O cheiro forte e doce de flores trouxe Kalona de volta a consciência, o rapaz se sentou passando a mão no rosto de forma cansada, tentando cobrir seus olhos, pois a luz do sol entrava pela janela e o incomodava um pouco, havia se passado sete dias des de que o soberano de talfilli os mandou embora, ele apenas prorogou o tempo seu tempo ali em comemoração ao yule.
-Mas que linda visão - disse uma voz feminina ao seu lado, Kalona olhou para a mulher de pele verde e flores no cabelo e sorriu tentando esconder seu rosto de toda aquela luz.
-Quantas vezes eu disse para não invadir meu quarto, dríade sapeca?! - ele disse rindo.
-Uma garota tem suas necessidades meu amigo - disse Anator rindo, ela passou a mão em sua pele soltando algo dela e jogando pela janela.
-O que aconteceu? - ele sentou-se rapidamente a olhando de forma preocupada.
-É apenas o yule, hoje toda a Teiofille irá comemorar e o grande deus Sol renascer em sua glória junto à natureza e eu faço parte da natureza, então também irei.
- deus sol? pegou as ideias de possgrover sobre os deuses ?
- o sol nasce todos os dias, mas o yule nasce apenas uma vez ao ano, quando a natureza renasce para um novo ano.
-Você nunca plantou sua alma, não é?!
-Não, Ainda não estou pronta para me fixar a algum lugar, quero conhecer todos os lugares do mundo antes, e o que as driades que nao nascem das arvores, que nasce de outras driades sentem o tempo todo. Vamos, Filled nos convidou para passar nossa última noite aqui junto a eles, comemorando o Yule. Ikaros já está até mesmo ajudando, creio que ela ja superou a confusão da semana passada... dizem que ela jogou igneell através de uma parede. Vamos meu pequeno lobo prateado, pois yule nos espera.
- Anator, Por que estou coberto de flores? - Kalona olhou seus lençóis coloridos por causa das flores que ali estavam.
-Presente de Ikaros - Ela deu de ombros.
Ele arqueou a sobrancelha com a resposta de Anator, mas logo se levantou e foi lavar o rosto e tirar as flores do cabelo, saber que sua irma estava de bom humor ja era muito bom
-Sabe, eu lembro que Kalista comemorava todas essas datas - ele deu um suspiro ao falar da avó e então prosseguiu - Ela fazia questão disso, sempre contava história pra gente. Yule era o preferido, pois era quando o grande espírito da natureza renascia. faz tanto tempo que estamos nessa luta toda, que esquecemos de coisas simples, ficamos apenas lutando e as vezes, acho que esquecemos o que e importante.
-Você tem razão, agora vamos! Pelo menos hoje merecemos comemorar a tradições antigas e tudo está tão bonito, várias flores e incensos - a dríade disse enquanto saía do quarto praticamente puxando ele e seu tom de voz deixava claro a sua empolgação,
Ao sair de seu quarto ele pode confirmar o que ela havia dito. Por todos os lados se viam vários arranjos de flores diversas, árvores decoradas e o perfume suave deixava tudo ainda mais aconchegante.
Os homens estavam transportando um grande carvalho para o centro da cidade para plantar ali, enquanto as crianças decoravam cada casa com flores. Algumas mulheres carregavam cestas com diversas pétalas de flores das mais variadas cores e jogavam da entrada do vilarejo até a saída. Iona as olhou curiosa.
-Estão marcando a passagem, acreditam que a grande mãe irá passar por aqui para dar a luz ao grande deus Sol, quando mais bonito a passagem, mais as chances dela passar por aqui e nos agraciar com sua luz - disse Henry ao lado de Kalona.
-Como sabe disso tudo? - ele perguntou, mas logo se arrependeu. Henry fora prisioneiro aqui por anos, é normal ele saber sobre a cultura deles, era normal, mas não justo - Desculpe!
-Tudo bem, eles ainda não gostam de mim, mas eu entendo o motivo.
- eu não, você era um prisioneiro como eles
- Sim, mas e mais fácil me odiar por minha prisão não ter grades do que me apoiar
Kalona olhou o rapaz alto e esguio, pôs a mão em seu ombro e sorriu de leve, apertando seu ombro tentando lhe da força.
