Capítulo 4

1599 Palavras
Jason Degritte Jason teve que usar toda a força de vontade para manter o foco. Porque a primeira coisa que seus olhos captaram, por puro instinto masculino, foi a garota de baby doll minúsculo, curto demais para qualquer noção de decência, deixando à mostra pernas longas e pele dourada sob a luz amarela do corredor. O tecido leve m*l cobria o que deveria, moldando cada curva de um jeito provocativo. Ele prendeu a respiração por um segundo, sentindo o estresse e a irritação misturarem-se a algo ainda mais incômodo. "Olha pro rosto, Jason. Pro rosto, caralho."Forçou o olhar para cima, para o rosto dela. E aí a ficha caiu. Os traços delicados, a boca macia, os olhos grandes e sonolentos... ele reconheceu. Era a mesma garota do elevador mais cedo, a que parecia perdida, meio aérea. Mas não só isso. Agora, olhando melhor mesmo com o cabelo bagunçado, os olhos semi-fechados de sono e a garrafa de vodka na mão, Jason soube exatamente quem era. Hilary Clay. A princesinha decadente das manchetes. A cantora que dominava tabloides mais pelas confusões do que pelas músicas ultimamente. Escândalos, rumores de overdose, reabilitações fracassadas, términos públicos e ressurgimentos ainda mais vergonhosos. As palavras "drogada", "problemática", "polêmica" vinham quase coladas ao nome dela em qualquer artigo de revista. Jason sentiu um gosto amargo na boca. Desdém puro refletido em seu olhar frio. Claro que seria ela. Claro que, na primeira noite que ele tentava alguma paz em meses, seria a maldita popstar descontrolada que teria a suíte ao lado. Hilary piscou de novo para ele, confusa, segurando a garrafa como se fosse parte do corpo, o sorriso meio torto, despreocupado demais pro estado deplorável que apresentava. Jason cruzou os braços, a postura rígida, dominante.— Você faz ideia do que tá fazendo garota? — rosnou, a voz grave e carregada de sarcasmo. — Ou vai fingir que é normal fazer uma boate particular às duas da manhã num hotel? Hilary soltou uma risadinha baixa, encostando a cabeça no batente da porta como se estivesse relaxada, como se aquilo tudo fosse uma piada particular dela. Jason estreitou os olhos, a paciência pendurada por um fio.— Abaixa essa merda de música! — completou, a voz cortante como navalha. Se Hilary percebeu o desprezo no tom dele? Provavelmente. Mas se importou? Era outra história. O olhar dela parecia tão perdido quanto provocativo, e Jason se deu conta, com uma irritação ainda maior, que ela nem fazia ideia do estrago que causava simplesmente existindo daquele jeito imprudente e displicente. E ele não era babá de celebridade problemática.Ele só queria dormir... Ela piscou de novo, lenta, como se precisasse de uns segundos a mais para entender o que Jason tinha acabado de dizer. A música ainda vibrava atrás dela, abafando um pouco os sentidos. A garrafa de vodka pendia esquecida na mão, balançando de leve. Ela inclinou a cabeça de lado, com aquele meio sorriso preguiçoso e encantadoramente inconsequente. Os olhos claros percorreram descaradamente o corpo de Jason de cima a baixo do peito largo até o músculos definidos do abdômen, e ela soltou um risinho rouco, arrastado. — Caaalma aí, gostosãoo... — disse, a voz macia, meio embriagada, como se estivesse fazendo um favor monumental em pedir calma para ele. Jason travou o maxilar com força. Se já estava irritado antes, agora sentia a raiva misturada com um incômodo ainda pior: a maldita consciência do próprio corpo respondendo, apesar de todo o desprezo que sentia. Hilary deu mais um passo, cambaleante, até apoiar a mão livre no batente da porta, os olhos ainda cravados nele como se estivesse analisando um prato muito apetitoso num cardápio. — Você tá muito... — ela fez um gesto vago com a mão, quase derrubando a vodka. — Muito... sem camisa pra vir brigar comigo, sabia? Ela soltou uma risada curta, leve, como se estivesse dividindo um segredo íntimo só entre os dois.Jason respirou fundo, sentindo a paciência se estilhaçar como vidro fino. — Abaixa. Essa. Merda. — repetiu ele, pausadamente, a voz carregada de uma raiva gélida, ignorando o jeito como os olhos dela ainda insistiam em passear pelo seu corpo. Hilary apenas sorriu mais, meio zonza, apoiando o ombro contra a porta como se estivesse prestes a escorregar para o chão a qualquer momento. E Jason soube, naquele segundo, que lidar com aquela mulher seria um inferno muito pior do que uma simples música alta às duas da manha. ___________________________________________ Hilary Clay A cabeça dela girava um pouco, mas de um jeito gostoso. A batida da música no quarto parecia pulsar dentro do peito, misturando-se ao calor da vodka queimando na garganta. O corredor parecia meio torto, mas não importava. Nada importava. Hilary deu mais um gole na garrafa, sem nem perceber que metade do conteúdo já tinha desaparecido. E então... Então ele apareceu. Um