Capítulo 12 - Uma Pequena Gentileza

1372 Palavras
Clara A manhã chegou com o brilho c***l do sol invadindo a sala. Meu corpo estava pesado, mas minha mente, ainda mais. Jason estava sentado na poltrona ao lado, o rosto cansado, mas atento. Quando percebi, ele já tinha preparado um chá e deixado na mesinha à minha frente. — Como você está? — ele perguntou, quebrando o silêncio e surgindo do nada, me dando um enorme susto. — Melhor, eu acho — respondi, a voz ainda rouca da noite anterior. Ele parecia aliviado, mas ainda carregava aquela tensão que vinha se tornando constante entre nós. Antes que pudesse dizer algo mais, meu celular vibrou no bolso do meu casaco. Era Helena, minha madrinha. — Bom dia, querida! Preciso de sua ajuda hoje — disse ela, com seu tom animado. — Vou escolher as rosas para o casamento do Jason e da Amélia. Meu corpo congelou. Jason desviou o olhar, claramente desconfortável. — Claro, Helena. Onde e que horas? — respondi, tentando manter minha voz neutra. — Nos encontramos na floricultura às dez. Desliguei, tentando ignorar o olhar de Jason. — Vai mesmo? — ele perguntou, sua voz baixa, mas firme. — Por que não? Não é como se eu pudesse fugir disso para sempre. Jason Ver Clara agir como se nada a afetasse era ao mesmo tempo admirável e doloroso. Ela tinha essa capacidade de esconder o que realmente sentia, mas eu sabia que por dentro estava quebrada. — Não precisa ir se não quiser, Clara — arrisquei dizer, mas ela apenas deu de ombros. — Já estou acostumada a fazer o que é esperado de mim, estou errada? — Sua resposta veio com um sorriso amargo. Antes que pudesse insistir, ela já estava se levantando e se preparando para sair. — Você não vai comer nada? Se quiser, eu te levo. — Tentei manter a calma, enquanto ela me ignorava completamente. — Você nem deveria estar aqui. — Ela estava fria e insensível, mais que o normal e isso me assusta. — Obrigada por me ajudar, mas agora já pode ir embora! — Clara... — Por favor, Jason. A gente já não tem mais nada para conversarmos. Tudo acabou, tudo que nem começamos e agora você está aqui, como se nada tivesse acontecido e sabe o que mais me irrita? Sua falta de caráter, agora saí daqui, por favor. Sair antes que eu pudesse perder a cabeça. Sem dizer mais sequer nenhuma palavra. Por dentro, eu estava morrendo em silêncio e por fora, tentava manter a matéria intacta. Clara A porta bateu e eu senti um vazio horrendo tomar conta de mim, mas me mantive forte e fui experimentar do café que ele havia deixado pronto na cozinha. Para ir até o encontro com minha madrinha, escolhi um vestido longo lilás, sem decotes ou detalhes e por fim, estava me sentindo vazia e bonita. A floricultura estava cheia de cores e aromas que normalmente me trariam paz, mas hoje apenas intensificavam meu desconforto. Helena estava animada, gesticulando para os arranjos enquanto os funcionários mostravam diferentes combinações. Ana estava animada, enquanto lhe apresentava as orquídeas e tulipas. Mas, os gostos de Helena são bem melhores que isso, não me surpreende se o casamento for perfeito. — Essas rosas vermelhas são perfeitas para o altar — ela dizia, segurando um buquê exuberante. — O que acha, Clara? — São lindas — respondi automaticamente, minha mente distante. — Mas a senhora não acha que para o altar algo com menos intensidade ficaria melhor? Digo porque, Amélia parece ser tão delicada. Foi então que os vi. Jason e Amélia entraram, conversando baixinho, mas suas presenças enchendo o espaço. Ele parecia tenso, enquanto ela exibia aquele sorriso confiante que sempre me incomodou. — Jason! Amélia! — Helena chamou, acenando para eles. — Venham, não podemos fazer isso sem os noivos. Eles se aproximaram, e eu tive que reunir todas as minhas forças para manter uma expressão neutra. — Clara, que bom que veio! — Amélia disse, seu tom doce, mas com aquela pontada de superioridade. — Helena disse que você tem um ótimo bom gosto. — Não podia recusar um pedido da Helena — respondi, forçando