- amanhã iremos embora meu amigo e terei um trabalho especial para você - Kalona disse sorrindo - você não ira se sentir assim novamente.
-Fiquei sabendo, irei ajudar as mulheres com o banquete, vá procurar algo para fazer. Talvez ajudar a levar a árvore até o centro da aldeia ou pegar a tora para queimar na fogueira, esse ano eles tem um motivo para realmente comemorar. É o primeiro yule deles livre em anos.
Henry sorriu e saiu andando deixando Kalona sozinho, mas o rapaz não teve muito tempo de sossego. Algo lhe puxou a perna de sua calça, quando Kall olhou, viu uma pequena criança com cascos ao invés de pés e grandes chifres de corça prateados que sorria com um lindo rosto redondo.
-Tio - a pequena criança chamou, Kalona se abaixou um pouco para poder ficar mais perto do pequeno - Binca, vem
O pequeno menino segurou a mão de Kalona e o puxou pela aldeia, ao longe o rapaz pôde ouvir o som de risos infantis. Ele só teve tempo de acompanhar o pequeno garoto até chegarem cada vez mais perto do som de risos Quando enfim o pequeno parou de andar o rapaz já estava perto do portão de entrada, onde algumas mulheres que estavam com várias caixas e baldes d água para ornamentar o portão e algumas crianças ali perto brincando.
-Elas precisam de ajuda e disseram para procurar o senhor - o garotinho falou apontando para as mulheres e logo depois correu até as demais crianças.
Ele então caminhou até o portão e perguntou do que estavam precisando.
-Ah senhor Kalona, que bom que o pequeno Sien conseguiu achá-lo. Precisamos por essas duas pilastras de madeira um pouco mais a frente do portão, para formar uma cobertura e também alguns relevos de terra, poderia nos auxiliar?! - a mulher que comandava as demais na ornamentação explicou.
-Ah claro, sem problemas! Só me diga até onde é para deixá-los fixos - ele então bateu o pé no chão abrindo dois pequenos buracos, um de cada lado, depois encaixou as pilastras nos lugares. Fez um movimento com a mão voltada para cima e logo eles se fecharam deixando assim bem firmes. Depois bateu o pé outra vez subindo vários espinhos rochosos e os moldou em vários tamanhos, larguras e formatos ao redor do portão sem tapar a passagem. Por último, do lado direito da parte de dentro do portão, ele moldou a terra fazendo a forma de uma concha com pequenos círculos dentro dela e com o seu controle sobre a água puxou um pouco dos baldes depositando ali, fazendo ela correr de forma contínua dentro dos círculos.
-Bem... está feito, espero que tenha ajudado. Qualquer coisa é só mandarem me chamar novamente.
-Muito obrigada, está lindo! Senhor Kalona, esse yule será inesquecível!
Kalona apenas sorriu para as mulheres e estava molhando seu rosto quando sentiu outra vez agarrarem a perna de sua calça, quando olhou reparou ser o mesmo garotinho, só que desta vez os outros estavam juntos dele, pareciam encantados com o que viram o rapaz fazer.
Enquanto kalona ajudava na aldeia, ikaros estava em seu pequeno "Hospital", precisava liberar seus pacientes antes de ir embora, ela dedicou aquela semana para ajudar a todos ali, lhes curando ou lhes entregando medicamentos para tratamentos a longo prazo. a ideia de abandonar eles ali, nas mãos dos tellfilianos lhe atormentava, lhe deixava incomodada. então ao inves de ajudar nos preparativos, coisa que tentaram muito, ela apenas se concentrou em seus medicamentos e tratamentos.
durante esses dias que se passaram, ela fugia de kalona, fugia de igneell e agora, fugia de Lyarah, a princesa insistia que ela precisava se reaproximar dos seu irmao e de seu parceiro. era complicado para a garota pois ela queria muito ficar sozinha, ela nao aguentava a ideia de ter que encarar os dois, ela sentia que precisava de um tempo para si mesmo, para abisorver seu luto e superar tudo isso. era complicado passar por isso, era irritante ter que escutar kalona falado de sua avó, ela nao queria pensar em tudo o que kalista fez com ela, ela queria manter em sua cabeça apenas a imagem de uma avó amorosa.
