Narrado por Freya:
Ultimamente, há duas de mim. Uma que anda por aí como se tudo estivesse bem. É essa que é vista quando me olha com pressa, já a outra, tem as marcas do sofrimento que mostram como realmente estou. Quem me olhasse com atenção, veria, mas só algumas pessoas notam.
Devo estar aprendendo, já é noite e estou ajudando as tecelãs então trouxe algumas palhas para tecer alguns cestos na minha tenda. ''Aí'' Berrei ao me furar com agulha, chupei meu polegar preocupada com Julian que ainda não havia chegado, ele não estava na cozinha e nem perto da área de treinamento.
Omar entrou na tenda com suas roupas coloridas e sua garrafa de gim, pendurada em seu pescoço.
— Freya, eu não o vi perto do rio, nem nas proximidades. — Ele andou até mim, arrastando a perna direita com certa dificuldade, ele possuía uma perna maior que a outra. — Tem certeza que ele não disse para onde iria? Sei lá, quem sabe foi caçar! — Ele deu de ombros.
— Caçar? A essa hora? Onde já se viu né, Omar. — Meu coração palpitou. — Eu tenho que avisar a Abigail que ele sumiu, estou quase roendo as unhas de preocupação.
— Antes disso olhe nas tendas, principalmente na de Elizabete.
— Por que? — Perguntei franzindo a testa, ainda com o dedo na boca, larguei os cestos na mesa.
Andei para lá e para cá, entrei em seu quarto, Omar me acompanhou até a outra divisão da tenda, minhas mãos mexeram em suas coisas, procurando entre as roupas e sua cama por sua adaga, ele não sairia sem ela.
— Ué, vai dizer que você não sabe que ela e o seu irmão estavam aos beijos a noite passadas. —Eu o encarei surpresa, Julian não tinha ninguém, e se tivesse não seria alguém como Elizabete, só não fazia nenhum sentindo ou talvez fizesse e eu só não mais o conhecesse como antes.
— Há, claro que sabia. Mas, não foi nada demais.
— Bom, pode ter sido nada demais para ele, mas Elizabete não fale de outra coisa. — Ele juntou as mãos me encarando.— Como agora Lia, morreu sobrou para mim ocupar o posto de melhor amigo.
Coloquei as mãos na cintura o analisando, ele me fitava com um ar superior, reparei suas costas erguidas levemente para frente, sua boca tremia como se estivesse se roendo para me perguntar alguma coisa, mas tivesse medo de falar.
Omar era uma cobra, fofoqueiro e traiçoeiro. Sempre caçoou de Amaya a chamando de esquisita, e a mim de inadequada, as vezes eu queria pegar em sua mão apenas para ver seu futuro e mentir dizendo que sua mortes estava perto, e era no futuro imutável e inevitável.
Mesmo se não estivesse, só para vê-lo se corroer deixando de focar na vida dos outro do acampamento, as vezes eu tinha pensamentos cruéis demais que até eu me assustava.
Eu não usava meus poderes com frequência, apenas o de cura mais como uma Iduna, eu vivo com o karma de prever o futuro, ainda bem que não existe essa coisa de ser imutável e inevitável. O futuro sempre se pode mudar, dá para evitar uma coisa o outra.
Pensei juntando os pontos, Elizabete sabia sobre o filho de Lia, ela sabia eu tinha certeza, e ele com certeza sabia. Eu balancei a cabeça, querendo encerrar sua passada ali.
— Obrigada por procurar por Julian, tenho certeza que ele está bem! Irei perguntas nas tendas.
Saímos da área em que estávamos da tenda indo até que ele puxou a cadeira, eu suei. — Eu posso te fazer uma pergunta?
— Claro, mais antes aceita um pão de mel?
Ele me olhou sem graça. — Não obrigada, o que eu quero saber é...
— Não foi eu que fiz. — Cortei sua fala oferecendo o pão sobre a mesa, um laço forte se estabeleceu em minha garganta.
— Há, nesse caso. — Ele pousou as mãos sobre o pão e o mordeu mastigando como se estivesse faminto.
Eu quase o queimei com a vela, revirei o olhos, pelo jeito tinha chegado nos ouvidos dele minha fama de má cozinheira.
— Então, querida. — Ele tentou falar enquanto mastigava, mas não conseguia, e eu dei graça a Deus por fazer um pão tão duro que deixasse a boca dele ocupada.
Eu menti, hoje eu que havia feito o pão, mas estava até gostoso só que colando na boca, principalmente na gengiva, ele abriu a boca para falar mais Zion nos interrompeu ele segurava Dalias na mão, minhas flores preferidas, e eu odiei o fato dele saber.
Senti minhas artérias arderem de raiva, primeiro esse fofoqueiro e agora ele. Minha bochechas ficaram vermelhas de raiva.
— Interrompo?
Ele perguntou, eu suspirei querendo acabar com isso, engoli seco, enojada com o que eu estava preste a fazer.
— Mas, é claro que não meu amor! — Omar arregalou os olhos, com a minha reação. — Omar e eu só estávamos conversando, mas ele já está de saída. Espero que tenha gostado do pão.
Ele assentiu com a cabeça, fiquei com pensa dele pois parecia está entalado, ele acenou com a mão em um tchauzinho falso, eu fiz o mesmo quase caindo para trás de tanta vergonha, mas não poderia dar a ele o gostinho de me ver m*l.
— O que faz aqui? — Indaguei brava. — Deveria está pondo seu filho para dormir.
Peguei o pano que estava sobre mesa e passei, tentando não transparecer raiva ou a minha preocupação. Ande saía já daqui.
— Eu só vim conversar, eu descobrir uma coisa, Amaya vai precisa de nós. O que eu ouvi vai mudar a vida dela para sempre. — Ele estendeu as mãos. — Aqui tome, são pra você. É uma dalia roxa, as suas preferidas, colhi elas para você.
Irrompi em ira e quis fazer ele engolir flor por flor que trouxera , pétala por pétala até que lhe entalasse a garganta, a morbidez do buquê que mais se parecia uma coroa de flores encima do nosso para sempre que morreu, que ele matou. Mas, fiz o contrário, engoli a ira, fechando meu punho.
Meu polegar coçando a palma da mão, ousei encara-lo nos olhos cruzando nossos olhares, o dele parecia perdido. Mas, eu sempre achei o olhar dele perdido de alguma forma.
Eu não poderia concertar aquilo, e nem queria concerta-lo eu apenas queria ama-lo, então suspirei aqueles olhos castanhos escuros, estavam entre orelheiras como se ele não tivesse dormindo esse dia. Eu disse não para mim mesma, antes que me aproximasse dele.
E isso me deixou m*l, meu estomago revirou queria saber se ele tem se alimentado, se tem se cuidado, o que ele vai fazer se agora tem um filho. Mas, foco nas palavras que ele disse.
Senti uma pontada em meu coração. — O que? O que a minha amiga tem?
Zion disse algo mas meus ouvidos se taparam para o som externo, senti-me tonta então eu vi, cavalheiros em seus carvalhos manchando até a muralha de gelo, até nós.
Eu engoli seco, Zion se aproximou afobado querendo saber o que eu tinha. — O que houve?
Uma lágrima caiu em do meu olho. — A guerra Zion! Ela está para começar. — Eu agarrei na camisa dele, temendo o que vi, temendo o futuro.