Capítulo 13

1633 Palavras
Renata chamou os seus amigos para verem a nova página do livro. Ela leu: — "No fim do túnel encontrarão o que precisam, entretanto, um trauma terá que ser superado para obter aquilo que vos libertará do encantamento, ou seja, um de vocês terá que descer." Ficaram parados, um olhando para a cara do outro, a esperar que alguém dissesse alguma coisa inteligente. — Lá vem mais traumas — comentou Octávio. — Espero que não seja comigo de novo — ele olhou para o seu braço, virava mármore. — Temos que descer o túnel, meus amores — comentou Fernanda. — Alguém aqui tem medo de túneis. — Gente, que túnel? — perguntou Talita. Assim que ela terminou de fechar a boca, um buraco foi se abrindo no chão diante deles e tiveram que recuar para não caírem. O buraco era muito grande e tinha um raio de quatro metros, tinha uma rampa que facilitava a descida. ••• Os jovens ficaram um pouco apreensivos, mas tiveram que descer já que era uma ordem do livro mágico. Quando desceram ao buraco com todas as sacolas de comida e as mochilas nas mãos, ficaram parados diante de um túnel que estava tão escuro que os fazia não se sentirem confiantes, menos ainda seguros. — Alguém tem trauma de lugares apertados e escuros? — perguntou Demétrio, mas todos responderam que não, na verdade, fizeram caretas. — Deixa eu formular melhor a pergunta: alguém confia em caminhar por este túnel? — negaram essa pergunta também. — Acho que nem todos nós precisamos ir pelo túnel, apenas o que tem trauma — comentou Fernanda. — Ou é você, ou o Demétrio — disse Renata —, os únicos que ainda não pegaram uma pedra. — Eu não tenho medo de túneis, apesar de estar escuro e vazio, e não saber o que se pode encontrar por aí... — Não, meninas — falou Talita — vocês entenderam errado. Todos têm que atravessar o túnel. — Mas aqui diz que apenas "um terá que descer" — insistiu Fernanda. — Descer de algum lugar que não foi explicado, não pelo túnel. Estamos todos aqui agora. O único problema é que está muito escuro. — Tudo bem, se você está dizendo. — Gente, cadê as velas e os fósforos que compramos? — perguntou Renata. — Virou cinzas com a casa, minha filha — respondeu Fernanda e ela se voltou para Demétrio. — Você n******e pegar fogo de propósito para iluminar o nosso caminho não, meu amigo curupira? — Eu não sei controlar isso, não tem botão de ligar e desligar como você pensa... — De repente, Demétrio começou a pegar fogo e assustou aos seus colegas. Quem mais ficou impressionada foi a Talita, foi a primeira vez que ela viu a magia do livro atuando daquele jeito. — d***a, eu preciso me acostumar com isso. — Gente, que incrível — comentou Talita. — Isso não te queima, Demétrio? Não incomoda? — Nem um pouquinho, na verdade, sinto um calor tão confortante. — Vamos embora, princesa? — falou Fernanda com o Demétrio. Demétrio foi na frente, o caminho foi iluminado, mas não tinha nada de mais. Era um túnel comum, mas parecia que foi escavado com uma máquina muito avançada. ••• Passaram-se vinte minutos e eles continuavam a andar. — Amor — disse Octávio para a sua namorada —, acho que você deveria estar preocupada com a sua vida andando com a gente. — Como assim? — questionou Talita, porém, já sabia a resposta. — Olha aonde você veio parar? A gente não sabe o que pode acontecer, e se você se machucar? — Relaxa, eu sei me virar sozinha. — Eu sei que você é uma garota muito forte, e determinada, mas é que eu não estou com um bom pressentimento. — Amor, para com isso, nada de m*l vai nos acontecer, eu tenho certeza. E se o fato de eu ser a única que se lembra de vocês e está vendo tudo acontecer for obra do livro mágico? Eu sei que você acha que eu não deveria estar com vocês por eu não ter estado com vocês na biblioteca e ter sido vítima da maldição do livro, mas isso que está acontecendo comigo pode ter um propósito. Nem a magia da bruxa consegui me afetar, não acho que seja por acaso. — Tudo bem, eu te entendo, só fique longe do perigo. Tudo bem? — Certo, eu vou ficar. — Meu Deus, este buraco não acaba nunca? — reclamou Fernanda. — Parece que andamos a horas e estou com as mãos doendo de tanto carregar estes sacos. — Vamos dar uma pausa? — sugeriu Demétrio em chamas. — E se você apagar? — falou Renata. — E se a gente começar a perder oxigênio? — Fica calma, menina. Acho que estou começando a entender como funciona isso. — Se está tudo sob controle, então vamos parar um pouco, estou