- ikaros, vai ter festa, vamos brincar - tartys estava sentado em uma maca com sua forma humana, um homem alto de olhos azuis e longos cabelos brancos, ikaros amava o olhar, ele fazia ela se lembrar do homem do sonho - iki, ignorar lindas raposinhas nos mata sabia?
- e onde isso esta escrito em ? - ela perguntou sorrindo, ainda lembrava a primeira vez que o viu assim, havia ido dormir com ele, para que o calor natural de seu corpo o aquecesse e lhe desse a energia que precisava, a pequena raposa estava muito fraco e ikaros tinha energia o suficiente para dividir com ele.
obviamente ela estudou bastante sobre as kitsunes antes de o fazer, o que nao era dificil pois as lendas das kitsunes, era bem conhecida. uma aposa que apos completar seus 100 anos, ganha uma forma humana, pode transitar entre o feminino e o masculino tranquilamente, sao brincalhonas e trazem sorte. pelo menos esse era uma das poucas coisas boas que ela leu sobre a criatura, infelizmente elas eram bem parecidas com succubos, absorviam energia vital de humanos e pessoas, entao a bruxa sabia o que ele faria e permitiu, quando acordou, havia um lindo homem, de pele alva e musculos definidos, cabelos brancos e um sorriso que dizia que eel era capaz de lhe trazer prazer e desastres, na mesma quantidade. ela nao gritou, mesmo vendo um homem desconhecido e pelado em sua cama a olhando sem piscar, quando olhou em seus olhos ela descobriu quem era na mesma hora, Tartys, a raposa que igneell odiava
em falar nele, quando sentiu o cheiro da raposa, invadiu novamente o quarto da garota e o tirou de la a ponta pé, não que o leão tivesse pé. para piorar, ele chamou zayn e kalona que simplesmente surtaram ao ver o homem pelado perto de ikaros
a confusão durou dois dias e ela não pode fazer nada além de proteger a pobre raposa da furia dos seus tres cães de guarda
- ikaros - tartys gritou tentando chamar atenção, a menina apenas riu e se sentou de frente a sua mesa e começou a misturar algumas ervas - vai me fazer chorar assim
- sabe que eu que sou a mulher, e eu que estou na lua vermelha e voce que fica emotivo, percebeu que tem algo errado nesse cenario?
- mais eu quero brincar - ele se debateu na maca irritado, e se deitou encarando ikaros - você esta sendo c***l comigo
- sabe que estou fazendo poções para ti e para os outros, estou indo embora, não posso os deixar ao vento assim, a própria sorte
- fala como se eu não fosse com você - ele riu e se sentou pulando da mesa, pegou a mão de ikaros e a puxou de uma so vez para que se levantasse e caisse em seus braços, tartys a abraçou e sorriu passando a mão entre seus longos fios de cabelo vermelho - eu vou onde voce for
- Sabe que nao se pode iludir uma garota - ela o empurrou tentando o afastar, mas não conseguiu, apesar de ainda nao esta curado ele permanecia forte - tartys você tem sua irmã aqui, nao pode...
- posso - ele a interrompeu e ergueu seu rosto para que ela fitasse seus olhos - e irei, ate quando você nao me quiser por perto eu irei atras de voce
- se esta fazendo isso por eu ter te salvo, nao precisa, nao se sinta obrigado a fazer isso por mim - ela baixou seu rosto,nao queria que ninguem olhasse em seus olhos e visse o vazio que residia nele
- entenda pequeno gafanhoto, nem voce nem ninguem me obriga a fazer nada, fiquei preso em uma sela por um seculo, nunca mais deixarei que nada me prenda, nem voce, entao se eu digo que vou e que quero ir, voce pode acreditar o quanto quiser que eu quero isso
a menina o olhou, e pela primeira vez em dias, nmao se sentiu horrivel consigo mesmo, ela nao teve nem um sentimento r**m, apenas alivio, pois a raposa sempre a fazia se sentir bem, sua presença a fazia se sentir maias calma e tranquila, naquele momento, nao importava se ela estava o usando, se ele era apenas algo momentâneo que afastaria o vazio que ela sentia diariamente, nada disso importava, tartys ia com ela, nao abandonaria, ele olhou em seus olhos e ainda assim quis ficar ao seu lado, ele viou a escirudão quer se alastrava cada vez mais, e ainda assim quis ficar. aquela raposa travessa aceitou seus dois lados, a escuridão e a luz, então se ele queria ir, ele iria.
