Capítulo 12

1611 Palavras
Haviam três jovens em pé em cima das águas de uma piscina, parecia um milagre divido, e olhavam para mais dois que estavam com medo de fazer o mesmo. — Anda, vem logo — apressou Fernanda. — Um de vocês dois é quem vai ter que pegar a pedra e provavelmente é você, Andrei. Andrei olhou para Renata, ele não queria ir, mas se obrigou a dar alguns passos, depois parou na margem. — Eu não posso fazer isso — disse Andrei temeroso. — Menino, e se for você o responsável por ter que pegar a pedra? — argumentou Fernanda. — Não tem jeito. Ou então você se recusa a cooperar e acaba sumindo como aconteceu com a Renata no início. — Há algum erro, eu não sei nadar — respondeu Andrei, estava aflito, mas bem controlado. — Mais um motivo para pensarmos que é você, o provérbio diz que "o que não sabe pode saber muito" — disse Octávio. — Você é o único que diz que não sabe nadar. — É, eu sei me afogar muito bem. — Para com isso, você é o mais inteligente de nós e tenho certeza de que nada de m*l vai te acontecer, não aconteceu nada com ninguém até agora. — Diz isso para o seu braço — Andrei apontou para o antebraço de Octávio, na região da picada a pele dele havia se tornado em aspecto de mármore. — Andrei, a gente vai sair dessa, mas todos temos que cooperar. — Anda logo, rapaz — persuadiu Demétrio. Andrei respirou fundo e deu mais um passo, sentiu o seu pé se firmar na superfície da água e colocou o outro pé. Andou mais um pouco, se desequilibrou, mas não caiu. Ele olhou para Renata e disse: — Está vendo? Não sou eu… — antes que pudesse terminar de falar, Andrei afundou na piscina e desesperou-se. Renata gritou para ele e tentou mergulhar na piscina, mas não podia, ela queria tentar salvá-lo. Os outros também gritaram para o menino que se debatia debaixo d'água, diziam "fique calmo", "para de se agitar" ou "pegue logo a pedra", entre outras coisas. Andrei usou a inteligência, segurou a respiração ao máximo que pôde, focou no brilho da pedra e tentou caminhar no fundo da piscina, apesar da sua visão estar um pouco turva, ele conseguia identificar onde exatamente se encontrava a pedra. A pedra estava próxima, se ele se descuidasse poderia se afogar. Felizmente ele conseguiu, não sabia mergulhar, mas confiou no seu intuito. Assim que tocou na pedra, uma fumaça n***a o envolveu e ele sumiu, a superfície da água na piscina não ficou mais compacta e os outros que estava sobre ela submergiram imediatamente. ••• Os quatro nadaram para fora da piscina e tremeram de frio, Demétrio voltou a vestir a farda. — Gente, onde está o Andrei? — perguntou Renata deitada no chão, quase que não conseguiu falar direito de tanto frio que sentiu. — Ele sumiu diante dos nossos olhos — respondeu Fernanda. — Como saberemos onde ele está? — Já deu, não é, Fernanda? — repreendeu Octávio. — Deixa de ser insuportável por um instante, o nosso amigo acabou de sumir e não sabemos nada do que pode ter acontecido. Vamos entrar logo antes que morramos de hipotermia. Eles e elas levantaram-se do chão e foram para dentro da casa, entraram diretamente para o quarto, onde dormiam, e aos tropeços por não enxergarem bem e por estarem trêmulos, as velas haviam se apagado, contudo, o céu começou a ficar mais claro. Assim que entraram no quarto cheio de velas acesas, o livro na mão de Octávio vibrou e surgiu mais outra escritura. — "Uma decisão foi tomada, resta apenas agirem com sabedoria. O frio pode incomodar, mas seria melhor que não quisessem se aquecer" — leu Fernanda. — Hã? Que decisão será que o Andrei tomou? E como assim... Fernanda nem pôde terminar de formular a sua pergunta, nesse exato momento Demétrio começou a gritar de aflição ao ver as suas mãos pegarem fogo. "Oh, meu Deus! Oh, meu Deus!" gritavam todos, porém, nada podiam fazer, no entanto, as chamas não consumiam o garoto, esse não era o propósito, o problema era que a casa era feita de madeira e Demétrio acabou ficando completamente em chamas, ele correu para se afastar dos colegas, mas tudo o que tocava se incendiava. A atitude que tiveram no momento foi de pegar as sacolas com comida e as mochilas, assim fizeram e saíram da casa que, depois de vários minutos, ficou totalmente envolvida no fogo. Octávio, Fernanda e Renata estavam diante da casa, desmoronando devido ao incêndio, a assistir ao espetáculo de labaredas dançantes e de centelhas explodirem da madeira velha e mofada. Choraram, um amigo sumiu e o outro entrou em chamas, o medo começou a aflorar