Narrado por Amaya:
Por dois dias, eu tenho agido normal. Logo, depois eu apareci no treino como nada tivesse acontecido, e o pior que ele também. Então, esse assunto era velho. Mas, nos últimos dois dias eu descobri algo incrível, eu sou incrível.
Arabela me levou para as montanhas por que eu precisava de um lugar que eu pudesse expandir meus poderes, eu nunca tinha feito aquilo. Zion ou Aron revezavam indo comigo para mostrar o caminho, eu nunca tinha saído para tão longe do acampamento e era incrível como a floresta vermelha tinha pinheiros enormes, quase chegamos perto da montanha ontem.
Ela disse que eu poderia produzir um fogo que não queima, um fogo baseado da luz. E assim, eu consegui, não foi trabalhoso como parecia, eu me senti melhor, mas ainda não conseguia apagar o fogo.
Eu estava com raiva, mas Delila disse que se eu não controla-se logo, meus sentimentos e pensamento o fogo iria falar por mim, e isso me assustou.
Eu acordei pronta para mais um dia, quando saí da tenda Julian estava parado perto de minha mãe, eu respirei fundo e caminhei até eles, eu sorrir para ela o ignorando.
— O Julian irá com vocês hoje subir as montanhas.
Eu arregalei meus olhos, minha mão juntava os dedos. Notei as bolsas embaixo dos seus olhos, ela parecia estar escondendo algo, eu sentia falta de conversar com ela, pedir conselhos, de contar sobre o que tinha descoberto sobre mim, mas esses dias ela é que tem estado um pouco longe, sempre em reuniões com os anciões.
Eu pude ver pelos cantos conversando com Arabela e Dalila, e de repente elas não me respondem mais nada. Não sei, mas algo me dar impressão que ela está me ignorando desde da chegada das duas, evitando me olhar. Ando indecisa para saber quem é meu pai, como minha mãe era e o que são os pesadelos. Não obtive resposta, mas algo me diz que elas sabiam, fiquei mais irritada ainda.
— Não precisa mãe, nós já sabemos o caminho não encontramos nenhum safrins nesses dias e não se preocupe eu estou bem melhor. E tenho certeza que Arabela e Dalila sabem se defender muito bem.
— Não, eu insisto.
— Mãe, não...
— É uma ordem. Agora deixe de ser tão mimada e obedeça, ele é o melhor de nosso povo, vai proteger vocês. — Ela foi grossa gritando, passou a mão nos cabelos que percebi já não levavam flores decoradas, estava desgrenhado como se perdesse a cor. — Agora preciso ir. Volte viva e em segurança.
Eu bufei, tentando não fazer birra como uma criança infantil e encarar o fato de que poderíamos conviver normalmente, eu me virei para ele que cruzou seus braços atrás me olhando com uma sobrancelha erguida, novamente me analisando senti-me deslocada. Ele estava tentando me provocar com aquele olhar?
Eu me virei indo caminhando até o rio, onde Freya estava lavando as roupas ajoelhada perto do rio, eu me aproximei dela, esses dias tem sido difíceis para ela e eu não estava conseguindo ser a amiga que ela precisava.
Ademais a verdade era que de uns tempos para cá certos acontecimentos tem me impedido de ser quem eu era antes, não conseguia mais praticar arco e flecha com Zion, nem dar banho em Margarida ou ajudar minha mãe com as plantas que ela cultiva. Tudo estava tão diferente, tão as pressas.
— Oi, como você está? — Me sentei perto dela, cruzando as pernas sobre o vestido verde a cor estava quase saindo,
— Estou ótima. — Ela passou a mão molhada no rosto, empurrando os fios de cabelos que estavam sobre a sua bochecha.
— Assim como eu, você é uma péssima mentirosa.
Ela sorriu, espremendo a roupa a torcendo com os braços. — E eu achei que seria fácil, achei mesmo sabe May!? Mas aí me perguntam sobre ele... — Ela suspirou, olhando para roupas no balde ao lado dela, ela colocou a que espremia sobre o outro onde ficavam as roupas enxutas. — Eu sempre sorrio segurando o nó na garanta, lutando pra não chorar enquanto respondo "Não nos falamos mais" — Ela virou as costas pude ver que estava limpando os olhos.
Coloquei a mão em seu ombro. — O que aconteceu para tudo acabar assim? O que ele fez? — Peguei um cacho dela nas mãos e uma mão em seu ombro.
Ela fungou, entortou o nariz. — Não sei se posso contar, mas você é...
— Amaya! Nós já vamos.
