Clara
Os sons da festa ecoavam em minha cabeça enquanto eu cambaleava pelas ruas. A música pulsava, mas eu só sentia um vazio. O álcool havia me tomado por completo, e eu precisava de algo que não fosse um copo na mão. Não costume beber ao ponto de sentir meu corpo adormecer, mas hoje, acho que a única coisa de que eu preciso é exatamente disso. Mas por ora, Icy já não era mais o meu lugar.
Caminhei pela ruas desertas e frias, sentindo meu corpo suplicando por ajuda em silêncio, foi quando entrei no bar, reconheci alguns rostos familiares. Alex estava lá, acompanhado com alguns de seus amigos, mas meu olhar foi direto para Jason. Ele estava em uma mesa, rindo, mas logo seu sorriso desapareceu quando me viu. As lembranças do nosso último encontro ainda estavam frescas.
— Clara! — Ele chamou, levantando-se e vindo em minha direção. Como se eu fosse sua prole.
— Não, Jason. Hoje não, por favor. Vamos manter a distância necessária — gritei, tentando me afastar. A pressão em meu peito aumentava, enquanto eu tentava lidar com o turbilhão de pensamentos que me descansavam ali.
— Você não parece bem. — Ele se aproximou mais, preocupado. — Me deixe te ajudar, Clara.
— Eu não preciso da sua ajuda! — protestei, mas meu corpo começou a se rebelar. Eu sentia tudo girar. — E eu tô bem, só preciso de alguma coisa para me refrescar um pouco. Tá calor, né?
— O que está acontecendo com você ultimamente? — Eu iria respondê-lo, mas senti os sinais antes mesmo que eu pudesse lhe dar uma resposta.
E então, em um momento de desespero, tudo se tornou um borrão. O conteúdo do meu estômago se projetou para fora, atingindo Jason bem em seu peito.
— Oh, não! Que merda, Clara. — Ele gritou, fazendo uma careta de surpresa e nojo. — p***a!
As risadas no bar silenciaram, e eu não pude evitar a onda de vergonha que me consumiu.
— Me desculpe, não era essa minha intenção! — eu gaguejei, mas as palavras saíram como um sussurro. Sair andando antes que o caos se tornasse parte de mim.
Tentei ignorar a sensação de pânico que crescia dentro de mim. O que eu estava fazendo? A noite havia se transformado em um pesadelo, e eu só queria escapar.
Consegui chamar um táxi e entrei rapidamente, esperando que Jason não conseguisse me seguir. Mas, mesmo assim, sentia seus olhos nas minhas costas.
— Para onde? — o motorista perguntou.
— Para casa, por favor! — respondi, sentando-me no banco de trás, tentando me recompor. O motorista já era conhecido e por isso já sabia onde eu morava.
Jason
O que havia acontecido? Eu estava tentando ajudar Clara e, em vez disso, acabei sendo alvo de seu vômito e da sua irá.
— Que droga! — eu exclamava, olhando para a camisa que agora estava suja.
Ela apenas olhou para mim, seus olhos cheios de culpa, mas logo a expressão mudou. Como se tentasse controlar o incontrolável, mas eu a conheço bem para saber que nada está bem.
— É melhor a gente manter distância, Jason. Eu sou uma mulher solteiro e você é um homem noivo, não pegaria bem a gente ser visto no mesmo ambiente. — E assim, ela correu até a saída do bar, me deixando sem palavras e reação.
— Clara, espere! — gritei, mas ela já estava cambaleando pela calçada. Completamente desesperada por uma saída.
Corri atrás dela, mas quando cheguei à calçada, Clara já havia desaparecido em um táxi. Frustrado e preocupado, eu não sabia o que fazer.
— Droga! — resmunguei, pegando meu celular e liguei para Alex, ele com certeza sabe onde encontrá-la.
— Quem é? — Alex atendeu, sua voz cheia de curiosidade.
— Clara... Ela estava aqui e... eu preciso encontrá-la. — expliquei, ainda tentando processar o que acabara de acontecer.
— Calma! O que aconteceu? — ele perguntou, claramente preocupado.
— Ela... vomitou em mim. — respondi, minha voz saindo como um sussurro de vergonha. — E depois correu, pegou um táxi e eu não alcancei ela a tempo.
— Sério? — Alex riu, mas logo se tornou sério. — Você a viu sair? Para onde ela foi?
— Um táxi, eu acho. — Olhei em volta, tentando ver se conseguia alguma pista. — Ela não estava bem. Preciso ir atrás dela. Achei que você poderia me ajudar.
— Ela deve ter ido para casa. Vou enviar o endereço por mensagem e eu juro, que se você fizer merda novamente, quem vai acabar com a sua raça sou eu. E vê se não enche o saco dela, você agora é noivo.
Alguns segundos depois, a mensagem chegou e nela havia o endereço de Clara. Peguei meu carro e fui até o endereço, por sorte, hoje não bebia nada e por isso não tenho motivos para não dirigir até lá.
Clara
Quando cheguei em casa, a febre começou a me atingir. Eu me joguei no sofá, tremendo e com náuseas. O álcool se misturava à minha dor emocional. O que eu fiz? Eu só queria me divertir um pouco. Mas a angústia e o m*l estar só piorava.
— Por que eu não consigo parar de vomitar? — perguntei a mim mesma, enquanto tentava me acomodar na pia do banheiro, que ficava no chão.