eles ficaram ali pos mais algumas horas, ikaros fez a poção para a raposa tomar diatiamente, entregou as demais para os outros pacientes e por fim ia sair, mas deu de cara com igneell, o que provavelmente ja era de se esperar, o leao estava a seguindo todos os dias como se temesse que ela matasse alguem... o que ela estava preste a fazer, dian te de ignell ela se sentia como um rato encurralado, e essa sensação a matava. era divertido pensar, que emsmo quando ela nao o via, sabia que ele estava a olhando, sentia o calor em seu olhar nas suas costas, ja era algom tão familiar. as vezes a menina se sentia frustrada, ela sabia que se igneell fosse um homem e não um leao, ela se sentiria livre para o amar de verdade e imaginaria que ele a amaria... bem, ela pensava isso em seus sonhos mais secretos, um grande l~eao que se tornava humano e eles se casariam e teriam diverços filhos, mas a realidade era c***l, ele era um leão, nao um humano, e seu sonho de viver feliz para sempre com ele nao existia mais, um dia quando tudo isso acabasse, ele iria embora e acharia uma femia para ele, e ela ficaria feliz, feliz de verdade pelo amigo. talvez com um pouco de ciumes, mas ela sentia ciúmes ate mesmo de Zayn, não que isso lhe orgulhasse, nao orgulhava nem um pouco
porem zayn se tornou um bom amigo, apesar das brigas e ameaças de morte, mutilação e transformação em animais gordos e gosmentos, ela gostava dele, ele havia se tornado um amigo... quase um irmão... era engraçado pensar que sua avó dizia que na vida tínhamos duas famílias, a que nascemos para ter e as que escolhemos ter
com um grande suspiro, ela desviou de igneell e seguiu em frente sem o olhar, sabia que se o olhasse, iria se sentir envergonhada e furiosa, nao queria isso hoje, nao no dia do yule, ela iria se manter bem, iria comemorar seu primeiro yule sem sua avó, iria se divertir e nao iria nunca mais olhar para trás. depois pensaria que tentaria voltar com igneell... perdoar? nao pera, conversar, depois ela conversaria com ele, nao era a hora o dia em o lugar
tartys a seguiu ate seu quarto, e se ofereceu mais de uma vez para a ajudar no banho, disse que em brisalian, seu reino de origem, era bem comum banhos comunitarios ou ate mesmo ajuda os banhos, disse que poderia se tornar uma mulher se ela quisesse, para que ela se sentisse mais avontade.. ikaros apenas riu e fechou a porta em sua cara, ela entrou sozinha na banheira e ficou olhando seu espelho quebrado, os cacos ainda estavam no chão sujos de sangue, apesar de sua mão nao ter nem ao menos a cicatriz do acontecido. ela havia se olhado no espelho depois da discusão com Filled e viu seus olhos negros, nao havia nem sinal do branco ou do roxo, apenas completamente negros, tomado pela escuridão. assustada ela socou o espelho o partindo em dezenas de pedaços, igneell invadido seu quarto e ela culpou a lua vermelha pelo sangue e tudo mais... infelizmente ela também o lançou longe, com medo dele ver sua mão ferida, nao podia deixar, nao iria. depois disso ela se curou e saiu como se nada tivesse acontecido, foi sua única forma de consolo
a lembrança de seu descontrole ainda a assombrava, tinha medo de ficar perto de seus amigos e eles verem isso, eles conseguirem ver o monstro que ela estava se tornando, ikaros sentia que a cada dia que se passava, ela perdia um pedaço de si e mergulhava ainda mais na sua própria escuridão
- Ikaros, posso ascender a lareira de seu quarto? esta frio - tartys perguntou atras da porta
- não, ela e tras pesadelos, prefiro que continue assim - ela disse pondo ervas na banheira
