A cozinha estava cheia de vestígios de comida boa. O cheiro de alho refogado ainda pairava no ar, misturado ao calor do fogão que parecia nunca descansar. Pratos empilhados, talheres dentro da bacia, panelas com restinho de feijão colado no fundo, copos com marca de suco de caju. A mesa tava vazia, mas o rastro de gente ainda estava lá: risadas, vozes altas, o vai e vem do almoço. Eu estava de pé, com um pano de prato no ombro e o cabelo preso de qualquer jeito. — Menina, segura essa bucha direito! Tá parecendo que tá pegando em cobra! — Dona Tereza ralhou, mas com um sorriso largo no rosto. — Tô tentando, mas esse negócio escorrega! — retruquei, rindo. Ela pegou a bucha da minha mão e mostrou, como se estivesse ensinando um segredo de gerações. — Ó: dedão aqui, palma firme. Se deixar

