CAPÍTULO SETE.

1740 Palavras
Minha mãe havia pedido para eu ficar em casa com ela, costurando eu estava indo pegar lã pertos das caixas quando vi a antiga armadura de meu pai o metal mesmo velho ainda reluzia a cor prateada, pus sobre a cama e olhei com saudade. Meu coração se encheu de memorias, sua voz doce e espaçada cantando as velhas canções. — Ele iria adorar ver você usando ela. — Minha mãe se encostou na laste da parede, me olhando. — Ele sempre sonhou em passa-las para você para quando tivesse filhos, é claro que ele nunca imaginaria que entraríamos em uma situação onde você teria que usa-la. — Ele sempre disse que eu teria dois meninos. Ele era estranhos, com todas aquelas adivinhações dele. — Comprimi meus lábios. — Mas, eu o amava. — Adivinhações era o lance dele, ele acertava as vezes, na maioria das vezes não. — Eu ainda era pequena, mais me lembro dele ter passado sua gravidez toda dizendo que Margarida seria um menino. Minha mãe deu de ombros, sentando na cama encarando nostalgicamente a armadura. — Como eu disse, ele nem sempre acertava... O uivo alto dos lobos deu pra se ouvir de onde estavam, olhei na janela a pouca luz já se despedia trazendo o escuro céu coberto de estrelas enormes e com elas o frio, os pinheiros vermelhos balançavam sobre as montanhas, estava tudo tranquilo alguns de nós se encontravam perto da fogueiras contando histórias as crianças que não conseguiam dormir, havia um choro de bebê no fundo. — Você deveria provar! — O que? A armadura? — Voltei meus olhos para ela, com minhas mãos brincando com os brincos que eu usava. — Sim! Acho que dá em você, bom precisará de uns ajustes, vamos ver como fica. — Minha mãe cruzou as pernas onde estava sentada. Eu aceitei, quando terminei de mim vestir senti-me estranha. Certamente precisaria de ajuste era nítido, me senti confortável. Sorrir, acho que vou mostrar a Zion como fiquei ele vai rir tanto quanto eu. — Eu estou minúscula. Alguém bateu em nossa porta com batidas desesperadas, fomos juntas até a porta. Freya estava sorrindo com as mãos sobre o corpete do vestido limpando sangue que deixou a frente branca machada de sangue. — Abigail, precisa nos ajudar Lia está tendo o filho. Porém, nós não sabemos o que fazer... — Ela balançou as mãos no vento. — Ele está invertido... Minha mãe ficou tensa, sua face nublou. — Oh, eu irei ajuda-la já vi isso acontecer antes. Nós éramos a nova geração, estávamos aprendendo praticamente tudo em nossa vila só existia uma anciã e alguns adultos minha mãe era uma das mais velhas e sempre a chamavam em situações que nunca nos havíamos nos deparados. Ela se apressou para ajuda-los, eu fiquei na tenda esperando por minha irmã quando a vi andando até mim com Elizabete segurando sua mão, Margarida saltitava, desci as escadas caminhando até elas. — Você está linda, como foi o treinamento hoje? Minha irmã assim como minha mãe era uma Dayone controladora da terra, tinha algo facinante na ligação deles com a terra, eu suspirei pegando em seus cabelos. — Hoje foi incrível e... — Ela se auto interrompeu olhando para mim, abaixou seus lábios inferiores. — Por que está usando roupa de menino? Desabrochei um sorriso. — Não é roupa de menino, é uma armadura. Um dia também usara uma! — Jura? — Ela arregalou os olhos. — Eu consegui abrir uma flor, acredita? Eu só.— Ela balançou os pés no chãos, segurando seu vestido verde rodado com decorações azuis. — É e teria feito melhor se nos tivéssemos mais tempo. — Elizabete bufou, se curvando na altura da minha irmã, seu rosto estava sério como sempre, colocando a mão na cintura. — Você sabe, se não fosse a palhaçada de onde! — Palhaçada? — Sim! É claro, você não vê? Zion age como se isso aqui fosse um simples acampamento, como se estivéssemos de férias. — Ela se levantou, coçando seu pescoço. — Ela não vê que não temos temo para noivados, estamos fugindo de um homem que quer nos matar e escravizar só por que nosso reino se sobrepôs ao dele. — E o que você sugere, que nós marchemos até lá o simplesmente o tire de lá? Não é assim que as coisas funcionam Elizabete, nos tempos que nos preparar, e quando estivermos pronto nós assim... Eu parei de falar, quando um vento forte me envolveu como se parece no meu ouvido. ''Amaya, Amaya, Amaya...'' Ouvi alguém me chamar, andei mais um pouco, alguém que passava com uma cesta de pão amarrada na cintura esbarrou em mim mas a voz estava abafada, sentindo-me paralisada. Meu coração acelerou, eu reconhecia aquela voz me chamando, não era de ninguém do acampamento. Senti-me desnorteada, a neve estava quase indo embora então a floresta estava começando a voltar com o tom vermelho, mas eu a vi pegando fogo, pisquei, pisquei, várias vezes... De repente tudo se tornou normal, como antes. As nuvens começaram a ficar carregadas sobre nós, não entendia o que estava acontecendo, Elizabete ficou me olhando com