Capítulo 14

1607 Palavras
Assim que Octávio abriu os olhos, um vórtice de fumaça n***a e centelha surgiu diante deles e quando se esmaeceu, a feiticeira do cabelo vermelho apareceu, tão linda quanto antes, não havia como negar. Talita que viu Asqueva pousar até aquele ponto antes de a fumaça aparecer, como estava em preto e branco, Talita deduziu que apenas ela podia ver aquilo tudo e não sabia o porquê. — Pensei que nunca mais me chamariam, também, agora só tem uma chance. O que é que está havendo? — Como se você não soubesse — disse Fernanda. — Sim, eu sei, estou assistindo a tudo, só quis ser dramática. Na verdade, quero saber o motivo de Octávio ter me chamado aqui. — Esta é a vez do Demétrio de pegar a próxima pedra, mas ele se recusa a participar — falou Octávio. — Ele devia estar sumindo agora — disse Fernanda e Demétrio a olhou de soslaio. — E o que querem que eu faça? — perguntou Asqueva. — Não tem como mudar esta situação ou transferir a responsabilidade para outra pessoa? — Olha, meu amigo, mudar a situação não, mas transferir a responsabilidade até que tem, agora, o livro continuaria a jogar com vocês, é isso mesmo que querem? — Sim — respondeu Demétrio tão desesperado quanto podia estar. — Qualquer coisa menos isso. — Espera — pediu Octávio —, o que você quis dizer com isso? O livro tem jogado com a gente todo esse tempo, já sabemos. Então quer dizer que o jogo se estenderá com a mudança? É um tipo de cobrança? — Talvez, sim, talvez não! — Pode ser mais objetiva? — Posso, mas não serei, lembrem-se, tudo é consequência das escolhas de vocês. E então, prontos para a transição? — Agora mesmo — respondeu Demétrio. Asqueva posicionou Fernanda e Demétrio um ao lado do outro ombro a ombro, pegou o livro e abriu, colocou o seu bastão mágico em frente a eles e produziu um intenso flash de luz que deixou a visão deles fosca. Todos eles fecharam os olhos, quando abriram, a feiticeira não estava mais lá. — Está feito? — perguntou Demétrio. — Era só isso? O livro estava no chão e vibrou, e Octávio tentou pegá-lo, mas teve dificuldades por causa do seu braço, então Talita o ajudou, abriu-o na página e o posicionou para ser lido por ele. — "Uma troca foi feita, aquela que se voluntariou deve pegar a pedra. Apenas saiba que tomar decisões pode não ser nada simples." Todos olharam para Fernanda, ela confirmou com a cabeça, amarrou os cabelos numa fita, ajustou os sapatos e andou até à beira do penhasco, ela olhou e analisou o que deveria fazer, não sabia onde estava a pedra, a luz do dia ofuscava o seu brilho, fora que ao seu lado a cachoeira poderia atrapalhar-lhe. Era tudo ou nada. Fernanda começou a descer o penhasco, não pareceu ter dificuldades, era como se ela fizesse aquilo todos os dias, mesmo assim Talita, Octávio e Renata ficaram apreensivos ao assisti-la. Ela fazia alpinismo desde criança, ninguém sabia, mas era treinada para aquilo e aquele era o momento certo para agir como tal. — Está tudo bem aí? — gritou Octávio. — Sim, só não estou encontrando a pedra — respondeu Fernanda. — Vou descer mais um pouco. — Toma cuidado. — Vou tomar. Fernanda continuou a descer, precisava se concentrar nos seus movimentos para não escorregar, a queda seria fatal, e se concentrar na sua missão, dependia daquilo para não desaparecer de vez do mundo. Ela parou de descer num determinado ponto e gritou para o seu pessoal que havia encontrado um buraco que emitia uma luz vermelha. Os amigos comemoraram e a garota pegou a pedra. Ela ficou sem apoio para colocar a pedra no bolso das calças e a pôs na boca, depois começou a subir. Quando se aproximou dos colegas, Octávio, Renata e Talita estenderam as mãos para ajudá-la, mas a pedra brilhou rapidamente naquele mesmo instante, Fernanda revirou os olhos e caiu com a mão erguida. Os amigos gritaram e gritaram, nada podiam fazer, mas tudo aconteceu tão rápido. Antes que Fernanda caísse com tudo na bacia d'água formada pela cachoeira, a própria transformou-se numa fumaça n***a e se desfez no ar. Os seus amigos pararam de gritar, emudeceram atônitos. — Gente, o que aconteceu? — perguntou Demétrio desesperado. — Pelo amor de Deus, me digam que ela não caiu. Todos se voltaram lentamente para o garoto. — Ela caiu, mas não atingiu o chão, acabou sumindo como fumaça — respondeu Talita. Demétrio respirou de alívio. — Ai! Graças a Deus. Quero dizer, ainda bem que ela não morreu, até onde sabemos. — Cada momento que passa o nosso g***o fica mais fragmentado — disse Octávio. — O quê será que