um sorriso. Jason Ver Clara ali, tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante, era como caminhar sobre uma navalha. Amélia falava animadamente com Helena, mas meu olhar era constantemente puxado para Clara. Ela evitava me encarar, e aquilo me incomodava mais do que eu queria admitir. — O que acha dessas rosas, Jason? — Amélia perguntou, segurando um buquê de lírios. — São bonitas — respondi distraído, sem realmente prestar atenção. Foi Clara quem interveio, sua voz cortante. — Acho que as vermelhas são mais adequadas para a ocasião. Amélia arqueou uma sobrancelha, surpresa, mas logo sorriu. — Você sempre teve bom gosto, Clara. Talvez devesse nos ajudar a organizar o resto da decoração. — Não acho que seria apropriado — Clara respondeu, mantendo a compostura, mas com uma firmeza que me fez admirá-la ainda mais. — Eu não sou decoradora, só vim ajudar Helena. — Mas deveria. Você é uma ótima organizadora, se continuar a ajudar Helena, tenho certeza que o casamento será um sucesso. — Maldita Amélia, que não consegue ficar de boca fechada. Clara A tensão no ar era quase palpável, mas eu me recusava a recuar. Jason parecia desconfortável, e Amélia, embora tentasse disfarçar, percebia isso. Eu não deveria ter aceito isso, poderia ter inventado qualquer coisa ao invés de estra presente aqui hoje. — Acho que temos o suficiente por hoje — Helena finalmente disse, interrompendo o momento. — Vamos levar as rosas vermelhas e brancas. Um toque clássico e romântico. — Perfeito — Amélia concordou, lançando-me um último olhar antes de pegar o braço de Jason e puxá-lo para fora. Enquanto eles saíam, senti uma mistura de alívio e vazio. Estava claro que Jason não tinha coragem de tomar nenhuma atitude. — Clara, você está bem? — Helena perguntou, sua expressão preocupada. — Parece tensa demais desde que chegamos aqui. — Estou — menti, forçando um sorriso. — Vamos terminar logo com isso e depois sair para comemorar a vida. A ajudei com as últimas escolhas, que foram arranjos de tulipas e lírios, enquanto Helena se desdobrava a conversar com o pessoal que estava lá para ajudar. Queria me negar a isso, já que a floricultura agora é minha, mas nada melhor que presentar alguém com sarcasmo. — Amélia disse que acertará tudo com você em breve, tudo bem querida? — Sem problemas, madrinha. Jason Do lado de fora, enquanto Amélia falava sobre os preparativos, minha mente estava longe. Clara estava tão perto, mas parecia inalcançável. Cada palavra dela, cada olhar, eram como lembretes do que eu estava prestes a perder para sempre. — Jason, você está ouvindo? — Amélia perguntou, interrompendo meus pensamentos. — Sim, claro. — Respondi, tentando esconder o peso em minha voz. Mas a verdade era clara: eu estava mais dividido do que nunca. E como se não fosse suficiente vê-la de longe, ela se aproximou com um sorriso no rosto, mas evitando me encarar e sempre mantendo contato visual com Amélia. — Eu só queria dizer que não precisa se preocupar com nada quando aos arranjos, será um presente de casamento da minha parte e espero que goste. — Clara olhava para Amélia que sofria feliz. Aquilo era c***l, ela estava se doando mais que o normal por uma coisa que está a machucando e só ela não admite. Sem esperar, Amélia lhe abraçou e aquilo a pegou de surpresa, mas Clara não retribuiu o abraço, pelo contrário, ela se afastou e saiu sem dizer nada, nem olhou para trás. Clara saiu com minha mãe, dando risadas e conversando sobre algo engraçado. Entraram no carro e foram embora. — Sua meia-irmã é tão estranha. Não sei se quero ela no nosso casamento, Jason. — Ela não é minha meia-irmã. Ela não é estranha e pode ter certeza que ela não vai estar, mas porque ela não vai querer e não porque você não quer. — Respondi casando e sem pensar, só não imaginei que isso fosse levantar sua irá. — Pois lembre-se que a partir de agora é melhor que nós dois concorde com minhas decisões, Jason.
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