A voz de Dalila nos interrompeu, ela se aproximou, se abaixando perto das crianças que tinha um cesto de morangos e pegando um, uma criança dos olhos miúdos e bochechas redondas reclamou, ela riu, roubando outro andando até a mim.
Eu balancei a cabeça em reprovação, e voltei meus olhos para Freya que riu.
— Pode ir, eu vou ficar bem.
Eu assenti com a cabeça, me levantei. Olhei para o sol, que mantinha seu pouco brilho sobre nós. Respirei o ar congelado que vinha da floresta, Julian estava o caminho todo calado, e aquilo me irritou, sua presença ali me irritava.
— Freya me disse que está bem melhor. — Ele disse, rompendo o silêncio me olhando de lado.
Assenti com a cabeça, apressei os passos para me aproximar de Arabela e Delila que estavam a frente.
— Vai me ignorar a quanto tempo?
— Não estou te ignorando, apenas não finjo que somos amigos. —Dei de ombros, fazendo bico. — Só não tenho o que falar.
— Olha, eu acho que podemos deixar esse clima estranho para trás. — Ele cruzou os braços soltando um ar frio. Descruzou os braços, e estendeu a mão esquerda para mim andando ao meu lado.
Eu senti o clima ficar patético, cansada de estar com raiva dele. Só por que nunca mais o beijaria, não significava que não poderíamos ser amigos. Eu estendi a minha mão até ele, a apertando.
— Vocês tinha que ver isso aqui como era sem graça antes de tudo isso. — Dalila disse em cima do cavalo preto que era dela, todos nós andávamos não era preciso um cavalo mas Dalila não o deixava sozinho, por mais que disséssemos que era seguro.
— O que a floresta? — Julian perguntou, franzindo a testa.
— Sim, há beleza no perigo. — Ela deu de ombros, todos nós paramos e olhamos, Arabela revirou os olhos, eu fiz o mesmo com a mão na cintura. Seus comentários eram inacreditáveis. — O que foi? Pelo menos eu tô falando alguma coisa. Se o Aron tivesse aqui provavelmente estaria falando comigo.
— Algumas pessoas apreciam o silêncio. — Julian disse sorrindo, voltamos a andar sobre a terra que agora estava voltando a ficar branca, por causa do inverno que estava voltando. — Ou de opiniões relevantes.
— Chato, chato, chato! — Dalila disse passando a mão sobre a crina escuro de seu cavalo, sorrindo.
— Aqui está bom! — Arabela disse, suas sobrancelhas estavam arqueadas ela veio até mim. — Vamos ver se consegue cessar o fogo dessa vez, e lembre-se tente focar apenas no gelo, concentre em apenas um avo. Você consegue controla-lo.
Eles se afastaram, e eu foquei no pinheiro vermelho parcialmente sendo congelado pela neve, esvaziar meus pensamentos, esvaziar meus pensamentos, esvaziar meus pensamentos...
Senti as chamas aquecerem todo meu coração, que foi fogo com tanta intensidade que sombra nenhuma seria capaz de me proteger. Mas, iria focar em distribuir as chamas apenas naquele pinheiro em minha frente, abri minhas pernas meu pé direito ficou escalado mais a frente e o esquerdo atrás.
Fiquei parada, e das minhas mãos o fogo direcionava até o pinheiro, eu não me mexi. Na verdade é que eu não conseguia me mover para nenhuma outra direção depois de emanar tanto poder, eu me senti tão poderosa.
"Você controla seus poderes na medida que você se controla, seus pensamentos, não podem refletir no seu poder " Fechei meus olhos, conseguindo acessar a luz, esvaziando meus pensamentos. Eu estava brilhando e o melhor estava controlando, me atrevi a passar para árvore ao lado do pinheiro que havia se reduzido a cinzas.
Pude ver a luz, minha alma é uma estrela em chamas que brilha mesmo quando o fogo se apaga.
Mas aí, pisquei minha mente me levou para minha mãe gritando comigo hoje sedo, para o sentimento de confusão. O fogo foi se expandindo para além da árvore. Eu fechei meus olhos, sentindo que estava perdendo o controle, e era bom, de repente a imagem Julian e Elizabete juntos, ele a beijando, talvez aquilo tinha mesmo mexido comigo.
Eu não me controlei, senti raiva novamente correndo pelas minhas veias que queimavam, era uma soma de tudo. Meu ouvido zumbiu tampando o som externo, meu coração acelerou, me senti aquela garotinha novamente. Descontrolada! Eu queria colocar aquela floresta inteira a baixo.