está acontecendo? — E o que vamos fazer agora? — perguntou Renata. — Vamos ver o livro. Antes que alguém pudesse segurar o livro, houve uma grande explorado na meio da bacia de água do efluente que fez o pessoal pular de susto e na margem estava o Andrei, encharcado, tossia como se não respirasse por muito tempo. O pessoal apressou-se para socorrê-lo, o tiraram da água às pressas, e Renata o abraçou de uma maneira que os outros se sentiram constrangidos em fazer o mesmo. Ela gostava dele, e a falta que ele fez para ela foi maior que a dos demais. ••• Andrei contou o que aconteceu antes de desaparecer, ele ficou sentado no chão e estava a se secar. — Assim que eu toquei na pedra, eu senti um formigamento tomar o meu corpo, depois eu tive um sonho, igual ao de vocês, que estava num oásis e uma voz me propôs duas opções, eu poderia sumir por um tempo, mas Demétrio seria amaldiçoado, ou eu ficaria com vocês, mas perderíamos todos os nossos recursos de sobrevivência. — Agora tudo fez sentido — falou Renata. — Sabe qual foi a maldição? — perguntou Demétrio. — Não. — Eu pego fogo — Demétrio sorriu, não estava incomodado com o seu "problema", até gostou, ele se sentia um super-herói. — Irado! — dois segundos depois, Andrei expressou a sua confusão. — Por que esse livro mágico vive querendo acabar com os nossos recursos? — Sério? É porque vocês são filhos de gente rica, creio que foram julgados pelo livro — respondeu Talita. — Acham tudo nas mãos, significa que não seriam capazes de conseguirem dinheiro por conta própria. Provavelmente passariam fome. — Isso é uma besteira — falou Demétrio. — Eu conseguiria um emprego bem rápido. — Sem documentos nenhum? Só trabalhando avulso. Agora me diga, por que nenhum de vocês escolheram perder o dinheiro, ou o que compraram com ele? — perguntou Talita, mas ninguém ousou responder. — O livro sondou vocês, sabe que não conseguiriam. Eu acho isso uma vergonha. — Tudo bem, você tem razão, Talita — confirmou Andrei. — Você também estuda no Colégio Particular mais rico de Uberlândia — disse Demétrio para Talita —, identifique-se consigo mesma com o que acabou de dizer. Ou você é tão especial assim, garota que não foi afetada pela magia do livro? — Sim, ela é especial, seu i****a — disse Octávio. — Ela é a garota mais inteligente que eu conheço. Talita beijou o seu namorado e voltou-se para Demétrio. — Não sou rica, 'filhinho'. Sou bolsista no Colégio. — O que é isso? Você faz bolsas? — Meu Deus! — exclamou Renata após ouvir o que Demétrio acabara de falar. — Gente — falou Andrei —, onde está a Fernanda? ••• Os minutos passaram-se, Andrei estava quase totalmente seco, explicaram-lhe o que aconteceu depois que ele sumiu. — Você é o pior de todos — falou Andrei para Demétrio ao saber que ele não teve coragem de escalar o penhasco e pegar a pedra vermelha. — Eu já pedi desculpas, não consegui mesmo, gente, desculpa. Mas vocês não podem me atacar por nada, eu cedi a minha casa para vocês a acabei a perdendo, não ataquei ninguém e poderia ter evitado a minha perda — justificou-se Demétrio. — Quando isso acabar terá a sua casa de volta — explicou Talita. — O que me garante isso? — Você não lembra do que a bruxa disse no início? Você nunca assistiu Jumanji? — falou Renata, ela não soltava o braço de Andrei, e ele se sentia muito bem com isso. — Provavelmente vai voltar tudo como era antes. Os outros riram de Demétrio que não teve o que responder. No mesmo momento, o livro mágico vibrou e Octávio leu a nova página: — "Ao leste da cachoeira chegarão até ao destino." — Oh! Que maravilha — falou Renata. — Vamos para o leste galera — disse Andrei. — O jogo vai acabar, graças a Deus — disse Octávio. Todos e todas comemoraram com o que foi lido. Finalmente estariam livres daquele jogo insano, da maldição do livro mágico. Entretanto, lembraram-se de Fernanda e automaticamente ficaram sérios e comovidos. Não sabiam qual seria o desfecho desse jogo, só precisavam saber que todos sairiam ilesos. — Tenho certeza de que ela aparecerá no final — confortou-os Talita. Octávio sorriu para ela e afagou os seus cabelos curtos. — Sim — disse ele —, precisamos pensar positivo, precisamos ter bom ânimo e sermos otimistas, pelo que vemos, está tudo dando certo. — Exatamente, nada deu errado até agora, o jeito e continuarem com bom ânimo, pode ajudar muito. Encerraram o papo e caminharam para o leste em rumo ao término do jogo, ainda tinham coisas para enfrentar.
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