"O Juiz e a Fugitiva"

1780 Palavras
Minutos depois, suados e ofegantes, ficaram abraçados. O silêncio do quarto foi preenchido apenas pelo som dos seus corações batendo em uníssono. O primeiro capítulo das suas vidas em Zurique estava selado, mas a noite estava longe de terminar. Deitados na imensa cama, o ar ainda denso de paixão e o cheiro dos seus corpos se misturando, eles não precisavam de palavras. Apenas o som das suas respirações ofegantes e o compasso acelerado dos seus corações eram suficientes. Diana, aninhada no abraço protetor de Lian, sentiu o peso da sua mão na sua barriga. O gesto era familiar, um lembrete constante da vida que crescia dentro dela. Ela tocou a mão dele, entrelaçando os dedos, sentindo a aliança no seu anelar. Aquele pequeno círculo de metal parecia a única coisa que os prendia à realidade, ao mundo lá fora, tão distante da bolha de amor que eles haviam criado. Lian beijou o topo da cabeça dela, aspirando o perfume dos seus cabelos. O cansaço da viagem finalmente se impôs, mas era um cansaço bom, uma exaustão que vinha da felicidade, ele apertou o abraço, puxando-a ainda mais para perto. — A nossa vida... a nossa família... finalmente está começando. É ainda mais bonito do que eu imaginei. — ele sussurrou, a voz rouca. Diana ergueu a cabeça e o encarou, os seus olhos brilhando na penumbra do quarto, iluminado apenas pela lua que se refletia no lago. — Eu sei que será ainda melhor, porque estamos juntos. Um sorriso suave se formou nos lábios de Lian. — E agora, um novo caminho começa, um com você e com nosso filho. Ele acariciou a barriga dela com a palma da mão, e mais uma vez, o pequeno ser ali respondeu com um chute. Não era forte como antes, mas um toque gentil, como se quisesse se juntar à conversa, eles riram baixinho. — Nosso pequeno amor — Diana murmurou, a voz cheia de carinho. — Ele já está ansioso para ver o mundo. Lian beijou a barriga novamente, a sua voz se tornando um sussurro terno e cheio de promessas. — O papai está tão ansioso para te conhecer. Quero te pegar no colo e te mostrar este lago, te ensinar a patinar no gelo, a andar de bicicleta... Quero te levar ao topo das montanhas e, juntos, vermos as estrelas e a neve. M.a.l posso esperar para te mostrar o nosso mundo. Diana sentiu uma lágrima solitária escorrer por seu rosto, uma lágrima de pura alegria. Ela tocou o rosto de Lian, traçando a linha da sua mandíbula. — Você vai ser o melhor pai do mundo. — E você a melhor mãe. — ele respondeu, seus olhos fixos nos dela. — Eu te amo, Diana. Eu te amo por tudo o que você é. Por me fazer sentir vivo de uma maneira que eu nem sabia que era possível. Ela se perdeu na imensidão dos seus olhos, na sinceridade das suas palavras. Ali, no silêncio do quarto, entre a promessa de uma nova vida e a memória da paixão que os uniu, eles se amavam com uma profundidade que ia além das palavras. Era um amor que os unia não apenas como parceiros, mas como almas gêmeas, destinadas a se encontrarem. Lian levantou-se com um sorriso terno, a respiração ainda ofegante, e caminhou até o painel lateral da parede. Apertando um botão discreto, ele ativou o comunicador. — Klaus, por favor, poderiam pedir as senhoritas Hanna e Greta para virem trocar os lençóis? Estaremos no banho. E, se possível, por favor, suba o nosso jantar. Depois disso, não queremos ser incomodados. Muito obrigado. — Sim, Senhor Lian. Deixaremos tudo preparado. — a voz de Klaus soou clara e profissional pelo intercomunicador. Lian desligou o intercomunicador e, de mãos dadas, eles seguiram para o banheiro, onde a ducha de alta pressão os aguardava. O vapor da água quente envolveu-os, limpando os seus corpos, mas sem lavar a paixão que ainda queimava na pele. Eles se abraçaram sob o jato forte, o silêncio preenchido apenas pelo som da água. Lian beijava o pescoço de Diana, e ela aninhava-se no seu peito, os dedos traçando os músculos dele, enquanto o desejo e a ternura se misturavam num momento de pura i.n.t.i.m.i.d.a.d.e. Enquanto isso, a mansão funcionava com a precisão de um relógio suíço. Hanna e Greta entraram no quarto, seus movimentos silenciosos e eficientes. Em poucos minutos, a cama imensa estava impecável, com lençóis frescos e macios. Elas saíram e, logo em seguida, outras três funcionárias subiram com uma bandeja elegante, deixando-a em cima de uma linda mesa de centro. Sobre a bandeja, repousava um jantar delicado e sofisticado. Havia salmão defumado com blinis (pequenas panquecas) e uma salada de folhas frescas, um contraste perfeito de sabores e texturas. Ao lado, uma jarra de suco de framboesa com gelo, com um tom vibrante e convidativo. Quando Lian e Diana saíram do banheiro, envolvidos em roupões felpudos, o aroma da refeição os acolheu. Sentaram-se, rindo e trocando provocações enquanto se serviam. O suco, leve e doce, limpou o paladar, e a comida, fresca e saborosa, era o conforto perfeito após a longa jornada. Após o jantar, eles escovaram os dentes, e Diana sentou-se na beirada da cama. Lian recolheu a bandeja, a jarra de suco e o que sobrou, equilibrando tudo nos braços com uma força que tornava o peso quase insignificante. Ele desceu a grande