Capítulo 2: Primeiras Impressões

1197 Palavras
Jason Degritte Jason saía do elevador ajustando o relógio no pulso, a cabeça ainda meio desligada, focado apenas em achar algo decente para comer enquanto respondia mensagens no celular. Quando as portas se abriram, a primeira coisa que chamou sua atenção foi a jovem encostada na mala, mascando chiclete com um ar de puro desdém. Ele a viu, cabelos loiros bagunçados de um jeito natural e bonito, a pele dourada, os olhos verdes meio semicerrados pela exaustão e, por um instante, pensou "bonita...", mas foi só isso. Um pensamento breve, automático, quase um reflexo. Seu cérebro disciplinado ignorava esse tipo de distração com facilidade. Só que antes que pudesse seguir em frente, ouviu a voz dela, clara, com um inglês carregado de um leve sotaque italiano, cortando o silêncio com ironia: - Ah, claro... Itália cheia de playboyzinhos mimados correndo pra lá e pra cá. Que surpresa... Jason arqueou uma sobrancelha, surpreso com um sorrisinho de lado. Não era todo dia que alguém tinha a audácia de falar algo assim... e claramente se referindo a ele. Ele não respondeu, jamais daria esse gosto. Apenas continuou andando, mas lançou, de canto de olho, uma rápida olhada para o elevador, pegando a última imagem dela antes das portas se fecharem. Havia algo de familiar nela... algo que lhe deu a incômoda sensação de que já a tinha visto antes. Talvez em algum lugar, talvez em alguma foto, revista, jornal? Não sabia dizer. Mas seu cérebro, acostumado a memorizar rostos, anotou o detalhe para depois. Ainda assim, naquele momento, Jason simplesmente deu de ombros e seguiu seu caminho em direção ao restaurante, enquanto lá no fundo, sem perceber, já começava a se perguntar onde tinha visto aqueles olhos verdes e aquela expressão atrevida antes. ___________________________________________ Hilary Clay Assim que as portas da suíte se abriram com um discreto clique, Hilary entrou arrastando a mala como se tivesse acabado de atravessar um deserto. Ela soltou um suspiro longo, olhou em volta e, pela primeira vez em horas, sentiu um pequeno alívio. A suíte era absurdamente linda ampla, arejada, decorada com tons claros e com enormes janelas que deixavam entrar a luz dourada do fim da tarde. A varanda dava para o mar, e o som das ondas batendo suavemente contra a praia parecia chamar por ela. Sem pensar duas vezes, Hilary tirou os tenis e os lançou para o ar, um deles batendo contra uma poltrona de veludo bege e o outro rolando até embaixo da mesa. Ela riu sozinha, cansada demais para se importar, e se jogou de bruços na cama enorme, afundando no colchão macio como se fosse abraçada por nuvens. Virou o rosto para o lado, ainda meio sem forças, e viu o celular vibrando sobre o criado-mudo. Primeiro impulso? Abrir o i********: e ver o que estavam falando dela. Quantas notícias falsas, quantos vídeos, quantos julgamentos sem saber a verdade. Mas Hilary fechou os olhos com força e murmurou pra si mesma: - Não. Nem pensar. Hoje, não gata. Com esforço, esticou a mão, pegou o telefone e abriu apenas as mensagens. Era Alex, claro. > Alex: "Chegou bem? Pelo amor de Deus, não vê nada nas redes. Se concentra em respirar primeiro, depois a gente lida com o resto. Qualquer coisa me chama. E tenta comer alguma coisa decente, ok?E sem bebida Hilary!" Hilary sorriu de leve, sentindo uma pontada de culpa e gratidão. Alex era uma das poucas pessoas do seu círculo que ainda aguentava as tempestades todas sem abandoná-la. Com o celular ainda na mão, ficou olhando o teto por alguns segundos. A vontade de espiar as manchetes, os comentários, era quase física, latejante. Mas ela respirou fundo, colocou o telefone de volta na mesinha e levantou. Sem tirar nem a jaqueta, foi direto para o banheiro. E que banheiro. Hilary parou um instante só para admirar: piso de mármore, banheira de hidromassagem junto à janela, e um chuveiro enorme de teto, daqueles que faziam a água cair como uma cachoeira sobre você. Tudo banhado em luz suave e aromas de lavanda e baunilha. Sem cerimônia, ela arrancou a roupa e entrou debaixo do chuveiro, deixando a água quente despencar sobre seu corpo tenso. Fechou os olhos e deixou-se ficar ali, imóvel. A água escorria pelos cabelos loiros, pelas costas, levando embora parte do peso que carregava. Mas não tudo. Nunca tudo. Quando foi que eu perdi o controle? - pensou. Ela nunca quis ser o que estavam pintando. Nunca quis ser "a garota-problema", "o exemplo do que deu errado". Sempre amou cantar, compor, fazer shows. Mas no meio da pressão, das cobranças, da solidão... era tão fácil cair. E agora? - se perguntou. Aqui, ninguém a conhecia de verdade. Aqui, talvez pudesse começar de novo, pelo menos por essa semana. Ou pelo menos, se encontrar. Hilary ficou ali sob a água até a pele começar a enrugar, sem pressa, apenas respirando, apenas sentindo o calor do banho tentar, em vão, lavar também a alma cansada. Mas talvez... talvez fosse um começo... Mais depois de longos minutos debaixo do chuveiro quente, Hilary finalmente desligou a água. Pegou uma toalha fofa do armário e se enrolou nela, sentindo-se alguns quilos mais leve pelo menos fisicamente. Ainda com os cabelos úmidos pingando pelas costas, ela voltou para o quarto, seus pés descalços tocando o chão frio de mármore. A mala largada ao pé da cama parecia uma montanha que ela precisava escalar. Com um suspiro preguiçoso, ajoelhou-se ao lado dela e começou a revirar entre roupas amarrotadas até encontrar o que queria: seu pijama favorito, um baby doll de cetim rosa claro, curtinho e leve, com rendas delicadas nas bordas. Perfeito, pensou, sorrindo um pouco pela primeira vez no dia. Vestiu-se ali mesmo, deixando a toalha escorregar para o chão. O tecido gelado do pijama contra a pele quente causou um arrepio gostoso, quase libertador. Hilary deu uma olhada para a cama gigantesca e convidativa. A ideia de se deitar ali e apagar por algumas horas era tentadora demais para resistir. Mas antes... algo a puxava para fora. Foi até a varanda. Abriu a porta de vidro de correr, deixando o vento da noite invadir o quarto. Um cheiro de sal, maresia e liberdade. Hilary se apoiou na grade de vidro elegante e olhou para baixo. A praia se estendia até onde a vista alcançava, iluminada pela luz prateada da lua. O mar parecia um espelho quebrado, refletindo o céu estrelado em mil pedaços móveis. Algumas poucas pessoas caminhavam pela areia, suas silhuetas distantes e tranquilas, como se pertencessem a outro mundo. Hilary respirou fundo, enchendo os pulmões com o ar fresco. Por um segundo, tudo parecia... silencioso. Intocado. Como se, dali de cima, os problemas do mundo fossem pequenos e distantes. Ela fechou os olhos por um momento, permitindo-se gravar aquela imagem na memória. Quando voltou para dentro, o cansaço finalmente a venceu. Se deitou na cama sem nem puxar o cobertor, o baby doll levinho escorregando pela pele conforme se enroscava nos lençóis macios. Hilary soltou um suspiro, o corpo todo relaxando. Antes de apagar, ainda pensou, meio sonolenta: Talvez... só talvez... amanhã seja um pouco melhor. E então, se deixou levar pelo sono...
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