Capítulo 19 - Negócios

1442 Palavras
Clara Não demoramos muito no rinque. Jason e eu bebemos alguns drinks antes de cada um tomar seu próprio rumo novamente. Ele me deixou na floricultura e foi embora com seu carro, andando devagar até desaparecer entre a neblina. A noite estava estranhamente silenciosa depois que Jason foi embora. O vento sussurrava pelos galhos das árvores, e o som distante dos carros na avenida parecia um eco de tudo o que eu tentava ignorar. Mas a verdade era que o silêncio externo não refletia o caos dentro de mim. Minha mente era um turbilhão de emoções, meámórias e dúvidas. Voltei para dentro da floricultura, trancando a porta como se isso pudesse proteger meu coração de novos ataques. Sentei-me atrás do balcão, olhando para as flores que tinham sido deixadas para trás no final do dia. Rosas, lírios, girassóis. Cada uma delas carregava um significado, mas todas pareciam desbotadas diante do que eu sentia. Jason sempre teve esse poder sobre mim. Mesmo quando estávamos longe, ele conseguia fazer meu mundo girar ao contrário. Mas, desta vez, eu sabia que não podia permitir. Ele estava preso a Amélia, e, por mais que eu quisesse acreditar que havia algo mais entre nós, a realidade era c***l. A realidade era Amélia e desde que ela chegou, tudo tem sido uma grande desordem. Meu telefone vibrou no balcão, iluminando o ambiente com a tela brilhante. Peguei o aparelho com hesitação, temendo o que poderia ser. E, claro, era uma mensagem dele: "Eu não deveria ter ido até você. Mas precisava. Não sei se consigo seguir com isso, Clara. Preciso de você. Sempre precisei." As palavras dele queimaram como uma lâmina quente. Fechei os olhos, tentando afastar a dor, mas ela era teimosa, recusando-se a me abandonar. Por que ele sempre faz isso? Será que é tão uma pessoa quieta enquanto está seguindo sua vida? Antes que eu pudesse responder – ou mesmo decidir se deveria – outra mensagem chegou. Desta vez, de Amélia. "Espero que minha visita tenha deixado tudo claro entre nós. Não estou brincando, Clara. Mantenha-se no seu lugar. Ele agora é um homem comprometido e nunca quis você, por favor, entenda isso." A bile subiu à minha garganta. Amélia era como um predador, sempre rondando, esperando o momento certo para atacar. Por mais que ela tivesse o que queria – Jason –, parecia que nada nunca era o suficiente. Ela precisava esmagar qualquer coisa que pudesse ameaçar seu controle. Por outro lado, ela tem razão. Ele nunca nem olhou pra mim e agora que voltou, além de estar noivo, é como se tudo que eu sentisse por ele, ele estivesse demonstrando a mim sem o menor interesse possível. Respirei fundo e respondi apenas à mensagem dela: "Não se preocupe, Amélia. Ele é todo seu. Sempre foi e é assim que vai continuar sendo." Enviei a mensagem antes que pudesse me arrepender. E, talvez pela primeira vez, senti um peso sair de cima de mim. Mas, ao mesmo tempo, um novo peso surgiu. A percepção de que, não importa o que eu faça, Jason sempre estará entrelaçado na minha vida. Como um nó que nunca será desfeito. Jason Voltei para casa naquela noite com a mensagem de Clara gravada na mente. “Ele é todo seu." Era como se ela tivesse cravado um punhal em mim, girado, e deixado ali para me lembrar do quanto eu a estava perdendo. Amélia estava na sala, sentada em sua pose habitual de superioridade, com um copo de vinho na mão e os olhos fixos em mim. — Você falou com ela de novo, não foi? — Ela perguntou, sem nem sequer levantar o olhar. — Jason... — Se eu mentire dizer que não, você vai acreditar? — Respondi, passando direto por ela em direção ao meu escritório. — Afina de contas, já tá ficando bem chato esse lance se cobranças. Você não acha? — Ah, mas é, Jason. Tudo é da minha conta. — A voz dela era doce, mas afiada como uma navalha. Parecia que ela queria me provocar. Queria me lembrar do poder que tinha sobre mim. — Por que você faz isso? — Perguntei, girando nos calcanhares para encará-la. — Por que não pode simplesmente me deixar em paz? É dinheiro