Capítulo 16

1898 Palavras
A mensagem brilhava no celular. “Fada: os bandidos foram interrogados pelo corvo. Está voando em torno do cisne.” A mão apertou em volta do celular, os olhos azuis como o profundo mar se estreitavam incomodados. Depois de algum tempo ele moveu os dedos sobre a tela, respondendo a mensagem. “Continue observando, não intervenha”. Deixando o celular no bolso interno do seu paletó, o rapaz apoiou o queixo entre seus dedos e observou a paisagem que passava pela janela do seu carro. O motorista dirigia rapidamente e em silêncio, o que lhe permitia um tempo para refletir melhor o problema em mãos. Um problema que tinha uma coroa na cabeça. Não imaginava que um ataque aconteceria durante a ausência do Grão-duque. Muito menos que Noir Solardus apareceria repentinamente no meio desse caos. Por mais que se conhecessem há muito tempo, sabia muito bem coincidências não existem no mundo daquele homem. — Ordens foram dadas? — perguntou sem desviar o olhar da janela. O homem sentado do seu lado o olhou por um momento, então ajeitou os óculos e leu a mensagem que brilhava na tela do tablet. — Não recebemos nenhuma ordem do Grão-duque. Como esperado. A viagem de carro durou mais do que a de helicóptero que fizera algumas horas antes. Deixou a fronteira às pressas no instante em que recebeu a mensagem de Khait. Mas agora se sentia ansioso de um jeito inexplicável. A sensação de perder o controle da situação era frustrante e irritante. Ao menos poderia agir como quisesse. Tudo o que precisava fazer era manter tudo sob controle. — Assim que chegarmos, verifique a condição da mansão, visite o hospital e cheque os seguranças. Recolha seus depoimentos e se certifique de que nenhuma palavra saia da mansão. — Sim, jovem mestre. Pelo resto da viagem, ele fechou os olhos e descansou. Isso se sua mente perturbada permitisse. O carro azul-petróleo com ornamentos dourados passou pelos portões da Mansão Arbane horas depois. Alguns quilômetros depois o automóvel parou na entrada, o rapaz desceu do carro olhando em volta atentamente. Por cima parecia tudo em ordem, mas podia ver os criados andando apressados dentro da mansão através da janela. Olhando para o jardim, de longe, podia notar os jardineiros trabalhando nos reparos. Os criados que estavam por perto se curvaram ao ver o rapaz passar com uma presença dominante para dentro da mansão. Em seu encalço o secretário que já começava a cumprir com suas ordens, colhendo informações. — Bem vindo, jovem mestre. Khalid Arbane ignorou a saudação do mordomo e apenas invadiu a mansão para encontrar alguém específico. Sem ver ninguém no salão principal, ele seguiu pelo corredor até chegar a sala de estar onde encontrou o príncipe sentado tomando whisky junto a Ecloir Florian. Como pensou, o príncipe estava se sentindo em casa na ausência do Grão-duque. Mesmo que parecesse relaxado no sofá e ouvisse a tagarelice de Ecloir, ele ainda emanava uma presença sufocante. Se não o conhecesse bem, pensaria que estava de m*l humor. Assim que seus olhos se encontraram, Khalid estreitou os olhos levemente e curvou a cabeça. — Vossa Alteza, me perdoe por não ter estado aqui e recebê-lo apropriadamente. Noir baixou o copo até sua coxa, inclinando a cabeça sutilmente. Ele descansou o braço no encosto do sofá e observou Khalid de cima a baixo. — Há quanto tempo, Khalid — murmurou — O Barão Florian me disse que você estava ocupado cuidando de uma inspeção de última hora no sudoeste do território. Khalid lançou um olhar de canto para Ecloir, que parecia um i****a sorridente perante o príncipe. Informações sendo dadas tão facilmente para a coroa não era apreciado. Khalid voltou a suspirar