as mãos na cintura, não consegui ouvir o que ela dizia. ''Amaya'' A voz ecoava pelo meus ouvidos abafando todo som externo. — Quem é você? — Gritei, as pessoas me olharam eu podia vê-las mas o som externo era inferior a voz que eu ouvir. Pude ver minha irmã, Margarida deu um passo para trás soluçando, Aron estava em minha frente falou algo que não entendi, passando a mão no meu cabelo. Tapei meus ouvidos, eu odiava aquilo aquela cena olhei para ele assustada. Ele me pegou no colo me levando até sua tenda. — Ei, ei! O que houve? O que aconteceu? Fui pega desprevenida por suas palavras, eu podia ouvi-las normalmente dessa vez. Respirei fundo, me recompus sentindo cheiro de cerveja vindo dele, sua mão pousou em meu ombro. — Não sei como explicar, pude ouvir alguém me chamar. Mas, não era ninguém, eu... — Senti o desespero tomar conta de mim, lágrimas frias começaram a rolar do meu rosto, Aron passou o dedos tentando enxuga-las. — Ei, limãozinho! Vai ficar tudo bem. — Ele se ajoelhou ficando na mesma altura que eu estava sentada. Eu arfei com raiva de tudo isso, cansada. — Você não sabe se vai. E se essas coisas estranhas que acontecem comigo piorarem? E eu for louca? Você é um dos únicos que ainda fala comigo, todo mundo me acha estranha ou tem medo de mim. Eu sinto falta de tudo aquilo que já fui um dia. A vida me quebra pedacinho por pedacinho conforme o tempo passa e não tem nada que eu possa fazer para evitar, tudo que posso fazer é colar meu caquinhos e continuar seguindo em frente para daqui a pouco ser despedaçada novamente. Que ironia, logo eu que nunca gostei de quebra-cabeças tendo que me remontar tantas vezes. ◆:*:◇:*:◆:*:◇:*:◆ ARON NARRANDO: Não sabia o que dizer ou que fazer, minha amiga estava tendo um ataque e eu claramente não sabia o que dizer, talvez oferecer uma cerveja? Ok, essa foi uma ideia estupida. Mas, eu tinha que fazer algo, por que ela estava soluçando, minha nossa como eu odeio mulher chorando. Tudo é muita confusão quando se trata de Amaya, ela se levantou andando na minha tenda pra lá e pra cá, em círculos parecia furiosa consigo mesmo. Eu reparei em seu queixo, era ridiculamente perfeito, sempre admirei queixos por algum motivo que admito ser bizarro, ela tinha um dos perfeitos. Ficou se mexendo berrando todos aqueles xingamentos para se mesma e eu só conseguia pensar em dar uma mordida no seu queixo furioso e acalma-la. Talvez eu não fosse o amigo pra isso, mas quando lhe vi ali, desnorteada queria a ajudá-la de alguma forma. Senti minha barriga roncar enquanto ela ainda andava pela tenda agora cochichando consigo mesma, acho que estava bêbado demais, mas queria entende-la. Ela me encarou em silêncio. — Você quer que eu vá buscar água, ou algo para comer? — O que? Não! Eu não preciso de comida, preciso descobrir o que são essas vozes. — Talvez seja fome! — Deus de ombros. Pude ver seus olhos em chamas quando ela olhou para mim, não era piadinha eu realmente estava com fome, ela tirou a armadura que estava usando, seu cabelo ficou bagunçado. — Que sabe? Deixa para lá, isso é algo que preciso descobri sozinha afinal. — Seus ombros pequenos, caíram. Pude ver que o que disse a machucou de alguma forma, mesmo sem entender muito bem meu coração pesou de culpa. — Boa noite! Ela andou saindo dali, passei as mãos pelo cabelo me perguntando por que eu era um babaca as vezes, Amaya além de Omar e Julian era a única que ainda falava comigo de forma amigável, para os outros eu era só um bêbado que não se conformava de ter perdido Freya para Zion, o que não é verdade. Me encostei na cama, sentindo meu corpo pesado finalmente descansar um pouco. Não consegui analisar a situação, minhas pálpebras estavam pesadas o sono me roubou a força de levantar e ir atrás dela, certamente só iria piorar as coisas, mas seja o que for isso que Amaya esteja passando ela irá passar por isso. Sem dúvida ela é a garota mais forte que já conheci. ◆:*:◇:*:◆:*:◇:*:◆ Amaya foi para o seu quarto, sua mente a deixava mais confusa a cada momento que ela tentava resolver quem era a voz que lhe chamava, ''Uma mulher, definitivamente uma mulher'' Quem seria? Ela deitou em sua cama, abraçando os joelhos. Sua mãe bateu na porta, Abigail bateu três vezes até abrir ela resolveu abrir a porta. — Preciso ficar sozinha, mãe! — Minha luz, o que aconteceu? — Os lábios rosados de Abigail se fecharam em tensão. Conhecendo a mãe como conhecia, Amaya sabia que ela nunca a deixaria em paz se não contasse, então ela disse tudo que havia acontecido. O coração de Abigail se partiu em milhões de pedações, ela sabia de quem era aquela voz. Mas, ela não queria admitir tão cedo toda verdade, sua filha poderia nunca perdoa-la. Ela respirou fundo, sabendo que não havia saída, fechou os olhos. — É, querida. — Ela pegou na mão da filha. — Precisamos conversar.
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