Minutos depois, ouvi um barulho na porta. Meu coração acelerou. Era Jason, e eu não estava pronta para vê-lo novamente. Ignorei as primeiras chamadas e não me levantei, mas ele é ousado, sempre invadindo o meu espaço, sem ser preocupar com nada.
— Clara! — Ele gritou, abrindo a porta. Como se estivesse me vendo morrer.
— p***a, Jason. Como você consegue ser tão gato? Digo, chato. Qual é, vai atrás da sua noiva e me deixa em paz. Eu já pedi desculpas pela sua camisa, não pedi? — tentei parecer firme, mas minha voz estava trêmula.
— Você não está bem, Clara. — Ele se aproximou, preocupado. Mas, desde quando ele se preocupa com algo que não seja ele mesmo? — Você precisa de ajuda e eu não vou embora.
— Não! — eu gritei, a raiva e o medo se misturando. — Não venha aqui e pense que pode me salvar. Não venha querer confundir meus pensamentos novamente. Você se aproxima, depois me larga como se eu fosse um nada. E sabe de uma coisa? Eu estou cansada disso. Cansada de ser o seu brinquedo.
— Isso não é verdade e você sabe disso. Você sempre foi importante para mim, você sempre soube disso, embora não queria admitir, você sabe que sim. — Ele parecia irritado, mas havia algo mais em seu olhar, como se estivesse tendo um flash back do que éramos antes — Você está passando m*l e queria você ou não, eu não vou deixar você aqui sozinha.
E então, sem aviso, a febre tomou conta de mim, e eu caí novamente, vomitando mais uma vez. A visão ficou turva enquanto a realidade girava em torno de mim.
Jason
Quando Clara caiu, meu instinto foi correr até ela.
— Ei... — Eu a segurei, tentando fazer com que ela se sentisse melhor. — Tá tudo bem. — Disse ainda segurando seu corpo.
— Acho que vou... vomitar de novo... — ela gemia, e eu me senti impotente por não poder fazer nada para ajudá-la.
— Talvez você devesse ir ao hospital. Você pode estar desidratada. — Fui honesto, preocupado com o seu bem-estar, mas seu olhar de apavoro me fez repensar no que eu disse.
Ela me olhou nos olhos, e pela primeira vez vi uma fraqueza que não era só física.
— Jason... você acha que eu estou grávida? — Ela perguntou, e meu coração disparou.
— Grávida? — Eu não esperava isso. — Você... ainda é virgem?
— Sim! — Ela exclamou, a frustração em sua voz. — Não importa o que você pensa, eu sou virgem, e isso não tem nada a ver com você! — É, ela estava mais bêbada do que eu imaginei que estivesse.
Fiquei surpreso. Aquilo mudava tudo. Não era sobre eu ter perdido a chance de estar com ela, mas sobre como o nosso destino parecia tão implacável. Como eu pude ser tão burro?
Clara
A confusão tomou conta de mim, e a febre me deixava tonta. Eu não sabia como me sentir. As emoções estavam à flor da pele, e as lágrimas começaram a escorregar pelo meu rosto. Me senti fraca e imponente. Sem ação para nada.
— Eu só queria que as coisas tivesse m sido diferente, Jason. — confessei, a voz embargada. — Quero que você esteja aqui por mim, mas você não pode. Você nunca pôde.
Ele apenas escutava tudo que eu estava dizendo, mas não respondia nada a respeito e então, eu percebi que não passava de um tanto faz.
— Clara, eu não sei como mudar as coisas. — Ele disse, tentando controlar o desespero. — Mas não vou deixar você assim. Eu não vou te abandonar.
— Você não pode me ajudar, infelizmente .— Disse me afastando e tirando minha blusa que estava suja. — Você tem uma noiva, Jason. Não quero ser uma segunda opção. Se bem que eu nunca fui opção nenhuma, porque você nunca fica sem opções.
O que mais eu poderia dizer? Aquilo parecia tão verdadeiro. Mas uma parte de mim se recusava a desistir dele. Maldito, Jason. O domínio que ele tem sobre mim, não é normal.
— Não sou sua segunda opção. — As palavras saiam de mim antes que eu pudesse pensar. — Eu só preciso de tempo para resolver tudo isso. Talvez possamos ser amigo no futuro.
O tempo parecia um luxo que eu não tinha. A febre e a dor me consumiam, e eu só queria que tudo ficasse claro.
— Jason... — eu disse, a voz quebrando. — Vai embora..
E naquele momento, percebi que a luta não era apenas por ele, mas também por mim mesma.
Jason
Seu estado era deplorável e o meu também. Tirei minha camisa, liguei o chuveiro e a levantei do chão.
— Você precisa de um banho. Eu vou ajudar você. — Ela não disse mais nada, nem tentou resistir e levantou-se sem retrucar.
Tirei sua roupa, a deixando somente de calcinha e ajudei ela a entrar debaixo do chuveiro. Não quis ser invasivo, mas se eu a soltasse, ela iria cair no chão e tinha vômito até em seu cabelo.
Sem segundas intenções, abracei ela pelas costas e lhe ajudei a ficar de pé. Lavei seus cabelos, ensaboei suas costas e a ajudei a ensaboar seus s***s, barriga e afins... Após isso, vesti um roupão nela e a coloquei na cama. Ela não disse mais nada, apenas bebeu água e foi dormi. Não dando mais a mínima para minha presenta ali.