cansada. Octávio ia atrás com a Talita e viu os seus companheiros pararem de andar e Fernanda e Renata encostaram-se na parede do túnel. Ele apressou os passos. — Pararam por que, gente? — indagou Octávio. — Vamos continuar andando, quanto mais nos atrasamos, mais demorada vai ficar a nossa situação. — É ele tem razão gente — confirmou Renata. — Você é uma vira-folha — disse Fernanda. Octávio pegou as sacolas do chão e pediu para Demétrio continuar andando. Depois de mais dez minutos, bem de longe avistaram um raio de luz solar, era o fim do túnel, e Demétrio parou de flamejar. — Nossa, as suas roupas não queimaram? — perguntou Talita ainda admirada. — Não dá para ver direito. — Pela lógica deveria queimar — disse Demétrio —, mas não queimam. Se queimasse eu ficaria nu toda hora. — Que lógica? — falou Octávio um pouco irritado com o que o colega havia dito. — Estamos amaldiçoados por uma bruxa via um livro mágico. Agora, se você quiser ficar s*******a, não faço isso na frente da minha namorada. — Deixa de ser ciumento, cara. Eu não quero tentar seduzir a sua namorada, apesar de ela ser uma gatinha. — Acho melhor você me respeitar... — Octávio, calma — pediu Talita. — O que está acontecendo? Octávio bufou de ciúmes e adiantou os passos na frente arrastando a Talita pelo braço. — Nada, vamos. — Eu não mereço — comentou Talita a revirar os olhos. As outras meninas ficaram apenas assistindo à cena, nem mesmo Fernanda se atreveu a fazer qualquer comentário para não estragar o momento. ••• No fim do túnel depararam-se com um lugar muito bonito. Estavam diante de uma cachoeira e as suas águas corriam para um penhasco, antes havia uma bacia d'água. — Que lugar mais lindo — comentou Fernanda, deixaram os seus pertences num canto no chão depois que o túnel atrás deles se fechou. — Me deu até v*****e de tomar um banho. — Eu também quero — falou Demétrio —, precisando me divertir um pouco. — O que há de errado com vocês? — reclamou Octávio. — Não tem como a gente se divertir numa situação como essa. — Lara de ser chato, Octávio. E você não manda em mim. — Você está muito tenso, amor — disse Talita. — Creio que merecem relaxar um pouco. — Como vocês conseguiriam relaxar? — ele exibiu o seu antebraço, estava todo em aspecto de mármore e Talita pôs as mãos sobre a boca, ficou surpresa por não notar. — Estou virando uma estátua de mármore e a minha vida depende de vocês agora. Eu escolhi o bem-estar de todos, não me façam esperar pelo pior. — Gente, é verdade, vamos ver o que temos que fazer, vamos focar no jogo do livro — falou Talita. — E o que temos que fazer? — perguntou Fernanda. Então, todos olharam para o penhasco e aproximaram-se para analisarem o tamanho da queda, exceto Demétrio. — Nossa! Muito alto — falou Talita. Ela se voltou para trás e disse para Demétrio: — Vai descer agora ou vai esperar que eu te empurre? — O quê? Por que eu? — protestou Demétrio. — Porque está óbvio que é você. Ficou desconfortável quando viemos até aqui. Você deve ter medo de altura. — Não precisa ser eu, não vou de jeito nenhum. Ficaram parados olhando para Demétrio a esperarem alguma coisa acontece, mas não houve nada até então. — Ai, gente, eu vou — disse Fernanda. — Não é assim que funciona — disse Octávio. — Tem que ter um trauma em ralação a isso. — Sim, eu tenho trauma e não vou superar em segundos, não é assim que funciona — disse Demétrio. — Ficaram doidos? — Sinceramente, se alguém der conselho motivacional para ele eu vou jogar daqui de cima — disse Talita, fazendo todos olharem-lhe surpresos. — Amor? O que aconteceu com a sua timidez? — disse Octávio. — Joguei no lixo — Talita se voltou para Demétrio. — Anda logo, desce e procura a pedra. Demétrio aproximou-se do penhasco e bem devagar foi chegando perto da beirada até estremecer e recuar ofegante. — Desculpa, gente, eu não posso fazer isso, não dá — após ter dito isso, Octávio sentiu uma forte e efêmera dor no braço que ficou completamente em aspecto de mármore num instante. — Oh, meu Deus! — Talita segurou o outro braço do seu amado para ajudá-lo a permanecer de pé. — Demétrio! — gritou Fernanda como se estivesse a repreender o garoto. — Não vou, já disse, não posso fazer isso — imediatamente, Demétrio olhou para as suas mãos e viu que não estavam a sumir. Octávio pegou a pedra verde do bolso das suas calças e desejou que a feiticeira Asqueva aparecesse.
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