e se aproximou do estofado oposto ao do príncipe, onde se sentou. — De fato, já que meu pai deixou isso a meu encargo. Espero que não ter um Arbane para recebê-lo não tenha lhe ofendido. — Do que está falando? A senhorita Arbane me recebeu com muita hospitalidade. A mera menção da senhorita Arbane foi o suficiente para um arrepio passar pela espinha de Khalid. Ele encarou o príncipe avaliando as entrelinhas, mas a pose despreocupada de Noir não passava nenhum sinal de malícia. Bem como havia dito na mensagem, aquele homem já começou a rondar a garota. Isso renderia uma grande dor de cabeça futuramente. Apesar do problema, Khalid manteve a expressão neutra. — Nesse caso, é um alívio. O príncipe o observou por cima da borda do copo, um brilho calculista dançando em seus olhos. Khalid não transparecia suas emoções facilmente. Era como um boneco de gesso tal como Khait Arbane. Talvez fosse um traço comum dos Arbane? — Mas já que você está aqui, isso facilita as coisas. Vim visitá-los de surpresa, pois há algo que desejo discutir com o seu pai. Por acaso tem notícias dele? Infelizmente não tenho seu número… — Recebi um aviso de que meu pai já foi notificado de sua vinda, e por isso está retornando. Acredito que amanhã à noite ele esteja de volta. — Tão rápido? — o príncipe deixou o copo sobre a mesa e concordou com a cabeça — Bem, o Grão-duque deve conhecer atalhos interessantes para chegar cedo. De toda forma, até a chegada dele, acho que podemos falar sobre o ataque repentino que a Mansão sofreu em sua ausência, certo? O ar ficou tenso, um avaliando a reação do outro. Um escondendo as emoções do outro num jogo de provocação silenciosa. Para a frustração do príncipe, Khalid não mostrou nenhuma a******a. O comportamento inexpressivo e calmo do jovem mestre Arbane podia irritar qualquer um. — Fui notificado à respeito. Sou grato por Sua Alteza ter auxiliado com as investigações, mesmo estando aqui como convidado. Um sorriso cínico surgiu nos lábios do príncipe. — Ora, não precisa ser tão formal. Somos velhos amigos, certo? Ter Noir envolvido nas investigações poderia ser uma vantagem, mas também um perigo. Dada sua inteligência afiada e sua habilidade em virar situações a seu favor, isso não era um bom sinal. Khalid sabia muito bem o quão esperto Noir era, e como ele poderia usar aquilo contra os Arbane. A questão era saber como e quando. Mantendo a seriedade e neutralidade para não deixar o príncipe levar a melhor, Khalid levantou-se do sofá. — Nesse caso, vamos conversar no meu escritório. — o príncipe levantou-se, e junto dele Ecloir. Khalid olhou para ele e franziu o cenho — Você não deveria estar com ela agora? — O quê? Ah, sim, mas eu estava auxiliando a Sua Alteza e… — Não é necessário que o faça, já que eu estou aqui. Volte com as suas funções. As palavras de Khalid foi uma ordem afiada. Ecloir meneou a cabeça e se curvou assistindo os dois deixarem a sala de chá. Claro, o príncipe lançou um olhar lento e avaliador para o Barão, um sorriso quase imperceptível brincando em seus lábios ao perceber sua frustração. O escritório do jovem mestre era escuro e repleto de monitores. Uma organização impecável digno de alguém detalhista que não abre mão do controle das informações. Assim como antes, os dois se sentaram em lado opostos dos estofados. O mordomo serviu chá e mais uma dose de whisky com alguns petiscos, logo dando a privacidade que eles precisavam. Quando sozinhos, o príncipe não demorou em continuar a conversa com uma expressão mais séria. — Devo dizer que fiquei decepcionado com o que vi. Sempre admirei os soldados invernais dos Arbane, mas o que presenciei foi digno de pena. Khalid m*l encostou