Abri os olhos percebendo que estou ateando fogo à tudo ao meu redor, mas as chamas são cor violeta, estou rodeada por chamas com chamas em minhas mãos. Senti o sangue escorrendo pelo meu nariz, talvez fosse poder demais.
— Amaya, já chega! — A voz de Arabela estava me chamando ao fundo. — Pare, essa não é você.
Eu olhei de lado, e os três pareciam com medo. Encarei minhas mão querendo cessar, as árvores e pinheiros ao meu redor estavam em chamas, olhei para baixo um coelho cinza se escondeu atrás de mim, seu focinho rosada subia e descia.
Minhas pernas ficaram bambas, eu tenho medo. Agora, pela primeira vez, confessei pra mim mesma, meu medo não é dos outros, é de mim. Eu tenho medo de mim, tenho medo do que posso me tornar.
Todo aquele poder, eu tenho medo até do que, em parte, já me tornei e é um medo como um fogueira em que o fogo começa pequeninho e vai crescendo, subindo, consumindo tudo em volta - destruindo talvez seja a palavra certa.
Aquilo tudo, toda a minha reação era muito exagero da minha parte. Eu fechei meus olhos mordendo os meus lábios, esvaziar minha mete parecia algo impossível. Mas, eu sabia fazer algo impossível, mas eu dessa vez iria conseguir eu iria fazer as chamas cessarem. Sentir, meus pés saindo do chão.
Respirei fundo, tentando me soltar e ficar leve, quando percebi meus peito tinha cessado as batidas e respirações rápidas. Foi em segundos, não que tenha conseguido mais o medo de colocar fogo em tudo.
Me senti fraca, caí no chão. Julian veio correndo até mim, vi sua imagem embaçada, senti ele me pegar no colo, tirando minha cabeça do chão.
— Ei, você está bem!?— Sua voz embargada me perguntava sem parar. — Vamos, me responde por favor. — Ele me levantou andando comigo nos braços, minha cabeça estava perto seu peito, pude ouvir as batidas até Dalila e Arabela.
Suas mãos tremeram, a parte da direita do meu nariz estava sagrando caiu sobre meus lábios, me sentir sem ar. Sua mão bateram em tapinhas leves sobre meu rosto, de repente eu estava voltando a ver a apenas um dele, segurei em seu braço tentando me levantar, imergir minha cabeça.
— E-eu estou bem! — Eu tossi, sentindo um gosto de fumaça amargar minha língua. Senti minhas forças voltando ao meu corpo, as mãos dele limparam o sangue em meu nariz, seu toque me deixou tensa, ele me olhava nos olhos.
Seu olhar era como se quisesse falar algo, como se quisesse se conversar.
— Pode me soltar! Já estou bem.
— Tem certeza? — Ele perguntou em tom apreensivo.
— Sim.— Balancei a cabeça, ele me pôs no chão, fiquei de pés em frente ele.
Dalila gritou comigo que eu quase a matei sua égua camomila eu abri a boca surpresa, pensava que era macho todo esse tempo, e que eu precisava me controlar, já Arabela me puxou para conversarmos, deixando Dalila chutava o chão e neve, chateada.
— Eu juro que não queria, eu acho melhor acabarmos com esses treinamentos, não dá em nada.
Ela não disse nada, pegou em minha mão direita e colocou entre as suas mãos, me olhando de forma enigmática.
— O ódio é um combustível que polui demais, criança. Olhe que incêndio você fez com ele. — Ela balançou a cabeça olhando ao redor, olhei também o coelho havia sumido em nossa frente só existia uma restos de árvores e alguns galhos tostado pelo fogo, e gelo derretido. — Mas você sabe que só uma questão de tempo, até as chamas te sufocarem também, não sabe?
— Me diga que um dia eu poderei controlar isto?
— Minha criança, eu queria dizer que sim. Mas, eu já sabia o que fazer, com você é diferente você está aprendendo por si só. — Ela soltou a minha mão. — Mas, de uma coisa eu sei se não controlar essa raiva ela pode consumir você. Olhe...
Dalila ainda cruzava os braços como uma criança perto da égua, Julian não parava de olhar para nós agora segurando a espada de ouro branco com escudo pendurado atrás das costas.
Ela tirou as luvas, me mostrando suas mãos queimadas, cheia de cicatrizes, eu me assustei. — O fogo que um dia aqueceu meu coração, foi o mesmo que um dia quase me transformou em cinzas, acredite esse ódio também pode consumir você. Vamos voltar, você precisa descansar depois de usar tanto poder assim. — Ela colocou as mãos no meu ombros, espremendo os olhos. — E tente resolver a situações que precisa resolver.
