Capítulo 70

1070 Palavras
Capítulo 28 O Uber chegou, ela foi rápida, se afastou, disse que precisava ir embora. Ele ficou chorando, pediu pra ela pelo menos conversar com ele pelo celular, porque foram meses juntos, tudo muito intenso, e que, por mais que ela tivesse esquecido, ele se lembrava de tudo e os sentimentos estavam lá, acabando com ele. Ela se lembrou do ex-ficante da adolescência que faleceu em um acidente após ela dispensar ele; ele queria ficar com ela depois de ter terminado com a mulher também. A Lisa já estava ligando porque o pessoal tinha chegado lá sem ela. Ela estava chorando, não atendeu, disse por mensagem que ia pra casa porque estava cansada. A Lisa pediu pra ela ir pelo menos um pouco, disse que todos estavam esperando ela. Ela foi porque teve medo de ir pra casa sozinha. Assim que chegou, viu que estava mais animado do que ela imaginava, até mesmo pelo horário, já era tarde. Ela foi entrando, o aniversariante correu até ela ao ver o presente na mão e perguntou se era pra ele. A Kaori se abaixou e falou: — É sim, mas primeiro um abraço ou eu não dou. O Bernardo deu um abraço apertado nela e já agradeceu antes mesmo de ver o que era. Enquanto ela ajudava ele a abrir, viu o Rui dançando com uma moça que ela nunca tinha visto antes. Era bonita, corpão, cabelo preto longo. A Ivone se aproximou, começou a conversar com a Kaori. A Lisa e a Daia também estavam dançando. A Ivone foi guardar a bolsa da Kaori lá dentro. Ela foi sentar com o pessoal do restaurante, mas ficou meio de canto, mexendo no celular. O Daniel estava mandando muitas mensagens. Ela levantou pra ir ao banheiro ver como estava a cara de choro. No caminho, falou com a tia do Rui, que ela tinha conhecido no aniversário da Daia. Também falou com a Lidiane, que agradeceu o presente e, super simpática, foi oferecendo comida pra ela. Foi bem rápido. Ela não devia ter ido pra lá daquele jeito, na verdade. Kaori foi para o banheiro. Quando saiu, o Rui estava na porta. Ela falou oi, cabisbaixa. Ele entrou na frente, bloqueando a passagem, e falou com graça: — Só oi? Ela falou: — Sim. Aliás, me faz um favor? Pega minha bolsa no quarto, sua mãe guardou. Ele perguntou por quê, o que ela queria. Ela disse que ia vestir uma blusa. Ele foi até o quarto, chamou ela pra ir também. Quando ela passou por ele e começou a mexer na bolsa, ele falou, passando a mão no braço dela: — Que isso? Ela não tinha visto, olhou assustada, disse que não era nada, se esquivando. Ele passou a mão, viu os vergões e falou: — Quem te machucou? Fala a verdade pra mim! Ela disse que não era nada, pegou a blusa na mochila e vestiu. Ele insistiu perguntando. Ela falou chateada, querendo chorar: — Rui, por favor, não faz isso comigo. Para! Ele abraçou ela e falou que depois iriam conversar, porque ele não era idiot4 e estava nítido que alguém tinha feito aquilo. Ela respondeu séria, enxugando as lágrimas: — Faz semanas que a gente não se vê, não se fala. Tá tudo bem, pode relaxar. Vai lá curtir a festa do seu filho e não comenta nada com ninguém, é coisa minha. Ele não gostou, respondeu no mesmo tom: — Duas semanas, Kaori, e eu te vi, ofereci carona outro dia, falei de ir te buscar no trabalho, você me ignorou. Mas quer saber? É coisa sua! Não vou ficar correndo atrás de você. Ele foi saindo, deixou ela para trás. Ela respirou fundo e saiu. Parou na porta da cozinha, olhou todo mundo se divertindo, conversando. Ela voltou pra dentro da cozinha e começou a ouvir um áudio do Daniel falando que, se ficassem juntos, ela ia lembrar de tudo, sentindo o beijo dele, indo pra cama fazer amor. Ela não estava respondendo, ele pedia por favor pra ela responder alguma coisa. A Daia entrou na cozinha e falou: — Oi, Kaori, tava te procurando. Você já comeu? Guardei bolo pra você. Ela respondeu séria: — Oi, tô sem fome, obrigada. Tô com uma dor de cabeça chata, só vim um pouco pra minha mãe não ficar enchendo o saco. A Daia olhou a cara de choro, perguntou se era só aquilo mesmo. A Kaori respondeu incomodada: — Seu irmão já foi falar de mim, né? Caramba, ele é muito chat0. A Daia respondeu surpresa que não, que estava perguntando pela cara péssima que a Kaori estava. Perguntou se os dois tinham brigado. A Kaori disse que não. A Daia respondeu: — Meu irmão não disse nada. Eu não quero ficar no meio disso porque gosto de vocês dois e não faço ideia do que acham que estão fazendo um com o outro. Enfim, se você quiser conversar, tô à disposição. Só não me trata mais desse jeito! A Kaori respondeu chateada: — Desculpa, eu tô com a cabeça cheia. Não quero ficar falando nada por causa da minha mãe também. Aquele cara que eu ficava tá me enchendo o saco há dias. Eu não sei como lidar com tudo isso. Hoje vi ele e foi horrível. Eu tenho medo. A Daia perguntou o que o Daniel queria. A Kaori contou um pouco, com os olhos cheios de lágrimas. Enquanto as duas conversavam na cozinha, a moça que estava dançando com o Rui entrou. Ela pegou bolo na geladeira, falou com a Daia sobre os salgadinhos que sobraram. Super sem graça por estar chorando, a Kaori limpou o rosto e ficou quieta, evitando olhar para a menina. Assim que ela saiu da cozinha, começou a falar perto da porta, rindo: — Aiii, Rui, para, não faz isso, Rui. Quando você dormir, eu vou me vingar! Não deu pra ver, mas deu pra notar a intimidad3. Também deu pra perceber que estavam se pegando, brincando. Se fosse possível, a Kaori faria uma cova e se enfiava ali mesmo. A Daia estava bem próxima, abraçada nela, falando pra deixar pra lá, aproveitar a noite, se acalmar. O celular da Kaori começou a tocar. Ela desligou e falou: — Minha mãe vai sacar que tem algo acontecendo. Nem consegui falar com ela ainda. Vou ir pra casa. Eu tô acabada, Daia, emocionalmente e fisicamente. Eu tô exausta, não aguento mais!
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