em sua xícara. Ele apenas cruzou os braços sobre o peito e encarou o príncipe com frieza. — Recebi o relatório de Ecloir sobre o espião dentro da mansão. É uma mulher que foi pega dentro do escritório do meu pai. Ela pode ter passado uma informação muito precisa sobre o momento em que estaríamos fracos. — Ah, nem perca seu tempo, a espiã era minha, na verdade. O olho de Khalid tremeu em irritação. O pouco de reação que teve já foi o suficiente para abrir um sorriso divertido no rosto de Noir. Quanto tempo levaria para Khalid perder a paciência com aquele cara? Esfregado a ponte do nariz, Khalid tentou manter a compostura. Independente da amizade, aquele assunto era sério demais. — Por que raios você colocou um dos seus aqui dentro? — Pelo mesmo motivo que uma ratazana colocou um ratinho imundo aqui. A diferença é que fui muito amigável em salvar o pescoço da sua irmã. Caso contrário ela já não estaria mais aqui graças à incompetência de vocês. Era um tiro no orgulho dos Arbane ouvir a palavra "incompetência" sendo direcionada a eles. Era a primeira vez que algo do tipo acontecia, e parecia um erro tão bobo que tornava ainda pior de digerir. — Obrigado por protegê-la — murmurou Khalid a contra gosto. Noir inclinou-se para frente, apoiando o cotovelo sobre sua coxa. A malícia dele irritou ainda mais Khalid, mas não se atreveu a dizer nada. — Veja só, é sempre uma boa visão ouvir um agradecimento vindo de você. Principalmente quando claramente odeia. — Como compensação, posso ajudar a sua… amiga, a ser inocentada. Noir moveu a mão, dispensando o pedido. — Ela vai sair por conta própria, apenas faça vista grossa e não a procure. De qualquer forma, você deveria começar a se preocupar mais com os ratos da capital. Sentindo sua cabeça latejar, Khalid cedeu e pegou a xícara de chá. Precisava de algo quente e calmante antes que chutasse aquele príncipe para fora do escritório. — Do jeito que fala, parece que isso envolve a sua madrasta. Khalid foi cuidadoso em mencionar a rainha. Espiando pela borda da xícara, não viu nenhuma reação negativa em Noir. Geralmente ele era sensível sobre sua própria família, ao ponto de ser transparente em sua raiva. Mas agora ele estava composto e calmo, apenas girando um copo cheio de gelo. — Estou apenas rastreando os malditos que me jogaram na prisão. O fato deles estarem tão curiosos sobre o Sul não passou despercebido pelo Imperador. Khalid estremeceu. Apesar do príncipe sorrir naturalmente enquanto bebe seu whisky, as palavras que saíram de sua boca eram um terrível presságio. — Então esse súbito interesse não passa de zelo pelo trono, Alteza? O príncipe deixou o copo na mesa de centro, apoiando os braços no encosto do estofado. Meneando a cabeça, Noir pensou, ou fingiu pensar, numa resposta apropriada. — Uma vez confirmado que o ataque veio do leste, então o Grão-duque teria um motivo para iniciar uma… pequena retaliação — Noir explicou, coçando o queixo — Uma guerra dentro do Império justo quando a alta temporada está para começar dá a******a para inimigos… de fora. Isso é algo que o Imperador realmente não gostaria de ter que lidar. A expressão de Khalid se obscureceu. Então ele estava ali a mando do próprio Imperador. — Compreendo. De fato, é ideal esperarmos o retorno do meu pai para discutirmos o assunto. — bebendo um gole do seu chá, Khalid acalmou-se — Isso é tudo o que veio procurar? Khalid franziu a testa quando viu o sorriso surgir nos lábios de Noir. O príncipe apoiou o braço no encosto do sofá, e olhou para a janela como se visse alguém no lado de fora. — Bem, podemos dizer que eu tive uma caça bem produtiva.
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