Capítulo 4 — O Nome que Muda Tudo

762 Palavras
Levien a encontrou onde o som da música já não alcançava. O corredor lateral era estreito, iluminado apenas por arandelas antigas que lançavam sombras longas sobre as paredes douradas. Ali, o baile parecia distante — como se o mundo elegante fosse apenas uma fachada para o que realmente importava. Lays estava próxima à janela, o ar frio da noite tocando seu rosto descoberto. Ela havia retirado a máscara. Levien parou por um segundo. Sem a máscara, ela era ainda mais perigosa. — Você não deveria estar aqui sozinha — ele disse, aproximando-se. — Nem você — ela respondeu, sem se virar. Ele parou a poucos passos dela. — Eu mandei você esperar. — Eu esperei — disse, finalmente olhando para ele. — Só não prometi obedecer. Algo nos olhos dela o atingiu com força. Não era desafio puro. Era consciência. Como se ela soubesse exatamente o peso de cada passo que dava. — Tirei a máscara porque estava cansada de fingir — continuou. — E porque achei que você merecia ver quem eu sou. — Você não faz ideia do que merece ou não — ele respondeu. — Pessoas como eu não recebem verdades. Só consequências. Ela deu um pequeno sorriso triste. — Então talvez seja hora de quebrar esse padrão. Levien se aproximou mais, o suficiente para que ela sentisse sua presença inteira. — Diga — ele exigiu. — Quem é você de verdade? O silêncio se alongou. O tipo de silêncio que antecede uma explosão. — Meu nome completo é Lays Volkov — ela disse, firme. — Filha de Sergei Volkov. O mundo de Levien parou. O maxilar dele se contraiu lentamente. — Volkov… — repetiu. — Seu pai é meu aliado mais próximo. Ela assentiu. — E o homem que me proibiu de chegar perto de você desde que aprendi a entender o que o seu nome significa. Levien deu um passo para trás, como se o chão tivesse se movido. — Isso é uma brincadeira perigosa — disse. — Se alguém descobrir… — Já descobriram — ela o interrompeu. A voz dela baixou. — Meu pai sabe que estamos conversando. Os olhos de Levien se tornaram frios. Calculistas. — Então isso foi uma armadilha? — Não — ela respondeu rapidamente. — Foi uma escolha. Minha. Ele a encarou por longos segundos. — Você tinha mil maneiras de me evitar — disse. — Escolheu a pior. — Ou a única honesta. Levien passou a mão pelo rosto, respirando fundo. — Você não entende o que isso significa — disse. — Seu pai me confiou coisas que ninguém mais conhece. Se ele achar que estou cruzando essa linha… — Ele já acha — ela disse. — E não vai aceitar. Como se tivesse sido invocado pelo próprio nome, passos ecoaram no corredor. Sergei Volkov surgiu na entrada, o rosto sério, os olhos avaliando a cena como quem confirma um medo antigo. — Lays — disse, em tom baixo, mas duro. — Afaste-se. Ela não se moveu. — Pai… — Agora. Levien deu um passo à frente. — Isso não é necessário — disse, controlado. — Nada aconteceu. Sergei riu sem humor. — Ainda — respondeu. — Mas vai. Você não toca no que é meu. A tensão no ar era quase palpável. — Ela não é uma posse — Levien disse, a voz mais fria do que qualquer lâmina. — Neste mundo, tudo é — Sergei retrucou. — Inclusive ela. Inclusive você. Lays sentiu o coração apertar. — Eu não sou uma moeda de troca — disse. — Nem para você, pai. Nem para ele. Sergei a olhou com algo entre raiva e preocupação. — Você não sabe com quem está brincando. — Sei sim — ela respondeu. — E é exatamente por isso que não vou fingir que nada aconteceu. Os olhos de Levien se fixaram nela. Intensos. Cheios de algo que ele não se permitia nomear. — Esta conversa termina agora — Sergei disse. — Ou termina m*l. Levien inclinou-se levemente em direção a Lays. — Olhe para mim — disse baixo. Ela obedeceu. — A partir deste momento — continuou —, qualquer passo perto de mim será vigiado. Qualquer olhar, interpretado. Qualquer escolha… cobrada. — Eu sei — ela respondeu. — Mesmo assim, não me arrependo. Sergei cerrou os punhos. — Isso não acabou — ele disse. — Apenas começou. Enquanto ele se afastava com Lays, Levien permaneceu imóvel no corredor. Pela primeira vez em anos, algo havia escapado ao seu controle. E pela primeira vez, ele sabia exatamente o nome do perigo que se aproximava.
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