Eu assenti a cabeça, caminhando até eles. O vento balançou meus cabelos, os ergui em um coque. Estávamos descendo a montanha quando chegamos ao acampamento suspirei aliviada por ter voltado.
Andei até minha tenda e Julian veio atrás de mim. — Está me seguindo? — Levantei as sobrancelhas.
— Prometi a sua mãe que lhe levaria em segurança até a sua tenda. Então, vou com você até lá.— Ele se balançou para frente e para trás.
Assenti com a cabeça, ele continuo andando atrás de mim, quando cheguei perto ouvi a voz de Ester e minha mãe aos gritos,
— Bom volto depois.
— Shi! Shi! — Fiz sinal de silêncio para ele.
Ele cruzou os braço, fazendo uma cara irônica. — Sua mãe não te ensinou que é feio escutar a conversa dos outros?
— Não e a sua? Fique calado se quiser ouvir ou vá embora. — Precisava saber o que tanto ela conversar com esses anciões, o motivo da sua estranheza comigo.
— Amaya é sua filha! — A voz de Ester ecoou alta em tom desesperada, eu parei de falar engolindo seco. — Não podemos entrega-la para Safiro, afinal ela é uma de nós, apesar de tudo.
— Ela não é uma de nós, ela tem o sangue dele. Há duas dentro de mim, uma mãe que tem medo de perder sua filha e uma mulher amargurada por ter criado a filha daquele mostro.
Meu coração parou, eu pensei não ter ouvido, senti minhas pernas bambas. Julian arregalou os olhos surpresos com os braços cruzados, sua boca se abriu com o que ouviu.
— Mas, você não sabia quem era o pai de Amaya, pouco se sabia sobre eles, mas você não pode se desfazer dela assim.
Eu gritei, com passos largos entrei na tenda com tudo, derrubei a cadeira em minha frente no chão, Julian veio atrás de mim.
— O que está acontecendo aqui? Que tipo de loucura é essa que vocês estão dizendo?
Meus olhos estavam marejados mais pude me conter, mamãe me olhou como se eu fosse uma intrusa.
— Mas, oque isso agora invade reuniões a qual não foi chamada? — Suas mãos pousaram na cintura com autoridade.
— Não mude de assunto, mamãe. Do que vocês estão falando? — Eu bati minha mão na mesa, senti a palma da mão latejar.
A sala ficou em silêncio, mas eu não sairia dali sem a verdade, sem uma explicação plausível para toda aquela loucura que eu tinha ouvido.
Todos ficaram em silêncio por alguns minutos e eu gritei, ela então abriu a boca amansando uma rosa que caiu do seu cabelo.
— É isto mesmo que você ouviu, você é filha dele, você é filha de Safiro.
Por laos, eu balancei a cabeça, em negação.
— Não, isto é mentira.
— Eu gostaria que fosse, mas não é. — Ela enfiou as mãos nos cabelos, os olhos julgadores de alguns idosos sentados em suas cabeças, eu fiquei em pé, sem reação. — Você é filha do homem que matou minha irmã, meu cunhado, e meu marido.
Eu pedir ar, meus pulmões pareciam ser comprimidos, sem ar eu recuei para trás. Não, não pode ser eu não sou filha daquele homem.
— E eu quero que você saia daqui.
Minha mãe disse jogando a flor no chão, eu abaixei a cabeça depois ergui olhando para ela, lágrimas caíram sobre meu rosto trêmulo.
— Eu sou sua filha, eu sei que eu te afastei, mesmo assim mãe ainda sou eu.
Ela cuspiu no chão. — Pois, saiba que eu me arrependo do dia que trouxe alguém que compartilha do sangue daquele homem para minha casa.
Aquelas palavras me atingiram como faça, eu me virei correndo eu queria ir embora.
— Amaya, Amaya. Espere!
A voz grossas e firme de Julian exclamava atrás de mim, eu corri. Minhas pernas batia uma contra outra o coque em meu cabelo se desfez. Eu estava longe minhas pernas ardiam, caçada de chorar limpei minhas lágrimas com o punho.
Eu vi o rio, aquela imensidão verde me olhando, um nó que se instalou na minha garganta, eu queria morrer naquele momento, tirei rapidamente minha bota. Fechei os olhos sentindo a terra em meus pés e me joguei no rio, meu corpo tremeu ao sentir a água fria senti-me afundando mais e mais era muito fundo.
Não me debatia contra água na medida que aspirava o líquido em razão de submersão, senti meu peito inundando de água gelada, fechei meus olhos, senti-me desfalecer, eu estava indo embora como ela queria e meu peito doía, sentindo os pulmões encharcados.