deus grego m*l-humorado, de calça moletom e peito nu, parado na frente dela como se tivesse saído direto de uma daquelas fantasias idiotas que ela ria nas sessões de fotos. Hilary piscou, tentando processar a visão o abdômen definido, os ombros largos, a pele marcada por pequenas cicatrizes que contavam histórias que ela queria muito ouvir. Era muita testosterona para uma porta de hotel comum. Muita testosterona para uma terça-feira qualquer. Ela deixou escapar um risinho baixo e rouco, apoiando a mão na madeira fria para não cair para frente. Céus, como ele era bonito... Até irritado, até com aquele olhar de quem queria esganá-la, ele era simplesmente... delicioso. Ele dizia alguma coisa sobre música, sobre barulho, sobre baixar o volume. Mas Hilary só conseguia focar no peito dele subindo e descendo com a respiração pesada. Ela inclinou a cabeça de lado, sorrindo torto. — Caaalma aí, gostosão... — murmurou, a língua enrolando levemente no "gostosão", arrastado. A expressão dele endureceu ainda mais, o maxilar saltando. Hilary achou adorável. Ela deslizou um passo para frente, a ponta dos pés descalços roçando no tapete caro do corredor. Levantou a garrafa numa tentativa patética de manter o equilíbrio e, meio que sem querer, apontou de novo para o corpo dele. — Você tá muito... muito... sem camisa pra vir brigar comigo, sabia? Outra risadinha escapou dela, descompassada, calorosa. Tudo parecia engraçado naquele momento. Ele, ela, a música que ainda pulsava no fundo como uma trilha sonora de filme r**m. Hilary piscou devagar, apoiando o ombro contra a porta, e deixou a cabeça pender um pouco para trás, observando-o de baixo para cima, como se estivesse desafiando-o a fazer alguma coisa. O mundo girava um pouquinho, mas ela estava confortável ali.Ele estava falando de novo voz firme, grave, cortante exigindo que ela abaixasse a música. Tão mandão. Tão autoritário. Tão gostoso... Hilary abriu ainda mais o sorriso, sem levar nada a sério. Porque era isso que fazia melhor: transformar qualquer problema em um jogo. No fundo, uma vozinha meio lúcida sussurrou que talvez devesse se preocupar, que talvez aquele cara não fosse o tipo de pessoa para provocar bêbada num corredor vazio. Mas Hilary era boa em ignorar vozes sensatas.Especialmente quando, em frente a ela, estava alguém que parecia capaz de fazer até o inferno se calar. E se ela fosse muito sincera consigo mesma "coisa rara" talvez admitisse que, pela primeira vez em muito tempo, ela estava realmente se divertindo. Ele continuava ali, duro feito uma estátua, todo irritado, todo certinho, todo... delicioso. Hilary não sabia exatamente o que se passava na cabeça dele provavelmente algum sermão mental sobre limites, responsabilidade, essas chatices que adultos de verdade levavam a sério. Mas ela? Ela só conseguia pensar que seria um crime deixar aquele homem sozinho no corredor, tão tenso, tão cheio de raiva fervendo por baixo da pele perfeita. Com um sorriso preguiçoso e sem nem raciocinar direito, ela soltou a garrafa de vodka no chão, que caiu com um "thump" surdo, vodka derramando no tapete caro. Pouco importava. Se apoiando no batente da porta, Hilary esticou os braços e enroscou os dedos no colarinho inexistente dele ou melhor, na pele quente e nua do ombro de Jason. Ele congelou no lugar, como um lobo prestes a morder. — Vem... — sussurrou, puxando-o com uma força que m*l teria em sã consciência. — Vem brigar aqui dentro... gostosão... O sorriso dela era puro desafio bêbado, inconsequente, provocando como quem brinca com fogo achando que nunca vai se queimar. Jason travou, duro como pedra, e por um segundo Hilary quase achou que ele fosse se afastar, que fosse se libertar daquele toque e mandá-la se ferrar de vez. Mas não. Ele não se moveu. Não ainda. Talvez porque estivesse chocado demais. Talvez porque, apesar de toda aquela pose irritada, estivesse tão ciente quanto ela da faísca absurda queimando no ar entre os dois. Hilary riu baixinho, sentindo-se ousada, invencível, anestesiada de tudo. Ela deu meia-volta, ainda segurando o braço dele com um toque leve, e caminhou cambaleando para dentro do quarto, puxando-o com ela. A música alta vibrando nas paredes como um segundo coração batendo descompassado. E Hilary se sentia perfeita naquele caos. Sem soltar Jason, ela virou para ele, tropeçando um pouco, rindo, os olhos brilhando de provocação infantil. — Agora você pode me prender... se quiser... — sussurrou, com um sorriso torto e malicioso, deixando a ponta da voz embriagada e carregada de segundas intenções. Ela não sabia o que esperava dele. Uma bronca? Um grito? Um sermão? Talvez até um beijo. No fundo, no fundo, Hilary não se importava. Naquele momento, ele era só mais uma fuga, mais um perigo delicioso para se jogar de cabeça antes que a realidade voltasse a cobrar o preço...
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