escadaria em silêncio, um gesto que contrastava com a formalidade da mansão. Na cozinha, os funcionários que finalizavam as últimas tarefas da noite pararam abruptamente. O silêncio tomou conta do lugar, e os olhares de espanto nos seus rostos se voltaram para a figura imponente de Lian. Klaus foi o primeiro a se mover, correndo até ele com uma mistura de urgência e respeito, estendendo as mãos para pegar a bandeja enquanto o restante da equipe o seguia, ainda atônito com a quebra de protocolo. — Senhor, não precisava trazer, iríamos buscar! — disse Klaus, visivelmente constrangido. Lian sorriu, com a serenidade de quem não se importa com formalidades. — Fiquem tranquilos, por favor. O jantar estava excelente, muito obrigado. — Lian sorriu, a serenidade em sua voz. — O dia amanhã será longo para todos nós, então descansem bem. Uma ótima noite a todos. Ele se retirou e Klaus se virou para a equipe, a tensão nos seus ombros finalmente cedendo. A voz dele era um sussurro aliviado: — Graças a Deus! Ele pareceu satisfeito. Vocês foram impecáveis. Greta, ainda impressionada, murmurou para Klaus: — Ele parece ser um bom homem. Tão diferente de todos os outros patrões que tivemos. Klaus sorriu. — Parece que sim. E para que continue assim, precisamos terminar de arrumar tudo e descansarmos. Vocês ouviram, amanhã será um dia longo, principalmente para o Senhor Lian, que assumirá o seu novo cargo como um dos juízes da cidade. Por isso, temos que garantir que tudo esteja perfeito para que ele tenha uma manhã incrível. Os funcionários assentiram e, com o ambiente da cozinha agora mais leve e esperançoso, voltaram aos seus afazeres. Enquanto a noite avançava, a luz prateada da lua banhava o quarto principal, transformando o vasto espaço num refúgio acolhedor. Lian e Diana adormeceram, os corpos ainda entrelaçados e as respirações sincronizadas. Na imensidão daquela mansão silenciosa, não havia mais frio, apenas a promessa de um amanhã novo e brilhante pulsando nos corações de ambos, à espera de uma nova vida a três. Enquanto a mansão de Lian e Diana mergulhava no silêncio da noite, a poucos metros dali, em uma das outras residências do condomínio, a luz da lua também entrava pelas janelas do chão ao teto. No andar de cima, uma mulher estava acordada, a sua elegância uma fina e trêmula máscara para a fragilidade que a consumia. Ela segurava uma taça de vinho tinto, os olhos se perdendo na escuridão do lago, enquanto lágrimas corriam livremente pelo seu rosto. Era Aurora Deneuve, uma advogada de 28 anos. O seu semblante, que ela tentava manter sereno, escondia as cicatrizes de um passado brutal que a transformara numa fugitiva. Ela o amou de verdade, com uma paixão cega, mas só depois do casamento a máscara de juiz respeitado e gentil caiu, revelando um homem violento e machista. Ele não apenas a quebrou fisicamente, mas também partiu o seu coração em mil pedaços. Há apenas uma hora, ela havia acordado em pânico de um pesadelo: a imagem do seu ex-marido, o juiz Bastien Fournier, a encontrando em Zurique, a fez tremer. Ele, o homem que a espancou tão violentamente até deixá-la em coma, ainda mantinha a última e c.r.u.e.l amarra entre eles: um divórcio jamais assinado. Uma fuga para longe da França, uma nova vida construída sobre o medo. Aurora segurava a taça como um náufrago à sua âncora, afogando o desespero de viver escondida e aceitando apenas casos menores para não chamar a atenção que poderia, um dia, levar o seu passado até ela. A noite em Zurique não era um refúgio, mas uma prisão silenciosa, e o brilho gélido da lua, que para outros, era esperança, apenas iluminava os contornos da sua fuga. O amanhã era, para ela, apenas mais um dia para se esconder. Aurora ergueu a taça uma última vez, esvaziando os últimos vestígios de vinho tinto na garganta. Com um suspiro de derrota, ela deixou a garrafa vazia na mesa de centro, um testemunho silencioso da sua noite de desespero. Ciente de que precisava se recompor, ela seguiu para o banheiro, onde a água quente da ducha pareceu uma tentativa de purificação forçada, lavando não apenas as lágrimas, mas também o medo que ainda insistia na sua pele. Já no quarto, o seu olhar encontrou o relógio digital na cabeceira da cama: 1:30 da manhã, ela suspirou, um som pesado de cansaço. Com uma audiência marcada para as 9:00, precisava estar renovada, não apenas para o tribunal, mas para o mundo que a aguardava do lado de fora. Ela deitou na cama, fechando os olhos na esperança de que o sono trouxesse o esquecimento. O sono, contudo, não foi um refúgio, o toque estridente do despertador quebrou o silêncio do quarto às 8h da manhã, soando como um tiro no escuro. Aurora abriu os olhos, sentindo-se um caco, como se a gravidade do seu próprio corpo tivesse dobrado de peso. As olheiras profundas eram testemunhas silenciosas da noite m.a.l dormida, e o terror do pesadelo ainda pairava no ar, um cheiro fantasma de medo. A imagem do seu ex-marido, o juiz Bastien Fournier, a encontrando em Zurique, não era apenas uma memória r.u.i.m; era uma dor física, um nó no estômago que a fazia tremer.
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