- lembranças do incendio ? - ele perguntou, ikaros havia contado do incendio em sua casa provocado por ela
- Algo do genero
ela ficou um pouco mais no banho, ate que suas maos estivessem engiada, entao se vestiu e saiu com tartys para a festa
Ao anoitecer, tudo estava pronto. Casas decoradas juntamente com todas as árvores em volta, tudo estavam iluminado com velas aromatizadas. Todos trajavam roupas em tons vermelho, verde e dourado. Em fila eles seguiram em direção ao grande carvalho e penduraram alguma coisa que desejavam. As mulheres colocavam frutos pela colheita, uma ponta de flecha em cima de coração banhada em perfume para o amor, nozes para a felicidade e moedas para riquezas. Após isso, as jovens do reino com seus vestidos longos e rodados dançavam em volta da grande tora do yule, um tronco que ao ser queimado garantiria a p******o do povo durante a maior noite do ano. Cada uma segurou uma das nove fitas, três de cada cor variando entre vermelho, verde e dourado, continuaram sua dança graciosa sendo aclamadas pelo povo. Ao terminarem toda fita estava enrolada no tronco, os homens mais fortes o pegaram e lançaram a tora na grande fogueira e como aparecido do nada, um homem surgiu a frente do povo com uma longa túnica vermelha e uma pele n***a, sua cabeça era raspada tendo apenas um longo tufo de cabelo que parecia um r**o de cavalo, seus olhos brilhavam como ouro derretido e em seu rosto havia desenhos da mesma cor o adornando.
-Meus caros amigos, estamos aqui reunidos para agradecer pelo ano que se passou, hoje o deus Sol irá renascer no ventre da natureza e assim daremos início a um novo ano. Hoje nossa deusa andará entre o povo abençoando a todos que aqui estão e quando a noite finalmente findar, o novo deus Sol surgirá e nos banhará em sua glória, nossa deusa passará por aqui e se alimentará de nossa árvore para se fortalecer!
-E quem é ele? - Kalona sussurrou para a mulher ao seu lado.
-O sacerdote A-mon, por anos ele realizou nossas cerimonias escondidas, só sabemos que ele é de Magmetron, um adorador do Sol.
-Venham, vamos comemorar essa noite em um banquete e depois festejar.
Todos gritaram e bateram palmas, os homens levaram uma grande mesa e as mulheres, com seus trajes e animação, levaram a comida ao ritmo da música para a mesa. Todos avançaram no grande banquete, Ikaros com as duas kitsuner, Zayn com Henry e Teengan, Anator, Ayarah, Glorien e Tenebra, todos se serviram. As crianças levaram bandejas cheias de comida para Órion e Igneell.
Ao longe Kalona percebeu o olhar de Amon sobre si, o rapaz tentou andar até ele, mas o homem se embrenhou mais e mais entre a multidão e quando finalmente ele se livrou de todos, o homem havia sumido em meio a mata. Kalona passou a mão em seus cabelos frustrado, ao longe, em meio a algumas árvores, ele pôde ver uma luz. O rapaz supôs ser dos chifres de Amon, mas se enganou, ao chegar mais perto ele passou a mão na cabeça, era como se tivesse caído dentro do seu sonho. Outra vez o ser alado estava lá no alto das árvores sentado nos seus galhos, com nada além de sua cabeça branca de algodão e suas asas igualmente brancas. Chord tinha riso contido no rosto.
-Finalmente você chegou Kalona, começava a achar que não viria.
-Você é real?! Achei que não passava de um sonho - Kalona disse sem tirar os olhos dele, que agora estava planando no ar com seus três pares de asas abertas.
-Eu sempre fui real! Disse a você, meu caro, achei que a essa altura já acreditasse mais nos sonhos e em todo o restante - ele parou bem a frente de Kalona, mas sem tocar os pés no chão, enquanto um de seus pares de asas formava um arco ao redor do corpo dele.