que você quer? Eu te dou. Me fala o seu valor e acertamos tudo aqui mesmo. Amélia se levantou com graça, colocando o copo de vinho na mesa com calma exagerada. — Porque eu sei o que é melhor para nós dois. E, sejamos honestos, você sabe também. E não me importo com seu dinheiro, quer dizer... bem tanto. Eu quero mesmo é ter um nome na sociedade e você parece servir para isso. — O que é melhor para nós? — Ri amargamente. — Amélia, isso não é um casamento. É uma prisão. E quer saber de uma coisa? Eu não te amo, eu vou f***r você sem nenhum tipo de sentimento, com nojo e repudia e no final, quem sabe eu possa estar ganhando nesse casamento. — E você prefere o quê? Trocar isso pela Clara? Acha que ela vai te proteger quando tudo vier à tona? Porque vai, Jason. Cedo ou tarde. E quando isso acontecer, você vai me agradecer por estar ao seu lado. Ela se aproximou de mim, seus olhos frios queimando os meus. — Você tem até amanhã para decidir. — Vai se f***r, Amélia. E com isso, ela saiu da sala, deixando-me sozinho com meus pensamentos. Clara A campainha tocou na manhã seguinte, e eu me arrastei até a porta, esperando que fosse Alex ou minha madrinha com algum convite para “me animar”. Mas não era nenhum deles. Era Jason. Ele parecia desgastado, como se tivesse passado a noite em claro. Seus olhos estavam vermelhos, sua camisa amarrotada. Mas, ainda assim, ele tinha aquele olhar. Aquele olhar que sempre me destruía. — Jason... são oito horas da manhã, o que você tá fazendo aqui? — Eu... eu quero pedir desculpas por ter deixado você sozinha ontem. Eu deveria... eu queria... — Você não pode continuar fazendo isso. Não pode ficar brincando com os sentimentos das pessoas dessa forma, Jason. — Eu sei. Mas eu também sei que não consigo ficar longe de você, Clara. Ele deu um passo à frente, e, instintivamente, dei um passo para trás. — Isso não é justo. — Minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Nem comigo, nem com ela. Muito menos comigo! — Nada disso é justo. — Ele rebateu, sua voz carregada de emoção. — Mas eu estou preso, Clara. Preso a um passado que não consigo consertar, a uma culpa que não consigo apagar. Um dia você vai entender, mas eu não posso fazer tudo que tenho vontade, ainda não. Havia lágrimas em seus olhos agora, e isso me quebrou de uma maneira que eu não estava preparada. — Eu queria... — Ele continuou, a voz quase um sussurro. — Eu queria poder ser o homem que você merece. — Então seja. — Respondi, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. — Mas isso não vai acontecer enquanto você estiver com ela. E por favor, vai embora. A coisa que eu menos quero hoje é problemas para mim. Estou cheio de coisas para resolver e ninguém se importa. O que você faz para me ajudar? Nada, Jason. Você só vem atrás de mim pra ferrar com a minha vida e nada mais que isso. Depois vai embora e continua fingindo que eu sou uma desconhecida. Ficamos ali, parados, encarando um ao outro, como se o mundo inteiro tivesse parado de girar. E, por um breve momento, eu quis acreditar que as coisas poderiam ser diferentes. Mas eu sabia que não seriam. Não enquanto ele continuasse dividido entre mim e Amélia. Jason finalmente deu um passo para trás, quebrando o contato visual. — Eu vou encontrar uma maneira de concertar as coisas, Clara. Eu prometo. — Eu estou cansada de viver de promessas, Jason. Também não sou mais uma garotinha que acredita em tudo que me dizem. Eu sei que a vida adulta não é bem assim. Embora às coisas sejam fáceis, a gente faz questão de deixar tudo complicado para ter um motivo para brigas e discórdias. Ou estou errada? E então ele se foi novamente, deixando-me sozinha mais uma vez. Mas, desta vez, algo dentro de mim sabia que as coisas estavam prestes a mudar. E não necessariamente para melhor. Antes que eu pudesse fechar a porta novamente, Marlon, o advogado apareceu com um largo sorriso no rosto e alguns papéis em sua maleta. — Bom dia, senhorita. Tem um minuto?
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