Capítulo 6 — Quando o Sangue Escolhe

747 Palavras
O primeiro disparo quebrou o silêncio da noite. O som seco ecoou pelo galpão como um aviso definitivo de que o tempo das escolhas havia acabado. — Abaixe-se! — Levien gritou, puxando Lays com força para trás de uma coluna de concreto no instante seguinte. O segundo tiro atingiu a parede onde ela estava segundos antes. Fragmentos voaram, o cheiro de pólvora tomou o ar. O coração de Lays disparou, mas ela não gritou. Não congelou. Apenas respirou fundo, os dedos cravados no braço dele. — Eles sabem que estamos aqui — ela disse, a voz baixa, mas firme. — Sabem demais — Levien respondeu, sacando a arma com movimentos precisos. — Fique atrás de mim. Não discuta. — Eu não vou te atrasar. Ele a encarou por um segundo, intenso. — Eu sei. Passos apressados ecoaram do lado de fora. Vozes em russo. Ordens curtas. Profissionais. — Quantos? — ela perguntou. — Pelo menos quatro — ele respondeu. — Talvez mais. Levien tocou rapidamente o comunicador no ouvido. — Trancar perímetro. Ninguém entra. Ninguém sai — ordenou. — Se Viktor estiver entre eles… eu quero vivo. A palavra Viktor caiu pesada. — Então foi ele — Lays murmurou. — Foi — Levien confirmou. — E seu pai vai precisar saber. Outro disparo. Mais perto. Levien se moveu, cobrindo o avanço dos homens com precisão fria. Cada gesto era calculado, letal, sem desperdício. Ele não parecia exaltado. Parecia… decidido. Lays observava, o peito apertado. Ela não estava vendo apenas um homem poderoso. Estava vendo alguém lutando para protegê-la. Um dos atacantes surgiu pelo corredor lateral. Levien reagiu rápido demais para ser visto com clareza. Quando o corpo caiu, o silêncio voltou por um segundo — pesado, irreal. — Temos que sair daqui — ela disse. — Ainda não — ele respondeu. — Eles querem você viva. Isso nos dá vantagem. — Você está falando como se isso fosse apenas estratégia. Ele se aproximou dela, segurando seu rosto com cuidado, apesar do caos ao redor. — Não é — disse, sério. — É exatamente por isso que estou com raiva. — Raiva de quem? — De mim — respondeu. — Porque tudo isso poderia ter sido evitado se eu tivesse te afastado no primeiro instante. Ela segurou o pulso dele. — Você não fez isso porque não quis — disse. — Não minta agora. Antes que ele pudesse responder, o comunicador voltou a chiar. — Levien — a voz de Sergei surgiu, dura. — Temos Viktor sob custódia. Ele confessou. O maxilar de Levien se contraiu. — Confessou o quê? — Que vendeu informações sobre minha filha — Sergei disse. — Para três famílias rivais. Lays fechou os olhos por um instante. — Ele assinou a própria sentença — Levien disse, frio. — Não — Sergei respondeu. — Ele assinou a sua. Houve um silêncio tenso. — Você cruzou uma linha hoje — Sergei continuou. — Protegendo o que não devia. Escolhendo antes de ser autorizado. Levien olhou para Lays. Ela o olhou de volta. — Então essa é a escolha — Sergei disse. — Poder… ou ela. O som distante de sirenes ecoou. Levien respondeu sem hesitar. — Se tocar nela — disse, a voz firme —, não vai sobrar império para você governar. Do outro lado, Sergei ficou em silêncio. — Isso não é uma ameaça — Levien continuou. — É um fato. Lays sentiu o ar faltar. — Levien… — ela murmurou. — Você está se colocando contra tudo. Ele se aproximou, a testa tocando levemente a dela, ignorando o caos ao redor. — Já estava — disse. — Desde o momento em que você disse seu nome. As mãos dele seguraram as dela com força suficiente para transmitir algo que palavras não alcançavam. — Se você ficar comigo — continuou —, não haverá volta. Não haverá p******o que não custe sangue. Não haverá promessas vazias. — Eu sei — ela respondeu, sem hesitar. — E ainda assim… estou aqui. Levien fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, a decisão estava feita. — Então ninguém encosta em você — disse. — Nem meu mundo. Nem o dele. O último dos atacantes recuou quando percebeu que a emboscada havia falhado. Mas ambos sabiam: aquilo não fora um ataque isolado. Foi uma declaração de guerra. E, naquela noite, entre tiros, traições e escolhas irreversíveis, Levien Ivanov deixou de ser apenas um homem de poder. Tornou-se um homem disposto a perder tudo. Por ela.
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