-Afinal, o que você é e o que quer de mim Chord? - Kalona tinha a respiração um tanto quanto tensa - voce aparece, fala coisas sem sentido e some, nao estou entendendo nada
-Eu sou muitas coisas. O que precisa saber, por ora, é que sou o guardião do lugar que você e sua irmã e amigos tanto buscam. Eu quero muitas coisas, não só de você, como de seus amigos, mas por ora, só vim lhe cumprimentar uma vez mais... E celebrar yule, um pouco de alegria e felicidade em meio a guerras é sempre bom, e algo me diz que dias sombrios nos espera, então, vamos apreciar os bons momentos como esse.
-Você é o guardião de Lanoar? E por que não nos deixou entrar? E por que entrou no meu sonho e agora veio aqui só para festejar uma data realmente? - o rapaz o encarava. Chord apenas riu das palavras e passou a sua asa no rosto de Kalona - o que voce se refere quando fala em dias sombrios ?
- voce faz muitas perguntas, vejo que sua irmã nao e a unica sem paciência por aqui
- chord - kalona reclamou
-Eu fiz, por que era necessário, você não vê os humanos andando, sem antes engatinharem. Ainda não é o momento e sim, você ainda não esta pronto, hoje eu vim apenas para celebrar - dito isso ele se aproximou e deu um beijo na testa de Kalona, o abraçando em seguida e soltou uma pequena bolinha de luz pro céu, que se dissipou em várias faíscas luminosas. Kalona levantou o rosto para admirar a beleza do momento, quando voltou o rosto para Chord foi pego de surpresa com um beijo suave nos lábios. Ele então fechou os olhos apenas sentindo todas as sensações que percorria seu corpo no momento, ainda pôde ouvir uma risada baixa.
-Feliz yule Kalona!
Ouviu a voz um pouco distante, ao abrir os olhos Chord já não estava mais ali, agora apenas o eco de sua voz vindo de todas as direções.
-Nos veremos outra vez, em breve, Kalona Gweneth Xanthus, guerreiro da alma de lobo com olhos das águas cristalinas e os cabelos do brilho prateado do luar.
Enquanto Kalona estava no meio da floresta, Ikaros dançava com as crianças, uma hora ou outra alguns homens da aldeia, os que pareciam não ter medo de seus dons, a chamava para dançar, mas a garota se recusava. A ruiva foi pega de surpresa por mãos grandes e calorosas que a puxaram contra um peito forte. Ikaros olhou o homem forte meio surpresa, ele tinha longos cabelos brancos e olhos extremamente azuis, quando ele sorriu para ela pode ver os caninos levemente avantajados dele, eles se pareciam, o mesmo tom de pele, os cabelos brancos e olhos azuis, até mesmo o corpo magro, mas ainda assim musculoso, só que não era o homem dos sonhos dela, por alguns segundos ela achou que fosse ele.
- dança comigo? - ele disse a segurando firme e já a balançando no ritmo da música.
- Ao que parece eu não tenho escolha - Disse ela bufando e pondo as mãos nos ombros dele - essa música não é lenta Tartys
- Sou um kitsune Ikaros, faço o que quero - Ele disse a abraçando mais forte.
Ikaros tentou parecer indiferente, mas acabou por abraçar o jovem kitsune e deitar sua cabeça no ombro dele, ao fechar os olhos ela teve a sensação de flutuar, sentiu uma das mãos do rapaz em seu rosto, mas quando abriu seus olhos para o olhar, ela notou que percebeu um par de grandes olhos azuis ferozes a encarando. A garota se afastou rapidamente do kitsune que a olhou surpreso.
- O que foi Iki, fiz algo de errado?
- Não eu... eu só estou cansada, irei andar um pouco - Ela olhou em volta e suspirou - Procure sua irmã, ela e Teegan sumiram, eu vou andar um pouco.
Antes que o kitsune falasse algo, a garota saiu correndo sendo seguida por Igneell, ao perceber Igneell atrás de si, a menina tentou correr mais rápido, mas acabou parando cansada e olhou para trás.
- O que você quer ? - Ela perguntou apoiando as mãos no joelho.
- Por que está fugindo de mim ? - o Leão perguntou se aproximando da garota
- Não estou não.
