Capítulo 17 - Hesitação

1027 Palavras
Clara Eu fiquei ali, parada, olhando para as costas de Jason enquanto ele se afastava. Cada passo que ele dava parecia arrancar um pedaço de mim, mas eu não podia correr atrás dele. Não dessa vez. Eu tinha que ser forte, mesmo que isso significasse conviver com a dor. Assim que ele desapareceu na esquina, eu me permiti respirar fundo, mas não consegui evitar que as lágrimas caíssem. Jason sempre soube como mexer comigo, como fazer o mundo parecer menor quando estávamos juntos. Mas agora ele era um homem comprometido, e eu não podia permitir que ele me destruísse mais uma vez. Enquanto enxugava o rosto, meu telefone vibrou no bolso. Era Amélia. A mensagem simples me atingiu como um soco no estômago: “Precisamos conversar.” O que mais ela queria agora? Será que sabia que Jason tinha vindo atrás de mim? Minha mente começou a girar, criando cenários que me deixavam ainda mais tensa. Amélia era inteligente, estratégica. Se ela estava me procurando, não era por acaso. Suspirei e decidi não responder. Pelo menos não naquele momento. Jason Eu andei pelas ruas sem rumo, tentando encontrar sentido em tudo aquilo. Clara estava certa, eu tinha feito minha escolha. Mas viver com essa escolha era uma punição constante. Amélia era boa, perfeita no papel de companheira. Mas ela não era Clara, nem estava perto de ser. Além disso, esse casamento não passa de uma chantagem barata que está acabando comigo. Meu telefone tocou, e eu sabia quem era antes mesmo de olhar. Amélia sempre ligava nos momentos errados, como se tivesse um sexto sentido para as minhas fraquezas. — Jason, onde você está? — Sua voz era doce, mas havia uma ponta de impaciência. — Cheguei agora em casa e não o encontrei por lugar nenhum. Está tudo bem? — Só precisava de um tempo para pensar. — Respondi, tentando não soar frio. — Pensar sobre o quê? Estamos a poucos meses do casamento. Você deveria estar aqui, comigo, planejando nosso futuro. Futuro. Aquela palavra parecia um peso insuportável. Um futuro com Amélia era seguro, previsível, mas vazio. — Eu sei, Amélia. Só... preciso de um momento. — Desliguei antes que ela pudesse responder. A verdade era que eu não sabia o que fazer. Ficar com Amélia era o caminho mais fácil, mas meu coração continuava preso a Clara. E, por mais que eu tentasse, parecia impossível me libertar dela. Clara O dia seguinte foi entediante. Minha madrinha apareceu na floricultura me convidando para jantar com ela e a família de Jason, mas recusei e me senti melhor assim. Descobri também que Catarina é prima de Amélia (não sei como) e Alex sempre soube, mas também nunca me disse nada sobre. Mais tarde naquela noite, enquanto tentava me concentrar em um livro, ouvi uma batida suave na porta. Por um momento, pensei que fosse Jason, mas quando abri, era Amélia. Ela estava impecável, como sempre. O cabelo loiro preso em um coque perfeito, o vestido azul combinando com seus olhos frios. — Posso entrar? — Ela perguntou, sua voz calma, mas cheia de autoridade. Eu hesitei, mas acabei dando passagem. Amélia era o tipo de mulher que não aceitava um "não" como resposta. — O que você quer, Amélia? — Perguntei, tentando manter a compostura. Ela olhou ao redor da minha sala, como se estivesse avaliando cada detalhe, antes de finalmente se virar para mim. — Eu quero entender por que Jason ainda está preso a você. — Sua declaração foi direta, quase c***l. Ela passava os olhos por tudo que eu tinha em cima dos móveis, cada biscuit, cada retrato e tudo... — Eu não sei do que você está falando. Ele é seu noivo, Amélia. Talvez você devesse perguntar isso a ele. Afinal de contas, você o conhece bem melhor que eu. — Eu perguntei. E sabe o que ele disse? Que não conseguia parar de pensar em você. E eu só quero entender o que você fez ou anda fazendo para que isso ainda continue acontecendo. As palavras dela foram como um golpe. Eu queria dizer algo, qualquer coisa, mas nada saiu. — Você pode achar que tem algum poder sobre ele, Clara, mas deixe-me ser clara: Jason é meu. E eu não vou deixar que você destrua o que estamos construindo. Ela deu um passo em minha direção, e eu tive que me segurar para não recuar, porém, me mantive firme para não escapar seu rosto. — Fique longe dele. — Ele é todo seu! Ah, e vê se segura seu homem, porque ele não deixa em paz. E com isso, ela se foi, deixando um vazio ainda maior em seu rastro. Como uma serpente no deserto, deixando seu rastro pela areia fina. Jason Quando cheguei em casa, encontrei Amélia esperando por mim. Ela estava sentada na sala, um copo de vinho na mão e uma expressão calculada no rosto. — Você foi vê-la ontem, não foi? — Ela perguntou sem rodeios. — Amélia... — Não negue. Eu sei que foi. E vou dizer uma última vez, Jason: escolha. Ou ela, ou eu. E digo, se escolher ela, terá também que aguentar as consequências que ela vai trazer também. — Não. Ela não tem culpa de nada disso que está acontecendo ou que aconteceu. Na verdade, a gente nem se ama. A gente nem gosta mesmo Un do outro. Por que você fica insistindo nessa loucura que algum dia ainda vai afundar nós dois? — Insisto nisso porque sei que aquilo foi um acidente, mas que vai acreditar que foi um acidente? Quem vai acreditar que você não o empurrou de propósito? Ninguém. Ah, eu também quero um marido. Quero ter filhos, uma família completa. Entende? Mas... você pode ficar à vontade para escolher ela e vê-la visitando você na prisão, ou pode escolher a mim e ter uma vida tranquila e feliz. Eu sabia que estava na hora de tomar uma decisão, mas, pela primeira vez, não tinha certeza se conseguiria fazer a escolha certa. Não posso fazer Clara passar por mais coisas em sua vida. Talvez esteja mesmo na hora de deixá-la ir. Deixá-la ser feliz como ela realmente merece.
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