o quarto dela, mas às vezes eu deixava ela dormir comigo. Pitbull: Folgada... – murmurei, ajeitando o edredom encima dela. Ela só se remexeu, nem abriu o olho. Ser dono do morro não era mole. Era B.O. em cima de B.O.: vizinho que dá trabalho, droga que chega, polícia que ronda, pivete que vacila. Sempre fui cara do corre. Comecei de baixo, ralando mesmo, e fui subindo de patamar até me tornar o dono. Minha filha veio de um rolo com uma mina que conheci num baile. Quando descobriu a gravidez, disse que não queria saber. Eu quis. Eu assumi. E desde então, é só nós dois e minha irmã. Fui até a janela do meu quarto, já com um cigarro entre os dedos. Minha casa era no alto, de onde dava pra ver tudo: as vielas, o movimento, o morro inteiro acordando. Fumei devagar, vendo o sol começar a surgir lá no horizonte. Esse era o único momento do dia que eu sentia um tipo de paz. Quando terminei, fui pro banho. Tomei um banho rápido, vesti só uma bermuda e cueca, saí do closet e dei de cara com a cena mais bonita do dia: minha filha tentando sentar na cama, os cachinhos todos bagunçados. Pitbull: Ei, pretinha do pai. – falei, já me aproximando e enchendo ela de beijo. Aquela risadinha dela... p***a, aquilo ali acabava comigo. Peguei ela no colo. Bora acordar tua tia? Saí do quarto com ela no braço. Eduarda, minha irmã, era quem cuidava da Melinda quando eu tava no corre. Cheguei no quarto dela, abri a porta com o pé. Ela ainda dormia, toda jogada. Coloquei Melinda na cama, ela engatinhou até a tia e começou a cutucar o rosto dela. Eduarda abriu os olhos devagar. Eduarda: Ei, meu amor... – disse sorrindo, depois olhou pra mim. Já vai sair? Pitbull: Vou. Vim deixar ela contigo. Tenho muita coisa pra resolver hoje, minha cabeça tá a milhão. Eduarda: Até imagino. Depois manda o Natan trazer café pra gente? Pitbull: Mando. Vou pedir ele pra trazer alguma coisa aí pra vocês duas. Fui até Melinda, beijei a testa dela com carinho. Sabia que as duas iam voltar a dormir – ainda era seis da manhã. Desci as escadas tranguilo, com a regata no ombro. Na sala, peguei a chave da minha moto e parti. Vinte minutos depois eu já tava na porta da boca. Cumprimentei os pivetes que trampavam pra mim e fui direto pra minha sala. Sentei na cadeira, abri os cadernos, comecei a mexer nos contatos: droga que ia chegar, armamento vindo de fora, uns problemas com a galera da Zona Oeste. Às nove em ponto, chamei o Natan. Natan: E aí, cara, que foi? – entrou e sentou no sofá da sala. Pitbull: Leva o café da manhã da Eduarda e da Melinda. A essa hora já tão acordadas. – olhei o relógio no celular e era nove cravado. Natan: Beleza, levo. Tirei cem conto do bolso e entreguei pra ele. Já sabia onde comprar e o que levar, não precisava explicar. Ele pegou a grana e saiu. Fiquei ali, sozinho. Abri a gaveta da mesa, peguei outro cigarro, acendi e dei uma tragada funda. Minha mente viajou. No morro, o dia só tava começando. E eu já sentia o peso inteiro dele nas minhas costas.

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