- Sim você está, está fugindo de mim, não conversa não me olha, o que há de errado com você minha pequena...
- Não me chame assim, por favor eu quero ficar só.
- Como posso te ajudar se você não fala, eu sei que tem algo errado, eu sinto.
- Você vai embora, vai me deixar e eu não quero isso e não quero te prender, um dia você vai embora e não quero sentir sua falta como sei que vou sentir... eu tenho medo, medo de ser abandonada por voce, medo de voce ve o que a de pior em mim, apenas tenho medo
- Quem disse isso? Eu sempre vou estar aqui, Ikaros, e se um dia voce se perder dentro de si mesma, eu ainda estarei aqui, para te ajudar a se encontrar.
- Não, eu não quero te prender a mim para um dia você acordar e perceber que podia ter vivido uma vida, ter tido mulher e filhos e me odeie por isso, eu odeio o que estou me tornando. Então por favor me deixa, estou fazendo isso por você.
Antes que Ikaros percebesse Igneell já havia a jogado no chão e deixado seu corpo por cima dela sem a machucar, o colar que a garota lhe dera balançava em seu pescoço brilhando a luz da lua.
- Eu já avisei que não sou um bichinho, eu vou embora quando eu quiser eu fico se quiser, e se eu quiser ficar perto de você, ninguém vai me deter, então deixe dessa frescura e dessa criancice e aja como a bruxa que você deve ser, não me faça repetir isso - Disse Igneell com sua voz grossa - Agora vá ver seu irmão, vou falar com Orion e preparar tudo para nossa partida amanhã, feliz Yule Ikaros, filha do sol - o leão se virou mais parou e olhou ikaros uma ultima vez - e não se aproxime mais daquela raposa, não irei repetir.
Ao terminar o Leão abriu suas grandes asas e voou rumo a aldeia novamente, o coração de Ikaros batia forte quase a deixando s***a e atordoada, mais com esforço ela se levantou e andou divagar ate o lago, ao chegar a garota encontrou seu irmão sentado em uma pedra, Kalona parecia igualmente perdido.
A menina sentou-se ao seu lado e o abraçou deitando sua cabeça no ombro do mais velho, ela estava tão cansada de fugir e se esconder, so queria paz, era pedir de mais?
- feliz yule kakal - disse baixo chamando a atenção do rapaz
- E... feliz yule - Kalona a abraçou forte como não fazia a muito tempo e ficaram assim por um longo tempo - Esse ano não tenho presente para você pequena, desculpe.
- Igual os últimos sete anos - Ela disse erguendo uma sobrancelha e sorrindo - sorte sua que sou uma mulher preparada, achei isso aqui nas coisas da vovó
A menina retirou de seu bolso uma pequena caixinha e deu a Kalona, quando o rapaz abriu sorriu de leve ao ver dois colares idênticos com uma pedra redonda e transparente que parecia emanar um brilho, em volta dela havia raízes que a cobria de todos os lados formando um casulo que só era aberto na frente, as raízes não parecia ser feitas de madeira mais de algum outro material
Kalona pegou um dos colares na mão e leu o pequeno bilhete deixado por sua avo, ele torceu um pouco os lábios e fez uma pequena agulha de água e espeto seu próprio dedo sujando os dois pingentes de sangue, mais não durou muito pois ambos absorveram o sangue e brilharam um pouco mais forte
- Que macumba é essa? - Perguntou Ikaros vendo seu irmão fazer a mesma coisa com o dedo dela, e ao terminar colocar um dos colares em seu pescoço
- Aqui diz que pra ativar os colares precisa do sangue dos usuários, agora estamos mais ligado do que nunca, um sempre vai poder achar o outro e saber como o outro esta - disse Kalina sorrindo e pondo o seu colar - Esse será o primeiro de muitos yules meu solzinho
- Ou nosso ultimo - disse a garota dando de ombros e olhando o reflexo da lua na agua
- Pelo menos estamos juntos - Kalona sorriu
- Isso nunca foi consolo para ninguém
Kalona sorriu e abraçou ikaros e conversaram a noite toda, sozinhos empaz.