Capítulo 3

1291 Palavras
Aslan  Mais um dia corrido, mais uma noite longa e mais um problema resolvido. Após torturar e m***r um primo traidor, que achava que poderia me dar um golpe e tomar a liderança dos Akbaba, lavei minhas mãos na torneira de ouro da nossa casa de tortura, mais conhecida como o Lar do Fim, troquei minha camiseta suja de sangue, tirei os resquícios vermelhos do meu rosto e vesti um terno limpo. Meus dias são assim e sempre se resumem a sangue, pilhas de cadáveres e fogo. Porque como diz um conhecido alemão, o fogo tudo purifica! Quando entrei no meu carro já senti o cheiro de carne queimando, mas não liguei, já estou acostumado com isso e meus homens também. Não acho que vou melhorar o mundo e nem purificar a alma podre de ninguém, até porque a minha alma é muito mais podre do que qualquer outra, mas se depender de mim, vou exterminar os ratos que cruzarem o meu caminho. Meu celular começou a vibrar e achei estranho Asaf estar me ligando a essa hora, mas até imagino o que seja. _ Irmão, você tem que ver a nova morena que contratamos. A mulher é divina! Disse ele do outro lado da ligação todo empolgado . Revirei meus olhos. _ Não estou interessado Asaf. _ Eu sei, você nunca está interessado. Mas vai vir hoje? Precisamos tratar de algumas pendências. _ Vou, mas não me espere! Encerrei a ligação e guardei o celular. _ Pode dirigir pra casa. Dei a ordem ao soldado que estava dirigindo e ele acatou. Sei que Asaf vai ficar me esperando, mas quando ele perceber que não vou ir certamente vai para casa também. Não gosto de desaponta-lo, mas Asaf sabe bem o que penso sobre prostitutas, sem contar que amanhã completam dezoito anos da partida dela. Samia ainda habita meus pensamentos, meus sonhos, e quando o peso está muito forte, deixo meu outro eu assumir e passamos o dia inteiro no jardim que fizemos em homenagem a ela. Aquele jardim está cada dia mais colorido, apesar das espécies de plantas que temos e dos acessórios que usamos, as flores e plantas parecem ter acostumado com a nossa forma de expressar a dor, e nascem saudáveis e fortes. Acelerei o carro o mais rápido que consegui. Estava chegando em casa quando me ligaram informando que Asaf estava no hospital e que aconteceu um atentado em frente a nossa boate. Meu irmão sabe que estamos em guerra com os Sahin e mesmo assim bancou o distraído. Talvez meu irmão mais novo esteja tentando acabar com a própria vida e não saiba como, mas morrer de uma forma tão indigna e i****a como essa é demais, ainda mais para um Akbaba puro como ele. Nosso sobrenome assombra as vielas e as ruas de Ancara, causando arrepios em qualquer um. Depois que Samia foi morta pelo meu pai, a família dela, os Sahin iniciaram uma guerra contra nós, que já dura dezoito anos. Infelizmente isso já levou a morte de muitas pessoas da minha família, e agora que acabei de m***r meu primo, temos apenas uma pequena extensão do nosso sangue que não vive aqui na Turquia e sim em Milão. Pode-se dizer que eu e Asaf somos os últimos de sangue puro, e quem dará continuidade aos Akbaba será ele já que não me casarei e nem terei filhos. Morreremos na nossa solidão, eu e meu outro eu. Estacionei em frente ao hospital e mais carros foram chegando. Um a um nossos soldados foram aparecendo e quando cheguei até a recepção respirei aliviado ao ver Asaf em pé, com as mãos no bolso e pensativo. _ Irmão, pensei que estivesse ferido! _ Não... Asaf me abraçou como de costume e deu dois tapinhas nas minhas costas, como sempre fazemos. _ Então o que faz aqui? _ A mulher que estava comigo ficou em frente a mira e acabou sendo atingida, estou apenas prestando socorro. _ Deixe tudo pago e vamos para casa. Essa foi a última vez que os Sahin atentaram contra nós. Destruirei o império deles e queimarei um a um! Minha voz saiu alta e todos nos olharam. A raiva estava me fazendo transpirar. Asaf me encarou de uma forma que a muito tempo eu não via. _ Não posso deixa-la aqui sozinha. _ Por que não? Não me diga que se apaixonou por uma das dançarinas! Com certeza esse seria o pior tipo de traição que meu irmão poderia cometer. Precisamos casar com famílias nobres e manter a riqueza e o poder para os Akbaba, e não simplesmente procriar com alguém sem sobrenome nobre. Respirei fundo e agarrei o rosto de Asaf com minhas duas mãos, fazendo-o olhar pra mim. A adrenalina da tortura ainda estava correndo em minhas veias e o susto de saber que talvez nunca mais fosse ver meu irmão também arrancou qualquer resquício de calmaria do meu corpo. _ Responda! _ Não, não me apaixonei por uma mulher da noite, mas não acho justou deixar a mulher que praticamente salvou minha vida em cima daquela cama correndo riscos! _ E desde quando você é grato por esse tipo de ato, irmão? _ Desde que ... desde que percebi que olhar para ela é como olhar um retrato distante do passado. As palavras de Asaf me deixaram confuso e dei dois passos para trás, colocando minhas mãos em meus bolsos. _ Me mostre sua salvadora então, caçula, e vamos para casa! Meu irmão bufou, odiando o apelido que dei a ele e uso quando me arranca a paciência. Entramos mais ao fundo do hospital e vi alguns de nossos homens em frente a uma porta. _ Tudo isso para uma mulher? Ela deve ter s***s incríveis, já que é só por isso que se interessa! A raiva estava explodindo dentro de mim, fazendo-me maltratar o único que sempre esteve ao meu lado. Asaf não respondeu e apenas me deu passagem. Entrei no quarto e senti o cheiro de álcool, indicando a limpidez do ambiente. Olhei para a mulher inconsciente deitada na cama. Os cabelos negros estavam bagunçados e espalhados pelo travesseiro branco. Seu rosto estava pálido e a boca que provavelmente foi rosada estava sem cor. Aparentemente abatida, a mulher repousava tranquilamente na cama. Uma de suas mãos estava enfaixada. _ Aslan... irmão, você não... você não acha essa mulher parecida com alguém? Perguntou Asaf estranhamente ansioso. _ É apenas uma mulher irmão, apenas mais uma mulher! Virei minhas costas e andei em direção a porta. Queria vingança contra os Sahin, e teria! Sei que falhei em proteger a joia mais preciosa da família deles, a mais importante da minha vida, mas infelizmente jamais imaginei que meu próprio pai faria o que fez. Quando pisei fora da porta senti um tremor forte invadir meu corpo. Senti como se mãos agarrassem meus ombros com força, me sacudindo no lugar, me segurando. Minha respiração trancou e tive que me segurar para não cair. Meu corpo, sozinho, começou a virar em direção a cama que a mulher repousava. Eu podia senti-lo tomando o controle, coisa que nunca havia acontecido sem que eu quisesse, mas estava acontecendo. E então, quando minhas pernas pararam de andar em direção a mulher meu irmão havia se afastado, provavelmente sabia que não era cem por cento o Aslan que conhece. Minha mão foi em direção ao rosto pálido pelo sangramento, sentindo a textura macia da pele sensível. Meus dedos grossos e calejados deslizaram até os cabelos que mesmo bagunçados estavam macios. Era ela..., mas como? Impossível. Ela não vai voltar... ela nunca mais vai voltar... _ Samia... Ele usou minha boca para dizer o nome dela, e agora eu era apenas um telespectador do meu próprio corpo..
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