Capítulo 3 — Quando o Perigo Aprende Seu Nome

672 Palavras
O salão já não parecia o mesmo. A música continuava elegante, os lustres ainda brilhavam, mas algo havia mudado desde que eles começaram a dançar. Para Lays, o mundo parecia reduzido ao espaço entre seu corpo e o dele. Para Levien Ivanov, cada batida da música era um lembrete de que ele estava ultrapassando uma linha que jurara nunca tocar. A mão dele permanecia firme em suas costas, um pouco abaixo do que seria considerado estritamente adequado. Não o suficiente para chamar atenção — mas o bastante para que ela sentisse cada movimento, cada respiração dele. — Você dança como se estivesse acostumada a fugir — ele murmurou, a voz baixa, próxima demais do ouvido dela. Ela ergueu o olhar, os olhos claros fixos nos dele por trás da máscara. — E você conduz como quem está acostumado a mandar. Levien arqueou levemente a sobrancelha. — Isso te incomoda? — Não — respondeu sem hesitar. — Me deixa alerta. Ele apertou os dedos por um segundo quase imperceptível, como se aquela resposta tivesse acertado algo profundo. — Pessoas alertas sobrevivem mais — disse. — Mas também sofrem mais. — Sofrer não me assusta — ela retrucou. — A indiferença sim. Eles giraram lentamente, o vestido dela acompanhando o movimento, o tecido roçando contra o terno dele. O toque era inevitável. Intencional demais para ser apenas parte da dança. Levien inclinou-se um pouco mais. — Você não deveria falar assim comigo — advertiu, embora o tom traísse a ameaça. — Por quê? — ela perguntou. — Porque você é perigoso… ou porque gosta disso? O silêncio entre eles foi pesado. Ele parou a dança por um instante, segurando-a ali, no meio do salão, como se o mundo tivesse congelado. — Você não tem ideia de quem está provocando — disse, agora sério. — Tenho — ela respondeu, sem desviar o olhar. — Alguém que controla tudo… menos o que sente agora. A respiração dele falhou. Um detalhe mínimo, mas real. — Você acha que sabe o que eu sinto? — ele perguntou. — Acho que você odeia sentir qualquer coisa — ela disse suavemente. — E ainda assim não soltou minha mão. Levien a puxou um pouco mais para perto. Não o suficiente para escândalo. Perto demais para ser seguro. — Se você continuar assim — murmurou —, vou ter que te afastar. — Então faça — ela desafiou. — Mas faça agora. Ele não fez. Em vez disso, inclinou o rosto, tão próximo que ela pôde sentir o calor da respiração dele contra a pele. — Você é imprudente — disse. — E você está curioso — ela respondeu, quase num sussurro. Por um instante, Levien pareceu esquecer onde estava. Esquecer quem era. Esquecer tudo o que poderia perder. — Qual é o seu nome? — perguntou, finalmente. Ela hesitou. Apenas um segundo. O suficiente para mostrar que aquela resposta tinha peso. — Lays. O nome ficou suspenso entre eles. — Lays… — ele repetiu, devagar, como se estivesse gravando o som. — Um nome bonito demais para este mundo. — Talvez — ela disse. — Ou talvez eu pertença mais a ele do que você imagina. Antes que ele pudesse responder, uma presença interrompeu o momento. Um dos homens de Levien se aproximou discretamente, inclinando-se para falar em seu ouvido. — Precisamos conversar — disse em russo. — Agora. O maxilar de Levien se fechou. — Espere aqui — ele disse a Lays, soltando-a com relutância. Ela segurou o braço dele antes que se afastasse. — Você vai voltar? — perguntou. Ele olhou para a mão dela em seu braço. Depois para os olhos dela. — Eu sempre volto — respondeu. — A questão é se você ainda estará aqui. Ela soltou devagar. — Vou estar — disse. — Não sou do tipo que foge no meio da dança. Levien se afastou, mas olhou para trás uma última vez. E naquele instante, ambos souberam: aquilo já não era apenas atração. Era um risco consciente. E nenhum dos dois pretendia recuar.
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