Karine Minhas mãos tremiam, eu entrei na cozinha quase tropeçando nos meus próprios pés. Ainda podia sentir os olhos dele nas minhas costas, como se me perfurassem. Apertei a tampa da lata de leite em pó com força pra tentar parar de tremer. Coloquei a água na mamadeira, acertei a medida... quase queimei meus dedos no processo. Tudo em mim gritava nervoso. O nome dela é Melinda. Agora eu sabia: aquela menininha sorridente que dormiu agarrada comigo à noite... tinha nome, tinha pai – e mãe, talvez. Respirei fundo, tentando engolir o nó na garganta. Terminei de fechar a mamadeira, sacudi com cuidado. A mistura de leite com o silêncio que vinha da sala me deixava ainda mais tensa. Voltei devagar. Eles estavam ali, os dois. O grandão moreno com Melinda no colo. O outro, mais calado, me an