com mais força. Além de tudo, perderam mais uma casa, pelo menos tinham o que comer, e agora não sentiam mais tanto frio. Não sabiam o que aconteceu com o Andrei, mas para a felicidade deles, ou não, um ser ambulante saiu do meio das chamas e o fogo que tomava todo o seu corpo desfez-se até revelar o verdadeiro indivíduo por trás. Demétrio aproximou-se dos seus colegas e sentou-se no chão relvado, eles fizeram o mesmo e, ainda lá, nos limites do território abandonado, se deitaram calados e dormiram, estavam com muito sono e agora estavam aquecidos. ••• Acordaram com a luz do sol incomodando os rostos sujos pela fuligem, sentaram-se em círculo numa parte da grama sombreada por uma árvore e saborearam um delicioso café-da-manhã. Mais uma vez, as pessoas passavam pela rua e pareciam não notar que uma mansão abandonada havia pegado fogo e no território da mansão tinham quatro jovens sujos de fuligem e terra sentados na grama a tomarem café da manhã. — Ai, meu Deus! — exclamou Talita após entrar pelos portões e encontrar o pessoal ali por perto. — De novo? O que foi que eu perdi desta vez, galera? — Nada de mais — respondeu Fernanda, cheia de ironia. — Descobrimos outra pedra brilhante, Andrei a pegou e depois sumiu de repente, Demétrio virou uma Tocha-Humana, como nas revistas em quadrinhos, e tocou fogo em tudo... — Não foi de propósito — justificou Demétrio. — Tudo o que eu tocava pegava fogo tão rápido que parecia ter gasolina nas paredes. Nem sei por que isso aconteceu comigo. — E vocês não fazem ideia de onde o Andrei possa estar? — perguntou Talita. — O livro não alertou nada? — Não — respondeu Renata, ela queria chorar. — Ele é tão frágil, espero que nada de mau tenha acontecido. — Ei! Não fique triste, tenha certeza que o nosso amigo está bem — Octávio tentou acalmá-la. — Como pode ter tanta certeza? — Não, Renata, não perca as esperanças — disse Talita. — Espera e persevera, daqui a pouco o jogo acaba. Depois disso, fizeram silêncio, como se estivessem de luto pelo amigo desaparecido. ••• Enquanto Renata analisava o livro e Octávio conversava com Talita, Demétrio aproveitou o momento para retomar o diálogo com a Fernanda, um assunto bastante pessoal. — Vai me contar por que não gosta do casal? — disse Demétrio ao sentar-se ao lado de Fernanda. — Ai, meu Deus. Ainda isso? — Fernanda não queria tocar no assunto, mas o Demétrio era insistente, ela ficou a olhar para ele, depois entregou os pontos. — Olha, eu odeio todo esse romance, acho muito chato, muito meloso. Só isso. — E por que você não namora? Talvez você mude de pensamento. — Aí, você já quer saber demais. Vai tomar conta da sua vida, garoto. — É serio, Fernanda, desde que te conheço eu nunca vi você namorar. — Já beijei muitos garotos. — Eu sei, mas isso não é namorar. — Se você disser namorar mais uma vez eu juro que te jogo nas cinzas da casa. Demétrio riu. — Você é uma garota muito brigona, mas é bonita e engraçada. Fernanda comoveu-se com o comentário de Demétrio, tanto que ficou encabulada. — Verdade, me acha bonita? — Sim. Eu e maioria dos meninos da sala. — Por que eu nunca soube? — Você é muito introvertida também. Os meninos têm medo de você respondê-los m*l. Fernanda parou para pensar por alguns segundos. — É mesmo. Você tem razão. O meu problema é que só tinha olhos para uma pessoa. — Quem? — Eu não vou falar isso... — Ah! Por favor. — Não, Demétrio. — Fernanda. A garota respirou fundo antes de responder: — Octávio, satisfeito? Demétrio começou a rir. — Olha, isso ficou muito óbvio. Fernanda deu risadas também. — Ele é o típico garoto do ensino médio que todas as garotas sonham em namorar, ele é bonito, estiloso, toca numa banda, tem uma barriguinha linda, mas até hoje ele só se interessou por meninas "nerds". Parece que essa vai durar bastante — ela referiu-se à Talita. — Esses músicos sempre roubando as nossas garotas. Parem de olhar o exterior e se apaixonem pelo caráter. — Você n******e dizer isto, você é lindo e rico. Além de tudo, é atleta, um espetáculo de homem. Por que você não namora? — O assunto aqui não é sobre mim, e eu estou esperando a pessoa certa. — A pessoa certa não existe, você é quem deve se esforçar para dar certo. — Parece difícil, prefiro pensar que existe alguém pronta que me completa. Eles riram pela conversa e nem deu tempo de chegarem em algum lugar, pois, Renata gritou para que os outros se aproximassem. Algo novo surgiu no livro.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR