“E eu espero que você volte. E que me peça perdão e que me perdoe, afinal nós dois erramos. E me peça de volta, e me leve contigo. E que amadureça comigo. E que vasculhe o mundo ao meu lado. E que dessa vez, nós dois, saibamos olhar para qualquer problema com a certeza que virá a solução. Eu espero que você me perdoe, por não ter lutado o suficiente por mim, por você. E eu rezo todos os dias por você e por mim, e peço no último suspiro antes de dormir que um dia você ache o caminho de volta pro meu coração.”
— Sobre Meu Fim.
Eu me apaixonei pela galáxia que rodeia tua cintura e pela cheiro de poesia que tem teu cabelo molhado.
Narrado por Julian:
Eu respirava puxando ar, correndo entre os arbusto e árvores estava ficando escuro e por mais que eu corresse atrás dela. Eu a perdi, soltei ar colocando a mão na cintura. Olhei em volta perto do rio, ela não estava ali, olhei para o chão e vi suas botas.
Sentir o suor escorrer pelo meu corpo, não acredito que ela se jogou. Eu senti-me cercado pela água até o pescoço sem nem mesmo ter entrado. Me afoguei na última vez, por isso o medo de entrar, esfreguei a mão uma na outra, tendo um pouco de paciência, sinto que por você vale a pena mergulhar.
Eu entrei na água, e espremi meus olhos a vi no fundo, eu balancei meus braços afundando mais até ela, água entrava com toda força pelo meu nariz, a peguei pela cintura, ela era leve, mas a água parecia a afundar mais, coloquei mais força para que ela não escapasse.
Tudo o que eu sinto, guardo para mim. É minha especialidade sofrer em silêncio e aparentar calmaria quando tudo esta um caos, mas eu estava tempestuosamente nervoso naquele momento, ela não podia morrer, não iria deixar ela ir, não de novo, não assim.
A cada nascer do sol eu tento parecer para todos a minha volta uma fortaleza invencível, mas eu iria desabar ali se ela não acordasse com a minhas mãos pressionando seu peito.
Me inclinei para frente colocando a cabeça no peito dela, nada, nenhuma batida, ignorei o frio cortante, eu me desesperei colocando mais força em seu abdome.
Até que ela cuspiu água virando o rosto tremulo de lado, tossindo. Eu respirei aliviado.
Ela percebeu o que estava acontecendo. — Não, não! Você ouviu o que ela disse, ela quer que eu vá embora.
Eu a olhei, colocando sua cabeça no ombro dele, tentando abraça. — Eu sinto muito você ter que ter escutado tudo aquilo, daquela forma. — Parei olhando para ela, todo molhado em minha frente. — Eu sei pelo o que está passando! E quero que saiba que...
Amaya me interrompeu se afastando de mim, como se eu tivesse algo contagioso, ainda sentada.
— Você não entende! Meu corações doí toda vez que fecho os meus olhos e penso em como me sinto tão suja por ser filha de alguém como ele. — Eu me aproximei tentando acalma ela, sua mão fria me empurro para trás, eu caí no chão. — Por que não me deixou morrer, por que não me deixa em paz? Você está me perseguindo? Isto já está ficando chato?
Conseguir parar em sua frente, nossos queixos treminhão. — Você é você. Você não é o seu pai, muito menos é como ele. Você é luz, literalmente.
Ela se levantou, ainda tossindo. Eu a parei a colocando contra uma árvore para que ela parece de tentar me soltar.
— Coloque uma coisa na sua cabeça Amaya, você não pode se culpar por algo que não tem como conserta. Acredite eu já vivi assim.
Eu parei fixando meus olhos, em seus lábios grossos, em seu pescoço e seus sinais, em como seu olho esquerdo tremia um pouco quando ela estava falando séria.
— Eu não sei se posso só seguir em frente, assim, como se nada tivesse acontecido.
— Pode demorar algum tempo mas você vai conseguir conviver com esse fato, por mais doloroso que seja. — Eu soltei meu braços. — m*l posso imaginar o que está sentindo! — Ele passou a mão na nuca, e olhou para o céu. — Meu pai já me disse coisas como aquela, ou bem piores.
Ela tinha tempestade nos olhos, eu juntei os meus lábios e o encarando. Estava ficando escuro, ela cravou suas unhas na árvore, que tinha as folhas caindo sobre nós.
Talvez fugindo de mim mesmo, fugi do mundo, das pessoas, de sentimentos. Me deixou fraco em atitudes que demostrem que eu me importo, eu estava prester a passar uma das muralhas que eu construí só para compartilhar uma dor minha.
— Eu tinha dez anos no dia da perda, meu pai me colocou para olhar a porta. Eu já estava no treinamento e guerra desde dos oito anos de idade quando houve a primeira batalha, e eu estava tão nervoso. — Eu passei a mão sobre minha nuca molhada, respirando fundo. — Alguns homens entraram em nossa casa, eu aprendi a usar meu tamanho a favor de mim. Mesmo assim eles eram muitos, eu não...
Sinto tudo escorrendo pelos dedos os muros que criei me apertando e o ar ficando difícil de respirar. Eles estavam caindo perante ela, que me olhava abraçada em si mesma.
As vezes é "confortável" mas quando dói meu amigo, é doloroso mesmo, e nessas horas, quando uma lágrima escorre.
— Minha mãe estava muito doente, e Freya só tinha três anos. Eu... Eu deveria ter protegido elas, mas eu falhei, e eles mataram minha mãe. Naquele dia eu apanhei tanto, eles quebraram minhas costelas, apesar da dor me dilacerar por fora, nada doeu mais do que meu pai dizendo que era tudo culpa minha, que eu era um fraco e que nunca seria digno de ser filho dele.
— Mas, não foi sua culpa. — Declarou ela, espirrando várias vezes, franzi minha testa sem entender. — Desculpe não posso ficar no ar frio molhada. — Outro espirro, sua cabeça balançou.
— Está tudo bem, venha até minha tenta.
Ela balançou a cabeça. — N-não, não, não quero ir até lá.— Soluçou.
Eu olhei os galhos ao redor do chão, eu corei a parte em baixo do meu olho. Sabia exatamente o que fazer, juntei os galhos, então me virei para ela que me olhavam confusa. Sua pele marrom acobreada ficava mais linda perto da luz.
— Preciso de um pouco de fogo aqui! — Eu sorrir de lado, ela se aproximou de forma tremulas.
O brilho da chama em seus olhos, refletido na sua pele, ela jogou uma pequena chama nos galhos então o cheiro da fumaça suave que ia pelo ar até um outro lugar.
Nos sentamos lado a lado, ela ainda tremia de frio, quando me olhou de lado depois de ficarmos em silêncio. — O que aconteceu depois que seu pai lhe disse aquelas coisas? Como seguiu em frente?
— No começo eu enlouqueci atrás da aprovação dele, me tornei o melhor e depois e cinco anos quando formos forçados a sair de Florença eu ainda pensava que deveria arrastar a culpa comigo. Até ter que criar Freya, vê-la crescer me fez amadurecer e ver que eu nunca tive chance de ser uma criança. — Passei a mão no meu rosto tentando esquentar minhas mãos.— Mas, no fundo eu só era uma criança naquela época, apesar de me tratarem como um soldado.
— Eu espero um dia superar tudo isso, não quero passar a noite pensando nisso. — Ela olhou para o céu percebi olhando para seu antebraço que ainda tremia, tirei meu casaco e cobri ela, se retraiu um pouco me devolvendo. — Você está com mais frio! Não preciso, não sinto frio.
Eu menti, mas só de ver seu sorriso estampado nada mais importava. Nunca avaliava minhas atitudes, ou a disposição dos outros em concordar com elas, apenas segui em frente e fiz o que havia de melhor para você, não para mim.
Estrelas cadentes cintilando puro brilho cortando o céu naquele estante, nós dois olhavam para o céu brilhando no mesmo instante eu queria esclarecer tudo mais permaneci covardemente calado, queria explicar que beijar Elizabete foi um erro.
Eu assumo meus erros, meus vícios, sou responsável por cada irresponsabilidade minha. E sou dono das minhas virtudes. Sou maior do que os meus erros e menor do que os meus acertos, tenho plena conhecimento disso.
Queria saber se sentiria aquilo que sentia por ela me ligando a outra pessoa, beijei Elizabete e confirmei que só Amaya tem a sensação de que eu quero sentir, a sensação de que eu sei que é real. É da maneira que ela olha, que me intriga.
E lá estava ele, o olhar curioso e enorme, castanhos. Seus olhos brilhavam, sobre os meus. — Obrigada por salvar minha vida.
— Me agradeça salvando a minha caso um dia eu precise, não que eu vá precisar claro.
Fixei meu olhar em seus olhos, ela estampou novamente um sorriso, logo depois sentir que o frio não existia mais não porque o fogo já havia surgido na fogueira, mas aquele sorriso me aquecia, aquelas bochechas um pouco avermelhas. Há ver sorrir de satisfação diante do problema.
— Você é muito convencido alguém já te disse?
— Não é a primeira vez! — Disse ironicamente, sorrindo. — Geralmente as pessoas concordam que eu sou demais.
— Ou falam pelas suas costas? — Completou franzindo o nariz, nossas risadas se misturaram. — Sabe, eu gosto de ficar olhando para o céu horas a fio, por que sinto abraçada por uma imensidão que também há dentro de mim.
Aquilo parecia algo tão pessoal, ela me confessou como se fosse um segredo eu coloquei meus braços para trás, com as palmas das mãos sobre o chão.
— Eu acho que se nós pudéssemos apenas abrir os nossos olhos focando no que realmente importa, nós veríamos as bênçãos disfarçadas. Que todas as nuvens da chuva são fontes de água fresca. — Eu cocei meu pescoço, dos mosquitos que pareciam apenas me acertar, com os olhos dela sobre os meus. — Embora nossos problemas pareçam com montanhas, há sempre ouro em nossas colinas.
— Não sabia que você sabia falar tão bonito.
— Há muitas coisas que você não sabe. — Subi a sobrancelha direita.
— É, você já pode ir. — Seus olhos ficaram tristes novamente, e meu coração doeu.
Balancei a cabeça. — É claro que não, não vou te deixar sozinha aqui.
— Se não percebeu eu irei dormir ao relento, até preferido do que ter que voltar lá.— Ela passou a mão no cabelo se afastando mais de mim, deitando perto da fogueira. — Mas, você não precisa, pode ir embora.
— Não vou deixar você sozinha, já disse. — Eu fui até ela devagar e me deitei perto dela bem atrás, mas não nos tocamos mas fiquei perto ao ponto de senti seu cheiro perto de mim, rosas do campo.
— Minha nossa, como você é teimoso. — Sua voz de melodia doce soou sobre meus ouvidos, eu sorrir largo.
— É uma das coisas que também sou muito bom, ser teimoso! Não sabia?
Eu ouvi seu riso baixo, e rir junto. Ficamos em silêncio sobre as estrelas, depois de um tempo eu me virei e chequei se ela estava dormindo, seu respiração ela leve, seu peito subindo e descendo em respirações levemente espaçadas.
Eu queria tanto protege-la do mundo, protege-la de toda maldade, eu me virei ficando com seus cabelos bem em frente a mim, pensando se um dia todos esses problemas iriam embora. Se toda essa tempestade teria um arco-íris no final.